Pesquisa ‘Viver nas Cidades – Mulheres 2026’ expõe a realidade do assédio em Porto Alegre e a discrepância na visão sobre tarefas do lar
Uma nova pesquisa revela dados preocupantes sobre a realidade das mulheres em Porto Alegre. A capital gaúcha se destaca negativamente em um cenário nacional, apresentando os maiores índices de assédio e, paradoxalmente, a menor percepção de desigualdade doméstica entre as cidades pesquisadas.
Os resultados acendem um alerta para a necessidade de ações mais eficazes no combate à violência e na promoção de uma sociedade mais equitativa, desafiando a forma como a cidade enxerga a questão de gênero.
As informações são do estudo “Viver nas Cidades – Mulheres 2026”, realizado pela Ipsos-Ipec e divulgado nesta quinta-feira, conforme informações divulgadas pelo G1.
Assédio em Porto Alegre: Cenário Alarmante em Espaços Públicos
Os dados, coletados com moradoras conectadas à internet, apontam que 82% das mulheres de Porto Alegre afirmam ter sido vítimas de assédio em pelo menos um dos seis ambientes analisados. Este patamar é o mais alto entre as dez capitais pesquisadas, superando inclusive a média nacional, que é de 71%.
Entre os locais onde o assédio mais acontece em Porto Alegre, os espaços públicos se destacam. Ruas, praças e parques concentram 66% das ocorrências relatadas pelas porto-alegrenses, um aumento notável em relação à edição anterior do estudo.
O transporte público aparece logo na sequência, sendo citado por 59% das mulheres da capital. Além disso, a proporção de assédio em bares e casas noturnas também cresceu, chegando a 49% das mulheres, conforme os dados mais recentes da pesquisa, indicando uma expansão do problema em diversos ambientes.
Percepção Distorcida da Desigualdade Doméstica
Apesar do cenário de violência e assédio fora de casa, a percepção sobre a divisão das tarefas domésticas dentro do lar parece menos evidente aos olhos dos moradores da cidade. A pesquisa indica que apenas 34% dos entrevistados em Porto Alegre dizem que as mulheres acabam realizando a maior parte das tarefas do dia a dia, como limpeza, preparo de refeições e organização da casa.
Este percentual é o menor entre todas as capitais incluídas no levantamento, o que sugere uma baixa percepção da desigualdade de gênero no ambiente doméstico na capital gaúcha. A pesquisa também mostra que a percepção continua dividida entre os gêneros: as mulheres tendem a reconhecer uma maior sobrecarga feminina, enquanto os homens apontam mais equilíbrio na divisão das tarefas.
Medidas Prioritárias para Combater a Violência Contra Mulheres
Quando questionados sobre quais ações devem ser priorizadas no combate à violência contra mulheres e familiar, os moradores de Porto Alegre colocam como principal medida o endurecimento das penas para agressores, com 60% das menções. Esta é uma demanda clara por justiça e rigor na aplicação da lei.
Na sequência das prioridades, aparecem a ampliação dos serviços de proteção às mulheres em todas as regiões da cidade, citada por 47% dos entrevistados, e a agilidade na investigação das denúncias, mencionada por 37%. Essas medidas são cruciais para garantir tanto a punição dos agressores quanto o suporte adequado às vítimas de violência de gênero na capital, buscando um futuro mais seguro e justo.