Empresário de Presidente Prudente (SP) Relata Angústia e Prejuízos com Família Incomunicável no Irã Após Ataques e Escalada da Guerra no Oriente Médio

Empresário de SP, Shahyn Khalili, vive dias de angústia sem notícias da família no Irã após os intensos ataques, e já sente os impactos econômicos da guerra.

A escalada do conflito no Oriente Médio tem gerado apreensão em diversas partes do mundo, e no Brasil, a preocupação é especialmente sentida por quem tem laços com a região. É o caso de Shahyn Khalili, um empresário de Presidente Prudente, interior de São Paulo.

Desde o último sábado, Shahyn não consegue contato com seu pai, que reside no Irã. A última comunicação foi marcada pelo relato de bombardeios e clarões no céu, um cenário de guerra que o impede de ter notícias de seus entes queridos.

Além da angústia pessoal, a instabilidade geopolítica já afeta diretamente seus negócios, suspendendo negociações importantes com o Irã. As informações são do g1, que conversou com o empresário.

A Incerteza do Contato e a Experiência Iraniana com Conflitos

Shahyn Khalili compartilha que a população iraniana, embora habituada a tensões na região, enfrenta um cenário diferente desta vez. Ele destaca que, desde a Guerra Irã-Iraque, não havia um confronto direto de grandes proporções envolvendo o país.

O empresário compara a situação atual com conflitos anteriores, como os “12 dias com Israel recentemente”. No entanto, ele ressalta que o envolvimento direto dos Estados Unidos representa um nível de perigo muito maior.

“É um conflito direto envolvendo os Estados Unidos. Então é um poder de destruição, um poder de ataque muito maior. Então a gente fica mais apreensivo do que um conflito com os países do próprio Oriente Médio”, afirmou Shahyn, expressando sua profunda preocupação.

A incerteza é a palavra que define o momento para Shahyn e a população iraniana. Ele acompanha os noticiários internacionais e tenta contato frequente com a família, mas a dúvida sobre o futuro persiste. “A gente não sabe o que que pode o que que pode acontecer”, desabafou.

Negócios Afetados: A Exportação de Açúcar e o Risco Comercial

Os impactos da guerra não se restringem ao âmbito pessoal de Khalili. Seus negócios também foram diretamente afetados pela instabilidade. Ele estava envolvido na negociação para exportar 1 milhão de toneladas de açúcar do Brasil para o Irã.

No entanto, a situação de guerra suspendeu as negociações, pois não há um posicionamento claro do Ministério da Agricultura iraniano. A incerteza financeira é um fator crucial neste momento.

“As negociações acabam ficando suspensas, até por questão financeira, porque o valor antes dos ataques era um. Agora, o seguro marítimo dos navios sobe, tudo sobe, a gente não sabe se pode vir uma nova taxa”, explicou o empresário, detalhando os riscos.

Outra grande preocupação para o empresário é a possibilidade de os Estados Unidos imporem um isolamento comercial ao Irã, o que impediria o país de fazer negócios com outras nações. Essa medida teria consequências significativas.

“É uma questão bem complicada e acaba também afetando o Brasil, queira ou não queira”, pontuou Shahyn, ressaltando a interconexão das economias. Ele lembra que o Irã é um dos maiores compradores de milho do Brasil e um dos maiores vendedores de ureia.

Essa balança comercial, vital para ambos os países, pode ser desequilibrada, gerando reflexos em diversos setores. “São reflexos em todos os campos”, finalizou o empresário, descrevendo a complexidade da situação.

A Escalada do Conflito entre EUA, Israel e Irã

A intensificação da guerra no Oriente Médio teve início no último sábado, 28 de fevereiro de 2026, com um grande ataque conjunto de Estados Unidos e Israel contra o Irã. Explosões foram registradas em Teerã e em outras cidades iranianas.

Os bombardeios resultaram na morte do líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, e de outros membros importantes da cúpula militar e do governo. A organização humanitária Crescente Vermelho do Irã atualizou o número de mortos para 555 pessoas desde o início dos ataques.

Em resposta, o Irã disparou mísseis contra Israel e bases militares norte-americanas na região. Essa troca de ataques tem sido constante, com bombardeios diários que reverberam em outros países do Oriente Médio.

Os Estados Unidos confirmaram, no domingo, a morte de três militares do país desde o começo da guerra. O presidente Donald Trump prometeu vingar essas mortes, intensificando ainda mais o cenário de tensão global.

Trump afirmou que “infelizmente, haverá mais [mortes] antes que [a guerra] acabe. Mas os Estados Unidos vão vingar seus mortos e desferir o golpe mais devastador aos terroristas que travam uma guerra, basicamente, contra a civilização”. A situação segue em escalada, com graves consequências humanitárias e econômicas.

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