Seis agentes do 6º Batalhão de Ações Especiais de São Bernardo do Campo foram presos por envolvimento na execução do lobista Luis Francisco Caselli, monitorado por equipamentos veiculares antes do crime na Zona Leste de São Paulo.
A Polícia Civil fez uma descoberta alarmante ao encontrar **rastreadores** em armários de um batalhão de Policiais Militares em São Bernardo do Campo. Os equipamentos estão diretamente ligados à investigação do assassinato do lobista Luis Francisco Caselli, executado a tiros em novembro passado na Vila Formosa, Zona Leste de São Paulo.
Seis agentes do 6° Batalhão de Ações Especiais (Baesp) de São Bernardo do Campo, onde os **rastreadores** foram localizados, foram presos na última sexta-feira (16) por suspeita de envolvimento no crime que chocou a capital paulista. A vítima teve seus passos meticulosamente monitorados por um desses dispositivos antes de ser brutalmente morta.
A Justiça, ao determinar a prisão temporária dos PMs, apontou a existência de fortes indícios de que os agentes seriam “integrantes funcionais de uma engrenagem de monitoramento, vigilância e execução”, conforme informações divulgadas pelo g1.
A Descoberta Chocante no Batalhão
Os dois **rastreadores** foram encontrados guardados em armários na sede do 6° Batalhão de Ações Especiais (Baesp) de São Bernardo do Campo, local de atuação dos seis policiais militares agora sob custódia. Essa descoberta reforça a tese de que a ação criminosa foi planejada e executada com precisão.
A investigação policial chegou aos suspeitos após a localização de um **rastreador** instalado no carro da própria vítima. Esse equipamento foi crucial para monitorar os deslocamentos de Caselli nos dias que antecederam o crime, evidenciando o planejamento detalhado da execução.
A polícia segue com as investigações para esclarecer todas as circunstâncias do crime, buscando desvendar a extensão da participação dos agentes e identificar possíveis outros envolvidos. A presença dos **rastreadores em batalhão de PMs** levanta sérias questões sobre a conduta e a integridade de membros da corporação.
A Rede de Monitoramento e as Prisões Envolvendo PMs
O primeiro PM a ser preso, Hélio Passos, foi apontado como responsável pela compra de quatro **rastreadores** em maio de 2024. Os aparelhos foram fornecidos por Clévio Queiroz dos Santos, que também está preso e, em depoimento, negou participação no crime, afirmando que o comprador solicitou o desligamento de um rastreador no dia da execução.
No celular de Passos, a equipe de investigação encontrou conversas comprometedoras, onde ele falava sobre a prisão de Clévio com outro PM suspeito. Havia também mensagens que associavam os equipamentos de monitoramento aos outros membros do grupo, indicando uma coordenação entre eles.
Segundo a Secretaria de Segurança Pública (SSP), as prisões resultaram de uma investigação conjunta do Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP) com o apoio crucial da Corregedoria da PM. Os policiais presos foram encaminhados ao presídio Romão Gomes, em Guarulhos, e a Justiça determinou a quebra do sigilo telemático de seus aparelhos apreendidos, em busca de mais provas.
A Execução Brutal de Luis Francisco Caselli
Luis Francisco Caselli foi assassinado por volta das 18h30 do dia 24 de novembro, quando chegava em casa de carro. Imagens de câmeras de segurança registraram o momento em que dois homens em uma moto se aproximaram do veículo, e o garupa desceu, sacando uma arma.
O atirador disparou ao menos três vezes à queima-roupa contra a vítima. Após os disparos, ele se dirigiu à parte traseira do carro, em uma clara tentativa de retirar um objeto, que os investigadores acreditam ser o **rastreador** instalado no veículo.
Antes que o criminoso conseguisse remover o equipamento, o carro da vítima ainda se movimentou por alguns metros e colidiu com outro veículo, momento em que os agressores fugiram. Caselli chegou a ser socorrido e levado ao Hospital do Tatuapé, mas infelizmente não resistiu aos ferimentos.
O Histórico da Vítima e a Linha de Investigação
De acordo com a Polícia Civil, Luis Francisco Caselli atuava como lobista de empresas no poder público e possuía diversas passagens pela polícia por estelionato. Seu histórico criminal é um ponto importante na investigação do seu assassinato.
O Ministério Público Federal chegou a informar que Caselli se passou por delegado da Polícia Federal em alguns de seus golpes, contando inclusive com a ajuda de policiais. Esse detalhe adiciona uma camada de complexidade ao caso e às possíveis motivações para sua execução.
A principal linha de investigação da polícia é a de que o comerciante tenha sido alvo de uma execução planejada, dada a forma como o crime foi cometido, com o uso de **rastreadores** e a tentativa de recuperação do equipamento após a morte, sugerindo um acerto de contas ou queima de arquivo.