Chef da Logística de Furto de Combustíveis da Transpetro é Preso em Ribeirão Preto: Entenda o Esquema que Gerou R$ 5 Milhões em Prejuízo
Uma vasta operação da Polícia Civil resultou na prisão de indivíduos suspeitos de envolvimento em um grandioso esquema de furto de combustíveis, que causou um prejuízo estimado em R$ 5 milhões à Transpetro. Entre os detidos, em Ribeirão Preto, está Wagner de Sousa Leite, apontado como o responsável pela complexa logística da quadrilha.
Leite tinha a função de disponibilizar a frota de caminhões e coordenar todos os deslocamentos necessários para o transporte do combustível desviado. Além disso, ele gerenciava os valores ilícitos, redistribuindo o dinheiro conforme as diretrizes dos líderes do grupo.
A investigação, que culminou na deflagração da Operação Sangria, revela a sofisticada estrutura criminosa por trás do furto de combustíveis, com núcleos bem definidos para liderança, logística e execução, conforme informação divulgada pelo g1.
A Complexa Estrutura da Quadrilha de Furto de Combustíveis
As investigações da Polícia Civil indicam que a quadrilha de furto de combustíveis operava com uma divisão de tarefas clara, garantindo a eficiência do esquema. Havia, pelo menos, três núcleos distintos: liderança, logística e execução.
Laerte Rodrigues dos Santos, conhecido como ‘Mineiro’ e preso em Campinas, é apontado como um dos chefes. Ele era encarregado de coordenar a organização, recrutar novos membros, definir os preços do combustível furtado, autorizar carregamentos e planejar novas ações.
Marcelo Teixeira de Gouveia, sócio de uma transportadora e também detido em Campinas, participava das negociações de preços, ajustava a documentação e realizava os pagamentos relacionados ao combustível transportado ilegalmente.
Luis Ricardo Pedrozo da Silva, preso em Leme, possuía o conhecimento técnico essencial para a perfuração clandestina dos dutos da Transpetro, uma etapa crucial no processo do furto de combustíveis.
No núcleo executor, Emerson Clayton Ramineli, um motorista preso em Goiânia, atuava diretamente no transporte do combustível subtraído. A polícia também investiga a possível colaboração interna de Paulo Henrique de Lima Silva, um vigilante detido em Monte Alegre, Minas Gerais, suspeito de fornecer informações estratégicas.
Os Detalhes da Operação Sangria e os Presos Chave
A Operação Sangria, iniciada em agosto do ano passado após um furto em um duto entre Ribeirão Preto e Cravinhos, mobilizou a polícia em diversas cidades. As ações ocorreram em Ribeirão Preto, Campinas, Paulínia, Leme, Artur Nogueira, Conchal e Jardinópolis.
Entre os presos em Ribeirão Preto, além de Wagner de Sousa Leite, está Calil Fernando Carneiro. Calil, que já atuou como motorista, agora participava da parte operacional, preparando os dutos para a ação criminosa. A defesa de Wagner de Sousa Leite informou à EPTV que aguarda acesso integral às investigações para se pronunciar.
Durante a operação, foram cumpridos mandados de busca em duas empresas distribuidoras de combustíveis, que são suspeitas de integrar a cadeia de escoamento do produto furtado. Celulares e equipamentos informáticos foram apreendidos e serão periciados, fornecendo mais subsídios para a investigação.
Impactos e Riscos do Furto de Combustíveis para a Transpetro
O delegado André Baldochi, da Delegacia de Investigações Gerais (DIG) de Ribeirão Preto, ressaltou que a operação visa combater não apenas a subtração do combustível, mas também os severos danos à infraestrutura dutoviária. Esses crimes acarretam impactos operacionais significativos e geram riscos ambientais.
A Transpetro, em nota, confirmou o aumento de ataques criminosos a seus dutos em São Paulo e Minas Gerais entre 2024 e 2025, e afirmou que está colaborando ativamente com as investigações. A empresa mantém articulação constante com órgãos de segurança pública, como as polícias civil e militar, os Ministérios Públicos e o Disque Denúncia.
Baldochi enfatizou que os furtos de combustíveis causam um enorme prejuízo à empresa, que vai além do valor do produto roubado. “São tipos de crime que causam enorme prejuízo à empresa, não só do combustível subtraído, mas o reparo desses dutos, esses dutos ficam parados, ou seja, há um enorme risco de desabastecimento, além dos crimes ambientais”, explicou o delegado, sublinhando a gravidade das ações criminosas.