O segundo pedido de impeachment contra Ibaneis Rocha foi arquivado pela CLDF, uma decisão que mantém o governador no cargo em meio a controvérsias envolvendo o BRB e o Banco Master.
A Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF) confirmou o arquivamento de um segundo pedido de impeachment contra Ibaneis Rocha, governador do DF. A medida garante, por enquanto, a permanência do chefe do Executivo local no cargo, apesar das sérias acusações que motivaram as denúncias.
As alegações estavam relacionadas a supostos crimes de responsabilidade durante negociações envolvendo o Banco de Brasília (BRB) e o Banco Master, um caso que tem gerado grande repercussão e levantado questionamentos sobre a gestão pública.
Detalhes sobre o processo e os motivos do arquivamento foram amplamente divulgados, conforme informações publicadas pelo g1.
O Arquivamento e as Bases da Denúncia
O arquivamento do pedido de impeachment contra Ibaneis Rocha pela CLDF ocorreu após a Procuradoria-Geral da própria Câmara Legislativa se manifestar favoravelmente à medida. É importante notar que um primeiro pedido já havia sido arquivado em 10 de fevereiro, indicando uma tendência no parlamento distrital.
As denúncias que visavam o governador ganharam força na esteira das investigações envolvendo o Banco Master. O pedido do PSOL, por exemplo, justificava que Ibaneis teria cometido crimes de responsabilidade durante as tratativas do BRB para uma possível aquisição da instituição financeira privada.
Em resposta às acusações, Ibaneis Rocha havia declarado, em 2 de fevereiro, que estava "totalmente limpo" e que os pedidos de impeachment não deveriam ser sequer apreciados pela Casa.
A Polêmica Conexão BRB e Banco Master
O cerne da controvérsia reside na relação entre o Banco de Brasília (BRB), do qual o governo do Distrito Federal é acionista controlador, detendo 71,92% do capital, e o Banco Master. Ao longo do período entre 2024 e 2025, o BRB tentou adquirir uma parcela significativa do Banco Master.
Essa operação, que contava com o apoio público do governador Ibaneis e do GDF, foi, no entanto, barrada pelo Banco Central. A intervenção regulatória se deu após suspeitas de fraude na venda de carteiras de crédito do Master para o BRB, em um montante estimado em R$ 12,2 bilhões.
Além disso, o Banco Central determinou a liquidação extrajudicial do Banco Master. O Ministério Público, por sua vez, apontou indícios de gestão fraudulenta nas transferências de capital, dado que o BRB injetou R$ 16,7 bilhões no Banco Master entre 2024 e 2025.
Encontros do Governador e Negação de Discussões
Para adicionar mais camadas à investigação do impeachment de Ibaneis Rocha, o governador confirmou à TV Globo ter se reunido pelo menos quatro vezes, entre 2024 e 2025, com Daniel Vorcaro, o proprietário do Banco Master.
Contudo, Ibaneis Rocha negou veementemente que, nesses encontros, o tema da aquisição do Banco Master pelo BRB tenha sido discutido. A defesa do governador sustenta que as reuniões tiveram outros propósitos, desvinculados das operações financeiras questionadas.
Apesar do arquivamento do impeachment na CLDF, o caso do BRB e Banco Master continua sob escrutínio, com desdobramentos aguardados nas esferas investigativas e judiciais.