A Guarda Revolucionária do Irã declara controle total sobre a rota marítima crucial para o petróleo, provocando forte reação de Donald Trump e disparada nos mercados globais.
A Guarda Revolucionária do Irã afirmou nesta quarta-feira que o Estreito de Ormuz, uma das mais importantes rotas de transporte de petróleo do mundo, está sob o “controle total” da Marinha da República Islâmica. A declaração ocorre em um momento de escalada de tensões na região, com implicações significativas para a economia global e o fluxo de energia.
A reivindicação iraniana surge após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ter declarado que seu país está preparado para agir caso o tráfego de navios petroleiros na passagem seja ameaçado. Essa postura americana sinaliza uma possível intervenção militar para garantir a navegação.
O impasse entre as duas nações tem gerado grande preocupação internacional, com os preços do petróleo disparando em meio ao temor de interrupções no fornecimento. As informações foram divulgadas pelo g1, destacando a gravidade da situação.
Irã reivindica controle e ameaça fechamento do Estreito
A Guarda Revolucionária do Irã reiterou sua posição de domínio sobre o Estreito de Ormuz, uma afirmação que se soma a ameaças anteriores de fechamento da via marítima. Na segunda-feira, o governo iraniano havia anunciado a possibilidade de fechar o estreito e atacar embarcações que tentassem atravessar a rota crucial.
Essa postura agressiva do Irã tem sido um fator de instabilidade em uma região já volátil. A declaração de controle total, embora contestada, adiciona uma camada de complexidade ao cenário geopolítico, afetando diretamente as rotas comerciais.
EUA respondem com prontidão militar e garantias de fluxo
Em contrapartida, o presidente dos EUA, Donald Trump, utilizou a rede Truth Social para afirmar que, “se necessário, a Marinha norte-americana poderá escoltar embarcações” que transportam petróleo pela região. Ele enfatizou que os Estados Unidos garantirão o “LIVRE FLUXO DE ENERGIA para o MUNDO”.
Além das declarações, o Exército dos EUA anunciou, nesta terça-feira, ter afundado 17 embarcações do Irã. As Forças Armadas americanas declararam que “não há nenhuma embarcação iraniana em operação no Golfo Árabe, no Estreito de Ormuz ou no Golfo de Omã”, uma afirmação que levanta sérias questões sobre a presença militar iraniana na área.
Apesar das ameaças iranianas, autoridades militares dos Estados Unidos afirmaram que a via marítima não está oficialmente bloqueada. Trump também determinou que a Corporação Financeira de Desenvolvimento dos Estados Unidos (DFC) ofereça seguro contra risco político e garantias financeiras para todo o comércio marítimo que transite pelo Golfo, com custos “muito razoáveis”.
O Estreito de Ormuz: Uma Rota Vital para o Petróleo Mundial
O Estreito de Ormuz é reconhecido globalmente como uma das rotas marítimas mais estratégicas do planeta. Ele conecta os grandes produtores do Golfo, como Arábia Saudita, Irã, Iraque e Emirados Árabes Unidos, ao Golfo de Omã e ao Mar Arábico, sendo um gargalo essencial para o transporte de energia.
Estima-se que cerca de um quinto de todo o petróleo consumido no mundo passe por essa estreita faixa de mar. Qualquer interrupção no tráfego na região pode reduzir drasticamente a oferta global e pressionar ainda mais os preços da commodity, com impactos diretos sobre combustíveis, transporte e a inflação em diversos países.
Impacto nos mercados: Preços do petróleo disparam
A escalada das tensões e das declarações teve um impacto imediato e significativo nos mercados internacionais. Os preços do petróleo dispararam nesta terça-feira, refletindo o temor de que o conflito no Oriente Médio se prolongue, que o Estreito de Ormuz seja efetivamente fechado ou que ataques atinjam instalações do setor de energia.
Durante a manhã, o barril do Brent para entrega em maio subia 8,43%, cotado a US$ 84,29. Mais tarde, às 15h, a alta desacelerou para 7,04%, com o preço em US$ 83,21. Já o petróleo americano West Texas Intermediate (WTI), com vencimento em abril, avançava 8,79%, negociado a US$ 77,49, demonstrando a sensibilidade do mercado às notícias da região.