A rejeição de um projeto crucial sobre doação de terrenos na Câmara de Nova Friburgo desencadeou uma guerra de críticas em redes sociais entre o prefeito Johnny Maycon e vereadores da base aliada.
Um intenso embate político sacudiu as redes sociais em Nova Friburgo, na Região Serrana do Rio de Janeiro. A causa foi a recente rejeição de um projeto de lei que propunha alterações na Lei Orgânica municipal, focado na doação de terrenos públicos.
Essa decisão gerou um acalorado debate. O prefeito Johnny Maycon e vereadores, que supostamente compõem sua base de apoio, trocaram farpas abertamente.
As críticas em redes sociais expuseram divergências significativas. A discussão acalorada, que começou na Câmara, migrou para o ambiente digital, revelando fissuras na governabilidade local, conforme informações divulgadas pelo g1.
A Origem do Conflito: O Projeto de Doação de Terrenos
O centro da discórdia é um projeto de lei que buscava alterar a Lei Orgânica de Nova Friburgo para regulamentar a doação de imóveis. A proposta, após ser votada, foi rejeitada pelos vereadores, inclusive por parlamentares que integram a base de governo do prefeito Johnny Maycon.
Segundo o prefeito, o projeto não retiraria poder da Câmara, mas sim ampliaria a participação dos vereadores ao exigir aprovação legislativa para a doação de imóveis. Ele argumentou que a medida seria fundamental para impulsionar projetos de habitação no município.
As Críticas do Prefeito Johnny Maycon nas Redes Sociais
Após a rejeição, o prefeito Johnny Maycon publicou um vídeo em suas redes sociais criticando veementemente a decisão dos vereadores. Ele afirmou que a rejeição poderia impactar negativamente os projetos de habitação e questionou os motivos dos votos contrários.
Na legenda da publicação, o prefeito não poupou palavras: “Fica a pergunta: foi incapacidade de interpretação ou, pior, uma escolha consciente de prejudicar a população?”, escreveu. Ele também enfatizou que votar contra a iniciativa era votar “contra a população de Nova Friburgo”.
A Resposta dos Vereadores: Independência e Falta de Diálogo
As declarações do prefeito provocaram reações imediatas nos comentários de sua própria publicação, intensificando as críticas em redes sociais. O vereador Christano Huguenin (PP) apontou falha na articulação do governo, afirmando que “o projeto rejeitado não mudava nada do que já existe. Talvez tenha faltado habilidade política para o debate antes da votação”.
Já Max Bill (MDB) criticou o tom do prefeito, defendendo que “a democracia se fortalece no debate de ideias, e não no ataque às instituições”. Gabriel do Zezinho (Solidariedade) manteve seu voto contrário, baseando-se em análise técnica e citando a falta de diálogo com o Executivo.
Bruno Silva (MDB) destacou a independência entre os poderes, afirmando que “a independência do Legislativo já ficou clara, mas a harmonia falta e falta muito por parte do governo”. Esses comentários revelam um racha significativo na relação entre o Executivo e parte do Legislativo.
Réplicas e o Futuro Político em Nova Friburgo
O prefeito Johnny Maycon respondeu diretamente aos comentários dos vereadores, reforçando sua tese de erro de interpretação. A Max Bill, ele afirmou que os parlamentares estariam “se desviando de debater o projeto para não admitirem que erraram”, e acusou-os de tentar “enganar os friburguenses”.
Em nota enviada ao g1, os vereadores Rômulo Pimentel (PODEMOS), Bruno Silva (MDB), Christiano Huguenin (PP), Max Bill (MDB), Ghabriel do Zezinho (Solidariedade) e Evandro Miguel (MDB) explicaram que, embora o projeto tratasse de alteração na Lei Orgânica, a mudança não era necessária naquele momento.
Os parlamentares informaram que pretendem apresentar uma nova proposta, “mais enxuta e coerente”, com participação popular e focada em garantir que a destinação de imóveis públicos atenda, de fato, às famílias que precisam de moradia em Nova Friburgo.
Apesar do embate público e das intensas críticas em redes sociais, os vereadores fizeram questão de destacar que a relação com o Executivo “é a melhor possível” e que divergências pontuais são parte natural do processo democrático.