Promotoria de Justiça de Santa Catarina aprofunda investigação sobre a morte de centenas de cães e gatos, solicitando dados detalhados para esclarecer a situação em um centro de bem-estar animal.
O Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) deu um passo importante na apuração de uma grave denúncia envolvendo a eutanásia de animais em um abrigo. A promotoria solicitou novos e detalhados dados à prefeitura, buscando esclarecer as circunstâncias que levaram à morte de centenas de cães e gatos.
A preocupação central reside na alegação de que os animais eutanasiados podem ter sido sacrificados para liberar espaço no abrigo, uma prática que levanta sérias questões éticas e de bem-estar animal. A investigação busca agora a verdade por trás desses procedimentos.
Desde novembro de 2023, um grande número de eutanásias foi registrado, gerando grande repercussão e mobilização. As informações foram divulgadas pelo g1, destacando a urgência e a sensibilidade do caso que choca a comunidade.
O Pedido do Ministério Público e os Números Preocupantes
O MPSC solicitou o prontuário completo e individualizado de todos os 413 animais submetidos à eutanásia. Esse pedido abrange o período desde 14 de novembro de 2023, indicando a amplitude da investigação. A promotoria busca entender cada caso.
A exigência de dados detalhados visa a comprovar a real necessidade de cada eutanásia, verificando se todos os protocolos éticos e legais foram seguidos. A transparência é fundamental para garantir a proteção dos animais eutanasiados e evitar abusos.
A prefeitura, por sua vez, afirma que a prática da eutanásia “é utilizada como última alternativa”, em casos específicos e sob supervisão veterinária. Contudo, a grande quantidade de óbitos levanta questionamentos sobre a gestão do abrigo.
O Drama do Cão ‘Daniel’ e as Acusações de Ex-Funcionários
Um dos casos que mais chamou atenção foi o do cão “Daniel”, anteriormente conhecido como “Orelha”. Ele viveu por uma década com outros cães comunitários, sendo descrito como um animal dócil e carente, permitindo manipulação.
Um ex-funcionário, cujo nome não foi revelado na fonte, fez uma denúncia contundente. Ele afirmou que “Daniel nunca tentou morder. Era um animal carente, permitia manipulação completa, deitava no meu colo e chegava a sair da baia comigo para o solário. Tenho provas de tudo isso.”
A acusação prossegue, alegando que, após sua saída, “ninguém deu continuidade ao trabalho. Nunca foi contratado adestrador, nem oferecida uma chance real de reabilitação ou adoção. Optou-se pelo caminho mais fácil: eliminar o problema, em vez de agir com ética e responsabilidade”. Esta declaração ressalta a gravidade das denúncias sobre os animais eutanasiados.
A Resposta do Município e a Busca por Responsabilidade
Em nota oficial, o município informou que o “atendimento aos animais do Centro de Bem-Estar Animal é realizado sob responsabilidade de veterinários qualificados e com experiência, visando sempre a atenção e o cuidado necessários”.
Esta declaração busca tranquilizar a população, mas não aborda diretamente as acusações sobre a falta de reabilitação ou a quantidade de animais eutanasiados. A promotoria espera que os prontuários forneçam respostas mais concretas.
A comunidade e os defensores dos direitos dos animais aguardam ansiosamente os resultados da investigação. A expectativa é que o MPSC possa determinar se houve negligência ou falha nos procedimentos, garantindo justiça para os animais e fortalecendo as políticas de bem-estar animal em Santa Catarina.