Joe Rogan, Influenciador Pró-Trump, Choca ao Comparar Métodos do ICE à Gestapo Nazista em Crítica Contundente à Política de Imigração de Donald Trump

A polêmica declaração de Joe Rogan levanta sérias questões sobre a militarização das operações do ICE e o futuro da imigração sob o governo Trump, gerando debate intenso nos EUA.

Uma declaração surpreendente de Joe Rogan, influenciador e podcaster com grande alcance, reacendeu o debate sobre as táticas do Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos, o ICE.

Conhecido por seu apoio a Donald Trump, Rogan não hesitou em comparar as ações do ICE à temida polícia secreta da Alemanha nazista, a Gestapo, em um momento de crescente indignação pública.

A fala ocorre na esteira da controversa morte de uma moradora de Minneapolis por um agente de imigração, elevando a tensão sobre a política migratória e os métodos de aplicação da lei no país, conforme informação divulgada pelo G1.

A Crítica Inesperada de um Aliado de Trump

Joe Rogan é um dos mais influentes e midiáticos apoiadores do presidente Donald Trump, tendo inclusive desempenhado um papel significativo em sua eleição em 2024. Ele é o apresentador do podcast mais ouvido nos EUA, atraindo milhões de ouvintes, especialmente homens jovens com valores conservadores.

Apesar de seu alinhamento político, Rogan expressou profunda preocupação com a forma como o ICE tem operado. Ele reconheceu que o presidente está implementando a perseguição a imigrantes para a qual foi eleito, mas contestou veementemente os métodos.

Em uma declaração contundente, Rogan questionou a militarização das ruas, afirmando: “Não queremos militares armados circulando pelas ruas, prendendo pessoas aleatoriamente, muitas das quais acabam sendo cidadãos norte-americanos que simplesmente não estão com seus documentos no momento.”

Ele prosseguiu com uma comparação chocante: “Vamos realmente nos transformar na Gestapo? ‘Mostre seus documentos’. É isso mesmo que está acontecendo agora?”. A fala ecoa um alerta sobre a erosão das liberdades civis e o aumento do poder estatal, impactando a política de imigração.

Escalada da Violência e Métodos do ICE

A controvérsia em torno da morte a tiros de uma moradora de Minneapolis por um agente do ICE tem alimentado a indignação interna nos Estados Unidos. Manifestações contra os agentes federais ocorreram em Minneapolis, onde Renée Good morreu, e em outras cidades americanas.

Os dados oficiais revelam um cenário preocupante. Pelo menos quatro pessoas morreram sob custódia do ICE desde o início de 2026, e ao menos 30 em 2025, tornando este o ano com mais mortes desde a criação da agência em 2003.

A escalada da violência gerou reações internacionais. Na quinta-feira, 15 de janeiro, o México solicitou oficialmente explicações sobre a morte de um de seus cidadãos que estava detido pelo ICE no estado da Geórgia.

A pesquisadora Charlotte Recoquillon, do Instituto Francês de Geopolítica, especialista em violência policial, explica que o orçamento destinado à política de imigração do governo foi multiplicado por dez. “Desde o mês de julho, o Departamento de Segurança Interna passou a contar com um orçamento de US$ 170 bilhões”, afirma Recoquillon.

Esse investimento massivo foi direcionado para “equipamentos, armas, coletes de proteção, roupas e uniformes, além de material letal ou não letal, como tasers e munições de gás”, detalha a pesquisadora.

Além do aumento orçamentário, o ICE recebeu em julho uma “autorização total” para adotar todas as medidas que considerar necessárias “para se proteger”. Essa diretriz, na prática, ampliou a margem de atuação dos agentes durante operações e abordagens.

Olivier Piton, advogado especializado em direito público em Washington, observou que, embora as missões do ICE fossem claras, “não havia limites legais claramente definidos nos decretos, para tentar enquadrar minimamente a atuação do ICE”.

O governo Trump também estabeleceu metas de detenções, pressionando as agências de imigração a prenderem 3 mil imigrantes em situação irregular por dia, visando aumentar o número de deportações.

A morte de uma cidadã norte-americana em Minneapolis sugere que a violência dos métodos empregados pelos agentes federais de imigração atingiu um novo patamar, mesmo que o uso de armas de fogo pela agência não seja inédito.

O veículo norte-americano The Trace, que monitora incidentes com armas de fogo ligados à repressão migratória, reporta que agentes de imigração dispararam em pelo menos 16 episódios desde o início de 2025. Em outros 15 incidentes, agentes chegaram a apontar armas de fogo contra pessoas.

A ONG Human Rights Watch denuncia uma “militarização violenta das operações de controle migratório nos Estados Unidos sob o governo atual”. A diretora do programa da organização para os EUA, Tanya Greene, pediu que “o governo Trump redirecione sua energia e os recursos dos contribuintes para operações de imigração conduzidas de forma pacífica e segura, em conformidade com a lei e com respeito aos direitos das pessoas, incluindo o direito fundamental à vida”.

Além das mortes por disparos, 32 indivíduos perderam a vida em centros de detenção do ICE em 2025, conforme o jornal The Guardian. Este foi o ano mais letal para a agência em mais de duas décadas.

A Reação de Trump e o Uso da Lei de Insurreição

Em resposta à crescente indignação e aos protestos, Donald Trump usou sua rede Truth Social para ameaçar recorrer à Insurrection Act. Ele afirmou que o faria caso “os políticos corruptos de Minnesota não respeitem a lei e não trabalhem para impedir que agitadores profissionais e insurgentes ataquem” agentes do ICE.

A Insurrection Act é uma legislação que permite a instauração de um estado de emergência, autorizando o emprego das Forças Armadas para fins de manutenção da ordem pública. Foi acionada pela última vez em 1992, pelo então presidente George Bush pai, diante dos distúrbios em Los Angeles.

Desde o início de seu segundo mandato, Donald Trump colocou o combate à imigração irregular como um dos principais eixos de sua administração. Ele lançou uma verdadeira caça a imigrantes em situação ilegal, apoiando-se fortemente no ICE.

O ICE, uma agência federal vinculada ao Departamento de Segurança Interna e criada em 2003, teve seus poderes ampliados drasticamente sob o novo governo Trump. Sua prioridade, por decreto, passou a ser a aplicação das leis migratórias e de “outras normas relacionadas à entrada e à permanência ilegal de estrangeiros” nos Estados Unidos.

Anteriormente, a agência também era responsável por investigar redes de exploração sexual infantil, tráfico de pessoas ou de antiguidades. Contudo, essa abrangência foi alterada para focar quase exclusivamente na repressão migratória.

O Impacto da Dissidência de Joe Rogan

O distanciamento de Joe Rogan, frequentemente descrito como “o eleitor indeciso mais famoso dos EUA”, é um sinal preocupante para Donald Trump. O presidente continua a defender o ICE no caso da morte de Renée Good, reforçando sua política de imigração.

Rogan é um dos apresentadores de podcast mais populares dos Estados Unidos, com mais de 14 milhões de assinantes no Spotify e 17 milhões no YouTube. Sua influência junto a homens jovens e o público que se identifica com Trump é inegável.

Ao se recusar a receber Kamala Harris em seu podcast durante a última campanha eleitoral, Rogan contribuiu significativamente para a eleição de Trump à Casa Branca. Sua crítica, portanto, tem um peso considerável.

Esta não é a primeira vez que a política de imigração de Trump gera forte rejeição. Desde o ano passado, vários apresentadores influentes de podcasts humorísticos e programas de entrevistas voltados ao público masculino, que antes apoiavam o presidente, retiraram seu respaldo.

A dissidência de figuras como Joe Rogan pode indicar uma rachadura na base de apoio de Trump, especialmente entre aqueles que, embora conservadores, podem estar preocupados com a intensidade e os métodos das políticas de imigração do governo.

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