A transferência dos restos mortais da icônica Patrícia Galvão para uma campa de solo no Cemitério da Filosofia visa ampliar a visibilidade de seu legado cultural em Santos.
Pagu, a lendária musa do modernismo brasileiro, terá seus restos mortais transferidos para um novo túmulo em Santos, marcando um momento significativo para a preservação de sua memória. A iniciativa busca celebrar a vida e a obra de Patrícia Galvão, uma figura emblemática da cultura e da política nacional.
A cerimônia de translado está programada para ocorrer neste domingo, 8 de março, coincidindo com o Dia Internacional da Mulher. A escolha da data ressalta a importância de Pagu como uma das grandes vozes femininas de sua época, cuja influência transcende gerações.
O novo túmulo, projetado para oferecer maior visibilidade e acessibilidade, pretende se tornar um ponto de referência para admiradores e estudiosos de sua trajetória. As informações foram divulgadas pelo g1, detalhando os preparativos para essa homenagem póstuma.
Um Novo Lar para Pagu e Seu Legado
Os restos mortais de Patrícia Galvão, a Pagu, serão realocados de uma campa de gaveta para um túmulo de solo, construído em mármore. O novo espaço está estrategicamente posicionado próximo à entrada do Cemitério da Filosofia, em Santos, litoral de São Paulo. A mudança visa ampliar a visibilidade e, consequentemente, facilitar a visitação de todos que desejam prestar homenagens à escritora e militante.
Para enriquecer a experiência dos visitantes, o novo túmulo contará com fotografias e um QR code. Este último dará acesso a um site exclusivo, dedicado a explorar a vasta e impactante trajetória de Pagu. Um dos pontos altos será uma placa de acrílico gravada com uma de suas frases mais inspiradoras: “Sonhe, tenha até pesadelo se necessário for, mas sonhe”.
A cerimônia de translado, que incluirá os restos mortais de Pagu, será realizada neste domingo, 8 de março, às 14h30, e é aberta ao público. O evento contará com a presença de familiares da jornalista, autoridades da cidade e representantes do Centro de Estudos Pagu, da Universidade Santa Cecília (Unisanta), reforçando o reconhecimento à sua contribuição.
A Ideia por Trás da Homenagem
A iniciativa de transferir os restos mortais de Pagu para um local mais digno e visível surgiu da coordenadora dos cemitérios de Santos, Elen Miranda. Ela descobriu onde a jornalista estava sepultada logo após assumir o cargo em 2025. A ideia rapidamente ganhou apoio do Secretário de Prefeituras Regionais de Santos, Rivaldo Santos.
Elen Miranda compartilhou sua motivação para o projeto, afirmando ao g1: “Eu idealizei isso desde o momento que soube que ela estava sepultada em uma gaveta escondida”. Ela destacou a importância do gesto, enfatizando que “É uma justa homenagem por toda história da Pagu com nossa cidade e o Brasil”, sublinhando o valor de Pagu para o patrimônio cultural nacional.
Quem Foi Pagu, a Visionária
Nascida em São João da Boa Vista, no interior de São Paulo, em 9 de junho de 1910, Pagu, cujo nome de batismo era Patrícia Galvão, foi uma das figuras mais proeminentes do modernismo brasileiro. Ela se mudou para Santos em 1946, uma cidade que já conhecia desde as férias da adolescência e de outras passagens importantes, como sua prisão na Cadeia Velha em 1931.
Em Santos, Pagu deixou um legado cultural inegável. Ela atuou como jornalista para o jornal A Tribuna e foi uma das principais articuladoras do movimento para a criação do Teatro Municipal de Santos. Hoje, o centro de cultura que abriga o teatro leva seu nome, Patrícia Galvão, perpetuando sua memória e influência na cidade.
A Prefeitura de Santos descreve Pagu como uma “figura marcante do modernismo e do Movimento Antropofágico, conhecida por sua atuação cultural e visão crítica e inovadora”. A administração municipal acrescenta que sua “vida intensa e engajada refletiu a busca por transformação social e cultural, mantendo relevância até hoje”, evidenciando a atualidade de seu pensamento.
Pagu faleceu em 1962, aos 52 anos, vítima de câncer, na mesma cidade de Santos. Seu velório foi realizado na casa onde vivia, localizada no Canal 3, antes de seu sepultamento inicial.
O Companheiro de Uma Vida Inteira
A homenagem a Pagu será estendida também ao seu marido, o jornalista Geraldo Ferraz. Os restos mortais de Geraldo, que foi colocado na mesma campa de gaveta da esposa em 1979, também serão transferidos para o novo túmulo, mantendo o casal unido em seu descanso final.
A Câmara Municipal de Santos concedeu a honraria da perpetuação da campa de gaveta um ano após a morte de Pagu. Essa permissão se estenderá ao novo túmulo de solo, garantindo à família o direito de incluir os restos mortais de pais, marido, irmãos, filhos e netos no mesmo local, reforçando os laços familiares e históricos.
A coordenadora Elen Miranda confirmou ao g1 os detalhes da transferência, afirmando: “Ele também irá para a nova campa. Ela já está exumada, mas ele será exumado e serão transferidos”. Este gesto simboliza a continuidade da união do casal, mesmo após a morte, em um memorial que celebra suas vidas e contribuições.