Falso Médico Atende 150 Pessoas em Cananéia, Litoral de SP, e é Preso Após Fraude Chocante com Paciente Sem Vesícula

Fraude chocante em Cananéia revela esquema de falso médico que colocou em risco a saúde de moradores do litoral paulista, gerando alerta para a fiscalização em unidades de saúde.

Um caso alarmante de exercício ilegal da medicina abalou a tranquilidade de Cananéia, no litoral sul de São Paulo. Um homem, identificado como Wellington Augusto Mazini Silva, de 28 anos, foi preso após atender cerca de 150 pessoas, passando-se por médico na cidade.

A farsa veio à tona de forma inusitada, levantando sérias preocupações sobre a segurança e a integridade dos serviços de saúde oferecidos à população. A atuação do falso profissional ocorreu nos dias 6 e 7 de janeiro, conforme apuração inicial.

A investigação agora busca desvendar a extensão do esquema e se havia um “acordo prévio” com o médico verdadeiro, segundo informações divulgadas pelo g1.

Como a Fraude Foi Descoberta?

A fraude foi descoberta quando o falso médico cometeu um erro primário, que levantou as primeiras suspeitas. Ele afirmou ter visto a vesícula biliar de uma paciente que, na verdade, não possuía o órgão, uma condição que ela já conhecia previamente.

Diante da inconsistência e do absurdo do diagnóstico, a mulher imediatamente procurou o diretor de Saúde do município. A denúncia foi crucial para que as autoridades fossem acionadas, dando início à investigação que culminou na prisão do suspeito.

A Prefeitura de Cananéia agiu rapidamente, reagendando todos os exames realizados por Wellington para os dias 13 e 14 de janeiro. Estes novos procedimentos serão conduzidos sob a supervisão de um médico devidamente contratado e com equipamentos adequados.

A Investigação e o Verdadeiro Médico

A Polícia Civil de Cananéia está aprofundando as investigações para determinar se Wellington Augusto Mazini Silva tinha algum tipo de “acordo prévio” com o médico verdadeiro. Este profissional, por quem o suspeito se passava, deverá ser ouvido em breve pela polícia.

Conforme apurado, Wellington é estudante de Medicina, cursando o quinto ano da faculdade. Nas suas redes sociais, ele se apresentava como aluno da Universidade Nove de Julho, a Uninove, instituição que não se pronunciou sobre o caso até o momento.

A corporação já colheu depoimentos de diversos pacientes e continua convocando outras pessoas para esclarecimentos. Informalmente, Wellington teria afirmado que receberia R$ 2 mil pela prestação do serviço, um detalhe que intriga os investigadores.

Embora o médico registrado não tenha sido indiciado, ele é considerado investigado. A suspeita é de que ele possa ter enviado o estudante para trabalhar em seu lugar, o que configuraria uma grave falha ética e legal, com sérias implicações.

Prisão, Acusações e Defesa

Wellington Augusto Mazini Silva foi autuado por exercício ilegal da medicina e falsidade ideológica. Esta última acusação se deve ao fato de ele não apenas se apresentar como outra pessoa, mas também utilizar uma identidade falsa para laudar os exames.

Após a prisão, ele passou por uma audiência de custódia, onde a prisão em flagrante foi convertida em preventiva. O suspeito foi então encaminhado para o Centro de Detenção Provisória, o CDP, de Registro, onde aguarda os próximos passos do processo judicial.

O advogado de defesa de Wellington, Celino Barbosa de Souza Netto, já se manifestou. Ele informou ao g1 que pretende recorrer da decisão que manteve a prisão de seu cliente, reiterando que provará a inocência de Wellington no decorrer do processo.

A Posição da Prefeitura de Cananéia

Em nota oficial, a Prefeitura de Cananéia esclareceu que o falso profissional atuou na Unidade Básica de Saúde, UBS, por apenas um dia. A administração municipal enfatizou que o médico verdadeiro foi regularmente contratado por uma empresa gestora do sistema de saúde, com toda a documentação exigida, incluindo um registro válido no CRM.

A prefeitura destacou que “quem compareceu à unidade para prestar o serviço foi outra pessoa, que se fez passar pelo profissional, utilizando documentos falsos apresentados a servidores municipais e à autoridade policial”. A identificação da fraude foi crucial para as providências imediatas.

Apesar de a ultrassonografia ser um exame não invasivo e de baixo risco, sua realização por alguém sem habilitação legal representa uma grave violação ética e jurídica, segundo a prefeitura. Todos os pacientes atendidos na terça-feira, dia 6, estão sendo reconvocados para refazer os exames.

A administração municipal de Cananéia lamentou profundamente o ocorrido e pediu desculpas à população. Informou ainda que foi instaurada uma sindicância administrativa, em conjunto com a empresa gestora.

O objetivo desta ação é apurar responsabilidades, identificar falhas e fortalecer os mecanismos de controle, prevenção e governança, garantindo maior segurança nos serviços de saúde.

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