Ação do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado desarticula quadrilha especializada na adulteração e revenda de carros Finan e motocicletas furtadas, impactando Uberlândia e Monte Carmelo.
Uma grande operação deflagrada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado, o Gaeco, resultou na prisão de mais de 20 pessoas em Uberlândia e região nesta terça-feira. A ação mira um sofisticado esquema de adulteração e revenda de veículos, com destaque para os chamados “carros Finan”.
A investigação revelou como a organização criminosa operava, utilizando dados de laranjas para financiar veículos que nunca seriam pagos, além de furtar e clonar motos. Os criminosos forjavam documentos e anunciavam os bens por preços muito abaixo do mercado.
A Operação Titan, como foi denominada, teve sua base operacional em Monte Carmelo, mas atuava com uma vasta rede de subtração de veículos em Uberlândia, conforme informações divulgadas pelo G1.
Entenda o Esquema dos Carros Finan e Motos Adulteradas
A quadrilha utilizava um método conhecido como “carros Finan”, ou carros NP (não pagos), que consiste em financiar automóveis em nome de terceiros, os “laranjas”. Assim que saíam da concessionária, esses veículos eram anunciados e revendidos rapidamente, antes que os bancos pudessem solicitar a busca e apreensão.
A Polícia Rodoviária Federal, a PRF, explica que o financiamento jamais era quitado, fazendo com que o veículo circulasse ilegalmente e fosse comercializado por um valor muito abaixo do preço de mercado. Essa prática configura um crime grave, lesando tanto instituições financeiras quanto compradores desavisados.
Além dos automóveis, motocicletas furtadas também faziam parte do esquema. Elas tinham seus sinais identificadores adulterados e eram vendidas como se tivessem sido arrematadas em leilões do Departamento de Trânsito de Minas Gerais, o Detran-MG, com documentação completamente forjada.
Detalhes da Operação Titan e Crimes Identificados
A Operação Titan, realizada nesta terça-feira, contou com a participação de cerca de 30 policiais militares e integrantes do Gaeco. A força-tarefa não apenas prendeu os investigados, mas também uma testemunha que possuía um mandado de prisão em aberto.
O Ministério Público de Minas Gerais, o MPMG, informou que entre maio de 2023 e junho de 2025, os investigadores identificaram um número alarmante de crimes. Foram pelo menos 43 crimes de receptação qualificada, 43 adulterações de sinais identificadores e 32 notas falsas de arrematação emitidas pelo grupo.
Durante a ação, diversos itens foram apreendidos, o que auxiliará no aprofundamento das investigações. Foram encontrados celulares, uma arma de fogo, munições, dinheiro em espécie, drogas e vários veículos furtados, incluindo uma motocicleta. Todo o material será analisado pelo Gaeco.
O Impacto da Ação Contra o Crime Organizado
A desarticulação dessa organização criminosa representa um golpe significativo contra o mercado ilegal de veículos em Minas Gerais. A atuação do Gaeco demonstra a importância da força-tarefa no combate a esquemas complexos que exploram brechas e enganam a população.
A venda de carros Finan e motos adulteradas não só fomenta o crime de furto e roubo, mas também coloca em risco os compradores, que podem adquirir um bem com procedência ilegal e sofrer as consequências jurídicas. A conscientização é crucial para evitar cair em golpes.
A Operação Titan reforça o compromisso das autoridades em garantir a segurança pública e coibir atividades ilícitas. As investigações continuarão para identificar outros possíveis envolvidos e garantir que todos os responsáveis sejam devidamente processados.