Acordo de cessar-fogo de duas semanas entre EUA e Irã abre caminho para diálogo crucial no Paquistão, com Estreito de Ormuz liberado e Israel também na trégua.
Estados Unidos e Irã darão um passo significativo em direção à paz com uma reunião agendada para esta sexta-feira, dia 10, no Paquistão. O encontro visa negociar o fim definitivo do conflito que tem gerado grande instabilidade na região do Oriente Médio, marcando um momento crucial nas relações internacionais.
A iniciativa vem após um acordo de cessar-fogo de duas semanas, que inclui a suspensão de ataques e a abertura do Estreito de Ormuz para passagem segura. Este período de trégua foi estabelecido para criar um ambiente propício às negociações pelo fim da guerra.
Líderes de ambos os países expressaram otimismo, embora com ressalvas, sobre o avanço das conversas. A expectativa é que as propostas de paz sejam detalhadas e que a reunião no Paquistão seja produtiva, conforme informações divulgadas pelo g1.
Trégua e as Condições para o Diálogo de Paz
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o chanceler do Irã, Abbas Araqchi, confirmaram o acordo de não agressão com validade de duas semanas. Durante este tempo, o Estreito de Ormuz, rota marítima estratégica vital para o comércio global de petróleo, permanecerá acessível, uma condição essencial para o Irã.
Trump afirmou que os objetivos militares dos EUA no Irã foram cumpridos e que as negociações para um acordo definitivo de paz estão avançadas. Ele mencionou ter recebido uma proposta iraniana de 10 pontos, considerada uma base viável para o diálogo, com quase todos os pontos de divergência já acordados entre os dois países.
O chanceler iraniano, Abbas Araghchi, por sua vez, confirmou que Teerã suspenderá suas ações defensivas mediante a interrupção dos ataques contra o país. Ele reiterou que a passagem pelo Estreito de Ormuz será segura sob coordenação com as Forças Armadas iranianas e com considerações técnicas específicas.
Autoridades da Casa Branca indicaram que Israel também participará da trégua. Contudo, a mídia israelense notou que o cessar-fogo incluiria o Líbano, uma informação que Israel, no entanto, diz não estar no acordo. O Paquistão confirmou que Islamabad será o local das conversas para negociar o fim da guerra.
Propostas de Paz na Mesa: O Plano Iraniano
O Irã apresentou uma proposta de 10 pontos, que se tornou a base para as negociações com os EUA. Entre as exigências de Teerã, estão o fim das sanções dos EUA contra o país, o pagamento de compensação integral e a liberação de todos os ativos iranianos congelados, de acordo com a agência Mehr.
Os pontos-chave da proposta iraniana incluem a não agressão, a permanência do controle do Irã sobre o Estreito de Ormuz, a aceitação do enriquecimento de urânio pelo Irã, a suspensão de todas as sanções (primárias, secundárias, do Conselho de Segurança da ONU e do Conselho de Governadores da AIEA), e a revogação de resoluções internacionais relacionadas.
Além disso, o Irã demanda o pagamento de indenização, a retirada das forças de combate dos EUA da região e a cessação da guerra em todas as frentes, inclusive no Líbano. A TV estatal do Irã classificou o acordo como um “recuo humilhante de Trump”, enfatizando que os EUA aceitaram os termos de Teerã, mas que a trégua não significa o fim da guerra.
Contexto de Tensões e Ataques Recentes
As tensões entre os países atingiram níveis alarmantes antes do acordo, com ameaças de ataques que geraram alertas sobre possíveis crimes de guerra e o temor de uma escalada global do conflito. Havia preocupações com a interrupção do fornecimento de energia, um colapso econômico no Irã e acidentes radiológicos graves.
Teerã chegou a indicar que poderia retaliar bombardeando usinas de energia de países vizinhos, incluindo refinarias de petróleo e usinas de dessalinização. Essa ação poderia colocar em risco o abastecimento de água para milhões de pessoas na região do Golfo.
Horas antes do prazo final imposto por Trump, bombardeios foram registrados no Oriente Médio. Os Estados Unidos atacaram a estratégica ilha de Kharg, que concentra cerca de 90% do petróleo iraniano, mas pouparam áreas petrolíferas. Israel, por sua vez, realizou “amplos ataques” em território iraniano, atingindo pontes, ferrovias, aeroportos e edifícios, incluindo uma ponte em Qom e uma petroquímica.
O Irã reagiu convocando a população a formar escudos humanos ao redor de usinas estratégicas e lançou ataques contra países como Emirados Árabes Unidos, Catar e Bahrein, declarando o fim da fase de “boa vizinhança” com países do Golfo. Esse cenário de escalada precede a atual tentativa de negociar o fim da guerra.
O Anúncio de Donald Trump na Íntegra
Em um comunicado oficial, o presidente Donald Trump detalhou a suspensão dos ataques e as razões para o cessar-fogo. Ele declarou: "Com base em conversas com o primeiro-ministro Shehbaz Sharif e com o marechal de campo Asim Munir, do Paquistão, nas quais solicitaram que eu suspendesse a força destrutiva que seria empregada esta noite contra o Irã, e condicionado ao fato de a República Islâmica do Irã concordar com a ABERTURA COMPLETA, IMEDIATA e SEGURA do Estreito de Ormuz, concordo em suspender o bombardeio e o ataque ao Irã por um período de duas semanas. Este será um CESSAR-FOGO de dois lados!"
Trump acrescentou que "A razão para isso é que já cumprimos e superamos todos os objetivos militares, e estamos muito avançados em um acordo definitivo voltado para a PAZ de longo prazo com o Irã, e para a PAZ no Oriente Médio. Recebemos uma proposta de 10 pontos do Irã e acreditamos que ela representa uma base viável para negociação. Quase todos os pontos de divergência do passado já foram acordados entre os Estados Unidos e o Irã, mas um período de duas semanas permitirá que o acordo seja finalizado e concluído."
Ele concluiu o anúncio com uma nota de otimismo: "Em nome dos Estados Unidos da América, como presidente, e também representando os países do Oriente Médio, é uma honra ver esse problema de longa data próximo de uma solução. Obrigado pela atenção a este assunto! Presidente DONALD J. TRUMP".