Médicos mortos em Alphaville: Quem eram Luís Roberto e Vinicius, vítimas de tiroteio por colega, e o motivo da briga por contratos

A tragédia que chocou Barueri e Cotia, revelando detalhes da vida dos profissionais da saúde e o histórico do atirador, preso em flagrante.

Dois médicos foram brutalmente assassinados a tiros por um colega na frente de um restaurante em Alphaville, Barueri, na Grande São Paulo, na última sexta-feira, dia 16 de fevereiro. O crime chocou a região e levantou diversas questões sobre o motivo e as circunstâncias da fatalidade.

As vítimas, Luís Roberto Pellegrini Gomes, de 43 anos, e Vinicius dos Santos Oliveira, de 35 anos, chegaram a ser socorridas, mas não resistiram aos ferimentos. O atirador, também médico, foi preso em flagrante e teve a prisão convertida em preventiva.

A Polícia Civil investiga o caso, enquanto os profissionais da saúde foram velados neste domingo, deixando um legado de dedicação em Barueri e Cotia, conforme informações divulgadas pelo g1.

Quem eram Luís Roberto Pellegrini Gomes e Vinicius dos Santos Oliveira?

Luís Roberto Pellegrini Gomes, de 43 anos, era um cardiologista atuante em um hospital municipal de Barueri. Sua partida precoce deixou a comunidade médica em luto. Ele foi velado e enterrado na cidade de Rafard, no interior paulista, a aproximadamente 140 km da capital.

Vinicius dos Santos Oliveira, de 35 anos, trabalhava em diversas unidades de saúde na cidade de Cotia. Sua atuação no município era desde 2019, com passagens pelas Unidades Básicas de Saúde do Atalaia, Caucaia do Alto e Portão, além do Pronto Atendimento de Caucaia do Alto.

Vinicius deixou a esposa e um filho de apenas 1 ano e meio. Seu velório ocorreu em Osasco, na Grande São Paulo. A prefeitura de Cotia, em nota, destacou que ele era um “médico dedicado, também atuou no hospital de campanha durante a Covid-19. Vinícius era reconhecido pelo comprometimento com o serviço público, pelo carinho com os pacientes e pela boa relação com as equipes de trabalho”.

O Confronto Fatal: Como o Crime Aconteceu?

A briga que culminou na morte dos dois médicos ocorreu dentro de um restaurante uruguaio. Segundo a polícia, o atirador, Carlos Alberto, estava com amigos quando avistou Luís Roberto e Vinicius em outra mesa. Ele se levantou para cumprimentá-los, dando início a uma discussão.

Câmeras de segurança registraram o momento da altercação. As imagens, obtidas pela TV Globo, mostram Carlos se aproximando e conversando com Luís Roberto, que se levanta brevemente. Em seguida, Carlos o agride, e Vinicius se junta à briga, trocando socos com o atirador. Funcionários do estabelecimento tentaram separar os três.

Após a briga, Luís e Vinicius saíram para a frente do restaurante. Contudo, em outro vídeo, é possível ver Carlos aparecendo armado e efetuando dezenas de tiros contra os dois. Luís Roberto foi atingido por oito disparos, enquanto Vinicius levou dois tiros, conforme relatado pelo delegado Andreas Schiffmann.

A Guarda Municipal chegou a ser acionada, mas, ao revistar os envolvidos, não encontrou a arma. Os agentes pediram para que os médicos se retirassem. Foi então que, já do lado de fora, Carlos pegou uma arma de uma bolsa, que, segundo testemunhas, foi entregue por uma mulher, e efetuou os disparos. Os guardas conseguiram render e algemar o médico atirador.

O Atirador e a Investigação: O Que se Sabe?

O médico atirador, identificado como Carlos Alberto Azevedo Filho, já tinha antecedentes criminais. Ele foi preso em 2015 pelos crimes de racismo e agressão em Aracaju, Sergipe. A defesa de Carlos Alberto não foi localizada pela reportagem.

A polícia informou que Carlos Alberto possui registro de Colecionador, Atirador e Caçador (CAC), mas não tinha licença para portar a arma de fogo para defesa pessoal. A legislação federal exige uma autorização separada para o porte. A arma utilizada no crime era uma pistola 9 mm.

O motivo da briga fatal, segundo o delegado Schiffmann, está relacionado a desentendimentos antigos por causa de contratos de licitação. Carlos e Luís Roberto eram sócios em empresas do setor de gestão hospitalar, e Vinicius era funcionário de Luís.

Familiares das vítimas relataram que a relação entre Carlos e Luís Roberto era marcada por atritos e ameaças de ambas as partes. “Os familiares relataram que já havia essa rixa e ameaças de ambas as partes. E eles se encontraram naquele restaurante e os ânimos se excederam”, explicou Schiffmann.

A polícia ainda apura a origem da arma e o papel da mulher que teria entregue a bolsa a Carlos. “Essa é uma parte da investigação que precisa de um pouco mais de apuração. Ainda não está bem claro se ela levou essa a bolsa”, disse o delegado, destacando que testemunhas devem esclarecer essa questão.

Carlos Alberto foi encaminhado para a cadeia pública de Carapicuíba. Novos depoimentos serão colhidos, e a arma de fogo, cápsulas deflagradas, uma bolsa, diversos documentos e R$ 16 mil foram apreendidos para perícia. O delegado ressaltou a periculosidade do atirador, afirmando que “ele é perigoso, uma pessoa que não mede consequências. Ele já tem antecedente de agressão e de racismo em outro estado. A gente entende que, nesse momento, ele precisa ficar realmente encarcerado”.

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