Alerta Global: 72% da População Mundial Vive Sob Regimes Autoritários, Revela Human Rights Watch, Destacando Impacto de Trump, China e Rússia

Relatório de 2026 da Human Rights Watch expõe o alarmante avanço autoritário global, questionando a sobrevivência dos direitos humanos na era atual e pedindo uma aliança estratégica mundial.

Uma nova e preocupante análise da Human Rights Watch (HRW), divulgada recentemente, revela que a vasta maioria da humanidade, cerca de 72% da população mundial, reside atualmente sob regimes autoritários. Este dado alarmante faz parte do relatório mundial de 2026 da ONG, que detalha a situação dos direitos humanos em mais de cem países.

O documento, que levanta sérias preocupações sobre a trajetória global da democracia, aponta para um “avanço autoritário” impulsionado por figuras como o presidente americano Donald Trump e pela “pressão implacável” de nações como China e Rússia contra os direitos humanos em todo o mundo.

A organização defende a formação de uma aliança global robusta para conter este retrocesso democrático, que, conforme informações divulgadas pelo G1, coloca a democracia em níveis não vistos desde 1985.

Avanço Global do Autoritarismo e o Cenário Atual

O relatório da Human Rights Watch, que analisa a situação global dos direitos humanos, sublinha que “a democracia está agora de volta aos níveis de 1985, de acordo com alguns estudos, com 72% da população mundial vivendo atualmente sob regimes autoritários“. Esta regressão é evidente em países como a Rússia e a China, que são consideradas menos livres hoje do que há duas décadas, e até mesmo nos Estados Unidos.

Um dos pilares desta análise é o estudo “25 Anos de Autocratização – A Democracia Triunfa?”, realizado em 2025 pela Universidade de Gotemburgo, na Suécia. Este documento oferece uma perspectiva histórica, analisando a situação dos países desde 1974 e fornecendo a base para a classificação dos regimes autoritários e democráticos.

A pesquisa da universidade sueca classifica quase 200 países em diferentes escalas, desde as autocracias mais fechadas até as democracias liberais. Essa metodologia permite uma compreensão detalhada sobre a erosão das liberdades e dos direitos civis em diversas partes do globo, destacando a complexidade do cenário político atual.

A Classificação dos Regimes Políticos pelo Estudo

O estudo da Universidade de Gotemburgo categoriza os países em seis tipos de regimes, oferecendo uma visão clara sobre a diversidade e os desafios enfrentados pela democracia. As categorias incluem “autocracia fechada”, com 35 casos, onde não há eleições multipartidárias e faltam componentes democráticos fundamentais como liberdade de expressão e associação.

Em seguida, a “autocracia eleitoral” (51 casos) descreve nações com eleições multipartidárias, mas com insuficiência de liberdade de expressão e associação. Há também as “autocracias zona cinzenta” (4 casos) e “democracias zona cinzenta” (13 casos), onde a classificação é incerta.

As “democracias eleitorais” (46 casos), como o Brasil, possuem eleições multipartidárias livres e justas, com satisfatórios níveis de sufrágio, liberdade de expressão e associação. Finalmente, as “democracias liberais” (29 casos), como Estados Unidos, França e Espanha, adicionam restrições judiciais e legislativas ao Executivo, proteção das liberdades civis e igualdade perante a lei. Exemplos notáveis de regimes autoritários incluem a Rússia, classificada como “autocracia eleitoral”, e a China, como “autocracia fechada”.

Ameaça Global: O Papel de Trump e a Necessidade de uma Reação Unida

O relatório da Human Rights Watch enfatiza que o primeiro ano do novo mandato de Donald Trump nos Estados Unidos representou um “avanço autoritário” significativo. A ONG afirma que o líder americano “encorajou líderes autoritários e minou aliados democráticos”, manifestando admiração pela extrema direita nativista da Europa enquanto repreendia alguns líderes eleitos da Europa Ocidental.

A HRW questiona a própria sobrevivência dos direitos humanos na “era Trump”, apontando seu mandato por um “flagrante desrespeito” e “graves violações” desses direitos. Entre as ações criticadas, estão ataques à Venezuela, deportação de imigrantes, minar a independência judicial e a confiança no processo eleitoral, além de retirar os EUA do Conselho de Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas.

Diante desse cenário, a ONG alerta que “a política externa de Trump abalou os alicerces da ordem internacional regida por leis que busca promover a democracia e os direitos humanos“. Para enfrentar essa tendência, o diretor-executivo da HRW, Philippe Bolopion, defende que “os governos que ainda valorizam os direitos humanos, juntamente com movimentos sociais, sociedade civil e instituições internacionais, precisam formar uma aliança estratégica para conter retrocessos”, contrapondo-se à postura de Trump e dos líderes de Rússia e China.

Brasil em Destaque: Desafios na Segurança Pública

No capítulo dedicado ao Brasil, a Human Rights Watch destaca a urgência de uma reformulação nas políticas de segurança pública do país. A organização expressa grande preocupação com a atuação das facções criminosas e sua infiltração, direta ou indireta, no Estado, um aspecto perigoso do crime organizado que pode corromper as instituições por dentro.

A ONG sugere que as autoridades brasileiras conduzam “investigações aprofundadas e baseadas na inteligência” para identificar e desmantelar os vínculos entre criminosos e agentes do poder público. Esta abordagem é vista como crucial para combater a corrupção e fortalecer as instituições democráticas do país.

O relatório também observa que a segurança será uma “questão importante” nas próximas eleições presidenciais no Brasil. De acordo com um levantamento da Ipsos-Ipec, a criminalidade e a violência são as principais preocupações para 41% dos brasileiros, reforçando a necessidade de políticas eficazes e justas para garantir a proteção e os direitos humanos da população.

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