Sérgio Nahas Preso: Empresário do Setor Têxtil é Capturado na Bahia 23 Anos Após Assassinar Esposa Fernanda Orfali

A saga de Sérgio Nahas, do setor têxtil, chegou ao fim em um condomínio de luxo na Praia do Forte, Bahia, onde foi detido por reconhecimento facial, encerrando duas décadas de fuga pela morte de Fernanda Orfali.

O empresário paulistano Sérgio Nahas, conhecido no setor têxtil e de confecções, foi finalmente preso na Bahia, quase 24 anos após o assassinato de sua ex-companheira, Fernanda Orfali, em São Paulo. A prisão ocorreu em Praia do Forte, um destino turístico de luxo no litoral norte baiano, onde ele se encontrava foragido da Justiça.

A captura de Sérgio Nahas marca o desfecho de um caso que chocou a capital paulista em 2002, envolvendo um longo processo judicial e a fuga do empresário após sua condenação. Ele foi localizado graças a um sistema de reconhecimento facial, que identificou o foragido em um local que, ironicamente, foi cenário da lua de mel do casal.

A saga judicial de Sérgio Nahas culminou com a confirmação da pena pelo Supremo Tribunal Federal (STF), resultando em um mandado de prisão que o manteve na clandestinidade por anos. Sua detenção encerra uma espera de mais de duas décadas por justiça, conforme informações divulgadas pelo g1.

A Prisão Após Mais de Duas Décadas Foragido

A prisão de Sérgio Nahas, agora com 61 anos, ocorreu no sábado, dia 17, em Praia do Forte, Mata de São João, Bahia. O empresário foi identificado por uma câmera de vídeo monitoramento facial, que alertou as autoridades sobre a presença do foragido. Ele estava hospedado em um condomínio de luxo, um cenário que contrasta com a gravidade de seu histórico criminal.

Com um mandado de prisão expedido em 25 de junho de 2025 pela Justiça de São Paulo, o nome e a foto de Sérgio Nahas estavam incluídos na Difusão Vermelha da Interpol. No momento da prisão, a Polícia Militar encontrou com ele 17 pinos de cocaína, três celulares, um carro modelo Audi, cartões de crédito e medicamentos de uso contínuo, segundo o g1.

O Caso Fernanda Orfali: Um Crime Que Chocou SP

O crime que levou à condenação de Sérgio Nahas aconteceu em setembro de 2002, no apartamento do casal, no bairro nobre de Higienópolis, em São Paulo. Fernanda Orfali, então com 28 anos, foi morta por disparo de arma de fogo. A arma utilizada pertencia ao próprio empresário e não possuía registro oficial.

A acusação sustentou que Sérgio Nahas matou Fernanda após ela descobrir suas traições e uso de drogas, e por receio da partilha de bens em um eventual divórcio. O inquérito policial apontou que o assassinato ocorreu após uma discussão, e que Nahas teria arrombado a porta do closet onde Fernanda tentava se proteger, efetuando dois disparos.

A defesa de Sérgio Nahas sempre alegou que Fernanda Orfali sofria de depressão e que teria cometido suicídio. Diários da vítima, segundo a defesa, indicavam o desejo de tirar a própria vida. Contudo, laudos periciais mencionados pela imprensa na época do crime indicaram a ausência de vestígios de pólvora nas mãos de Fernanda, elemento crucial em casos de suicídio por arma de fogo. A defesa, por sua vez, argumentou que a pistola usada não deixava resíduos nas mãos, apenas na roupa.

A Longa Batalha Judicial e a Condenação Final

Após o crime, Sérgio Nahas chegou a ser preso por porte ilegal da pistola, mas foi solto após 37 dias por decisão judicial. Ele respondeu ao processo em liberdade por muitos anos, enquanto seus advogados apresentavam recursos contra as decisões.

Em 2018, o Tribunal de Justiça de São Paulo o condenou a 7 anos de prisão em regime semiaberto pelo homicídio da esposa. A defesa recorreu dessa condenação, levando o caso ao Supremo Tribunal Federal (STF). Em junho de 2025, o STF confirmou a condenação e, por unanimidade, aumentou a pena para 8 anos e 2 meses de prisão em regime fechado.

Após essa decisão final, a Justiça de São Paulo determinou a expedição de um mandado de prisão para que Sérgio Nahas cumprisse a pena em regime fechado. Foi a partir desse momento que ele se tornou um foragido, permanecendo na clandestinidade até sua recente prisão em Praia do Forte, na Bahia.

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