Brasileira Karla Orsine, de Uberlândia, Lidera Estudo Pioneiro em Londres e Devolve a Visão a Dezenas, Transformando Vidas com Ciência Inovadora

Conheça o gel inovador de HPMC que, injetado no olho, restaura a pressão interna e já beneficiou 35 pessoas, abrindo novas esperanças para a recuperação da visão.

Uma conquista médica que redefine o que é possível na oftalmologia está emergindo de um dos hospitais mais renomados do mundo, o Moorfields Eye Hospital, em Londres. No centro dessa inovação, brilha o talento de uma brasileira, a médica oftalmologista Karla Orsine Murta Dias.

Ela é a única profissional do Brasil a integrar uma pesquisa inédita que já trouxe de volta a capacidade de enxergar para pacientes que sofriam de hipotonia ocular, uma condição que tira a esperança de muitos.

O trabalho pioneiro, que utiliza um método surpreendente, promete revolucionar o tratamento ocular e representa um marco na recuperação da visão, conforme informação divulgada pelo g1.

O Método Inovador Que Restaura a Visão

O tratamento desenvolvido pela equipe, que inclui a brasileira Karla Orsine, emprega um gel transparente e espessante à base de água, conhecido como hidroxipropilmetilcelulose (HPMC). Este composto já é utilizado em cirurgias oculares e na formulação de colírios, mas a grande virada de chave foi a forma de aplicação.

A inovação reside na injeção direta do gel na câmara vítrea do olho. Com isso, é possível restaurar a pressão interna do globo ocular sem comprometer a passagem da luz, um avanço crucial para a recuperação da visão.

Este procedimento revolucionário é realizado a cada três ou quatro semanas, ao longo de dez meses. Até o momento, 35 pacientes já foram beneficiados, e os resultados iniciais desta pesquisa transformadora foram publicados no prestigiado British Journal of Ophthalmology.

Para a Dra. Karla, cada sucesso é profundamente significativo. Ela expressou a emoção envolvida no processo, afirmando, “A visão está ligada à autonomia, à dignidade e à forma como alguém se relaciona com o mundo. Ver pacientes retomarem atividades e confiança é um privilégio raro na medicina”.

A Jornada Inspiradora da Oftalmologista Brasileira

A trajetória da Dra. Karla Orsine Murta Dias, de 38 anos, começou em Uberlândia, onde se formou pela Universidade Federal de Uberlândia (UFU). Seu sonho de infância era “cuidar das pessoas”, um desejo que se consolidou após experiências com cirurgias entre os sete e 11 anos, despertando sua curiosidade pelas doenças.

Filha de uma professora e de um médico oftalmologista, Karla foi incentivada pelos pais a seguir a profissão. Ela se dedicou intensamente aos estudos, conciliando a escola com aulas particulares de inglês e redação. Inclusive, em um ano, venceu uma feira de ciências sobre oftalmologia, utilizando um equipamento do pai para examinar seus colegas.

Sua paixão pela medicina e pela oftalmologia a levou a ingressar na UFU, onde fez iniciação científica, foi bolsista e presidente da Liga de Oftalmologia. Após a graduação em Medicina em 2012 e quatro anos de residência no Hospital de Clínicas da UFU, ela se especializou na área.

Karla sempre teve um forte vínculo com a UFU, afirmando, “Meu sonho sempre foi fazer UFU”. Depois de quase três décadas em Uberlândia, ela se mudou para Brasília para uma subespecialização em córnea e lentes de contato, mas o destino a levaria ainda mais longe.

Desafios e Conquistas em Solo Britânico

A vida da Dra. Karla tomou um novo rumo quando seu marido, um empresário, foi transferido para Londres a trabalho. A mudança para o Reino Unido não foi fácil, e ela confessa sentir “saudade da família, dos amigos, do calor humano e da comida brasileira”.

Apesar das dificuldades e da distância, Karla demonstrou grande resiliência. Em 2019, conseguiu revalidar seu diploma e iniciou sua carreira como pesquisadora em retina no Southampton University Hospital, no sul da Inglaterra.

Poucos meses depois, outro grande sonho se concretizou: Karla conquistou uma vaga no Moorfields Eye Hospital, um dos melhores hospitais oftalmológicos do mundo. Foi lá que ela conheceu o médico Harry Petrushkin, especialista em uveítes e líder da pesquisa, que a convidou para integrar o projeto de tratamento da hipotonia ocular.

Desde 2022, a médica brasileira tem participado ativamente deste estudo que tem o poder de devolver a visão e, com ela, a esperança a pacientes. Para Karla, “Devolver possibilidades de vida é o que dá sentido a todo o percurso”, um testemunho do impacto profundo de seu trabalho na vida das pessoas.

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