Um novo e alarmante detalhe surge na investigação do incêndio no Shopping Tijuca, que resultou na morte de duas pessoas e deixou outras três feridas. O supervisor da loja Bell Art, Vitor Luiz Moreira Lisboa, afirmou em depoimento à polícia que o hidrante dentro do estabelecimento estava sem água no momento do incidente.
Esta revelação adiciona uma camada de preocupação às apurações, focadas em entender as causas e as falhas no combate às chamas. A Polícia Civil, por meio da 19ª DP (Tijuca), segue ouvindo testemunhas e analisando as circunstâncias da tragédia.
As informações, divulgadas pelo g1, destacam a complexidade do caso e a necessidade de esclarecer as condições de segurança do shopping, especialmente após relatos de falhas em equipamentos e procedimentos. Brigadistas que atuaram no combate inicial ao fogo serão ouvidos nesta quinta-feira, 15 de fevereiro.
Depoimento Chocante Revela Falha no Hidrante
Vitor Luiz Moreira Lisboa prestou depoimento na quarta-feira (14), detalhando os momentos iniciais do incêndio. Ele relatou que o combate às chamas pela brigada do shopping teve início cerca de sete minutos após os funcionários da Bell Art perceberem uma grande quantidade de fumaça no estoque da loja. O botão de pânico, segundo o supervisor, foi acionado.
O supervisor também mencionou que uma das vítimas fatais do incêndio, Anderson Aguiar do Prado, e outro segurança, tiveram que buscar água em um quiosque vizinho para tentar conter o fogo. Ambos estavam desprovidos de equipamentos de combate apropriados, ressaltando a precariedade da situação.
Alertas Ignorados e Outras Falhas de Segurança
O depoimento de Vitor Luiz Moreira Lisboa não foi o único a apontar deficiências. Bombeiros civis, conforme a reportagem, indicaram que houve uma falha no equipamento de detecção de fumaça da loja, o que pode ter dificultado a resposta rápida ao incidente. Documentos já revelados anteriormente mostram que funcionários mortos alertaram sobre riscos na loja, localizada no subsolo, antes da tragédia.
A Polícia Civil investiga a possibilidade de o incêndio ter começado no ar-condicionado do mezanino da Bell Art. O supervisor afirmou ter escutado um barulho forte vindo do aparelho, o que reforça essa linha de investigação. Além disso, a equipe da loja teria recebido como única orientação em caso de incêndio evacuar o local e avisar o shopping, sem um plano de combate direto.
Vistorias Anteriores e Manutenção em Questão
Vitor Luiz também informou que uma vistoria foi realizada na loja em 27 de dezembro. Ele garantiu que o excesso de estoque, com caixas de papelão, que aparecia nas fotos da inspeção, já havia sido organizado ou retirado no dia seguinte. O supervisor afirmou que a loja geralmente corrigia irregularidades rapidamente, mas não soube especificar prazos formais ou a frequência das manutenções do ar-condicionado.
Após o depoimento do chefe da empresa terceirizada responsável pela brigada do Shopping Tijuca, outros brigadistas serão ouvidos pela 19ª DP (Tijuca). O shopping, por sua vez, prometeu a reabertura para sexta-feira (16), às 10h, enquanto as investigações sobre as causas e responsabilidades do incêndio continuam intensas.