MP denuncia Paulo Curió e mais 9 por desvio de R$ 56,3 milhões em Turilândia: Entenda o escândalo no Maranhão

Prefeito Paulo Curió, de Turilândia, é apontado como líder de esquema que desviou R$ 56,3 milhões em contratos fraudados, envolvendo familiares e figuras políticas.

O Ministério Público do Maranhão, MPMA, apresentou uma denúncia formal contra o prefeito de Turilândia, Paulo Curió, e mais nove pessoas, incluindo membros de sua família e figuras políticas. Eles são acusados de desviar R$ 56,3 milhões dos cofres públicos do município, por meio de um sofisticado esquema de corrupção.

A denúncia detalha uma complexa rede de fraudes em licitações, desvio de verbas públicas e lavagem de dinheiro. Este escândalo, que abala a política maranhense, revela a atuação de uma organização criminosa que se utilizava de cargos públicos e laços familiares para enriquecimento ilícito.

A investigação aponta que os desvios ocorreram principalmente nas áreas da Saúde e da Assistência Social, durante a gestão do prefeito, entre 2021 e 2025, conforme informações divulgadas pelo G1.

A Denúncia do MP: Prefeito no Centro do Esquema

O prefeito Paulo Curió é apontado pelo MPMA como o líder da organização criminosa. Ele é acusado de promover, organizar, dirigir e integrar o esquema, utilizando seu cargo para manter o funcionamento das atividades ilícitas. As denúncias contra o prefeito incluem organização criminosa, desvio de rendas e valores públicos, fraude a licitações, corrupção passiva e lavagem de dinheiro.

Segundo o MPMA, Curió teria desviado recursos por meio de contratos fraudulentos, participado ativamente da fraude a licitações, recebido vantagens indevidas e ocultado valores ilícitos. Para isso, ele teria usado pessoas, empresas e bens, com o objetivo de dissimular a origem do dinheiro.

Núcleo Familiar e Político Envolvido

A denúncia do Ministério Público do Maranhão destaca o envolvimento de um núcleo familiar e político próximo ao prefeito. Entre os denunciados estão a primeira-dama, a vice-prefeita, a ex-vice-prefeita, o pai e três irmãos de Paulo Curió, além de um tio e dois cunhados.

Eva Dantas, esposa do prefeito, é acusada de integrar a organização, auxiliar nos desvios e ocultar valores ilícitos por meio de gestão financeira e patrimonial. A vice-prefeita Tânya Karla e a ex-vice-prefeita Janaina Soares também são denunciadas por integrar o esquema, usar seus cargos para facilitar desvios e receber vantagens indevidas.

Os familiares, como Domingos Sávio Fonseca Silva, pai do prefeito, e seus irmãos Marcel Everton Dantas Filho e Taily de Jesus Everton Silva Amorim, teriam atuado como laranjas, movimentando e ocultando os valores desviados. José Paulo Dantas Filho, tio do prefeito, e os cunhados Ritalice Souza Abreu Dantas e Jander Silveiro também são acusados de participar do grupo criminoso e movimentar os recursos ilícitos.

As Exigências do Ministério Público

Na denúncia, o MPMA faz uma série de pedidos à Justiça para garantir a reparação dos danos causados. O órgão solicita o ressarcimento integral dos R$ 56,3 milhões desviados, a perda de bens e valores ligados ao esquema, mesmo que registrados em nome de terceiros, e a perda de cargos públicos nos casos de abuso de poder.

Além disso, o Ministério Público pede a manutenção das medidas cautelares já impostas, como o bloqueio de bens, o afastamento de cargos e as restrições de acesso e contato entre os investigados. O órgão busca também a fixação de um valor mínimo para a reparação dos danos e a conversão definitiva das medidas de bloqueio já autorizadas.

Desdobramentos e Decisões da Justiça

A situação em Turilândia é complexa, com o presidente da Câmara Municipal, José Luís Araújo Diniz, o “Pelego”, assumindo interinamente a Prefeitura, mesmo cumprindo prisão domiciliar. O MPMA informou que deve apresentar, nos próximos dias, uma nova denúncia contra os 11 vereadores do município, que estão em prisão domiciliar, e contra servidores suspeitos de participação no esquema.

Recentemente, a Justiça do Maranhão negou o pedido de soltura da maioria dos investigados na Operação Tântalo II, em decisão da desembargadora Graça Amorim. As prisões preventivas e domiciliares foram mantidas, assim como o afastamento de cargos públicos e a suspensão de atividades econômicas. Apenas a pregoeira Clementina de Jesus Pinheiro Oliveira recebeu prisão domiciliar por motivos humanitários.

A desembargadora argumentou que os acusados ainda representam risco e que medidas mais leves não seriam suficientes para impedir a continuidade das ações do grupo. O Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas, Gaeco, do MPMA, teve uma mudança em sua coordenação após a exoneração coletiva de promotores que investigavam o caso, em meio a um parecer favorável da Procuradoria-Geral de Justiça para a soltura dos investigados.

A Operação Tântalo II e os Valores Desviados

A Operação Tântalo II, deflagrada em 22 de dezembro, desvendou o desvio de R$ 56,3 milhões dos cofres públicos. A investigação aponta que o esquema envolvia a criação de empresas de fachada pelo prefeito Paulo Curió e seus aliados políticos, com foco principal nas verbas das áreas da Saúde e da Assistência Social.

Além dos gestores, a operação investiga empresários, servidores, 11 vereadores e um ex-vereador, que atualmente atua como secretário municipal de Agricultura, por sua participação na organização criminosa. A denúncia reforça a existência de indícios de fraude à licitação, corrupção ativa e passiva, peculato e lavagem de dinheiro, crimes que teriam sido cometidos de forma estruturada e com divisão de funções entre os envolvidos.

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