Wellington Augusto Mazini, detido em flagrante em um hospital do litoral paulista, afirma ter recebido R$ 1,5 mil para se passar pelo profissional habilitado
A prisão de um homem que se passava por médico em Cananéia, no litoral de São Paulo, revelou um esquema complexo que chocou a população. Wellington Augusto Mazini Silva foi detido enquanto realizava atendimentos, utilizando o registro profissional de um médico com quem, segundo ele, possui sociedade.
O caso ganhou destaque com a denúncia do Ministério Público de São Paulo (MP-SP), que imputou ao empresário crimes graves como estelionato e exercício ilegal da medicina. A defesa de Mazini, contudo, apresenta uma versão surpreendente, alegando que ele agiu sob ordens de seu suposto sócio.
As informações foram divulgadas pelo g1, que acompanhou os desdobramentos dessa investigação que lança luz sobre a conduta ética na área da saúde e os riscos à vida dos pacientes atendidos pelo falso médico.
Acusações Graves e Defesa Contesta Imputações
O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) denunciou Wellington Augusto Mazini pelos crimes de estelionato, perigo para a vida, exercício ilegal da medicina e falsidade material. Somadas, as penas podem chegar a 13 anos de prisão, conforme apurado pelo g1, destacando a seriedade das infrações.
O advogado Celino Netto, que representa Wellington, afirmou que a denúncia foi “inflada” e apresenta “imputações juridicamente controversas”. Ele garantiu que a defesa irá enfrentá-las oportunamente nos autos do processo, no momento processual adequado.
Netto acrescentou que o caso se encontra em fase inicial, com diligências pendentes, e que confia no regular andamento da ação penal para que os fatos sejam corretamente delimitados e analisados pelo Poder Judiciário.
A Versão do Suspeito: Agiu a Mando de Sócio
De acordo com a defesa, o empresário Wellington Augusto Mazini alegou ter agido sob o consentimento e mando do médico, de quem é sócio em uma clínica na capital paulista. Ele afirmou ser estagiário do profissional há quatro anos, acompanhando-o em clínicas de Santos e São Paulo.
Wellington alegou, por meio de sua defesa, que cursava o quinto ano de Medicina na Faculdade Estácio de Sá, embora a instituição não tenha se posicionado até a publicação da reportagem. Segundo o relato, há oito meses, o estudante fazia especialização em ultrassonografia e auxiliava o médico habilitado.
Ainda conforme o depoimento do estudante, o médico teria dado autorização para que ele realizasse os atendimentos em Cananéia, permitindo o uso de seu nome e a assinatura dos laudos. O g1 tentou contato com o verdadeiro profissional, mas não obteve retorno até o momento.
A Delegacia de Cananéia expediu uma carta precatória para que o médico seja ouvido em Santos, cidade onde reside. Até o momento, ele não compareceu à delegacia para prestar depoimento sobre o envolvimento no caso do falso médico.
Habeas Corpus Negado pelo TJ-SP
No último dia 13, o Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) negou um pedido de habeas corpus impetrado pela defesa de Wellington Augusto Mazini, que solicitava a soltura do empresário. A defesa argumentou que a manutenção da prisão representava um constrangimento ilegal ao seu cliente.
O advogado afirmou que a prisão expunha Wellington desnecessariamente ao ambiente prisional, com potencial de estigmatização social, abalo psicológico e prejuízo irreversível à sua trajetória educacional e profissional. Ele solicitou a imposição de medidas cautelares em vez da prisão.
Contudo, os desembargadores avaliaram o pedido e julgaram que havia indícios claros de materialidade e autoria dos crimes. Eles também consideraram que a soltura de Wellington representava um risco à sociedade, mantendo a decisão de prisão para o falso médico.
Investigação em Andamento e os Próximos Passos
A prisão de Wellington Augusto Mazini Silva ocorreu enquanto ele realizava um atendimento em um hospital de Cananéia, utilizando o CRM de seu suposto sócio. Este fato levanta sérias preocupações sobre a segurança dos pacientes e a fiscalização na área da saúde.
O prosseguimento da investigação agora aguarda o depoimento do médico cujo registro foi utilizado. A colaboração do profissional será crucial para esclarecer as circunstâncias e a extensão do esquema que permitiu a atuação do falso médico na unidade de saúde.
Este caso ressalta a importância da verificação rigorosa das credenciais de profissionais de saúde e a responsabilidade de todos os envolvidos para garantir a integridade e a segurança dos serviços médicos oferecidos à população.