Comando militar iraniano exige preparação global para o preço do barril de petróleo atingir patamares históricos, enquanto conflito se intensifica e rotas marítimas vitais são ameaçadas na região.
O comando militar do Irã fez um alerta grave nesta quarta-feira, instruindo o mundo a se preparar para a possibilidade de o preço do petróleo atingir a marca de US$ 200 por barril. A declaração surge após novos ataques a navios mercantes no Golfo Pérsico, intensificando a já tensa situação na região.
A escalada do conflito no Oriente Médio, com o Irã lançando ataques contra Israel e outros alvos, demonstra a capacidade do país de reagir e impactar o fornecimento global de energia. Apesar das declarações do presidente dos EUA, Donald Trump, sobre um possível fim da guerra, a instabilidade persiste.
A segurança do Estreito de Ormuz, por onde transita cerca de 20% do petróleo mundial, permanece comprometida, configurando a pior interrupção no fornecimento de energia desde as crises da década de 1970, conforme informação divulgada pela Reuters no G1.
Ameaça Iraniana e a Volatilidade do Petróleo
O porta-voz do comando militar iraniano, Ebrahim Zolfaqari, foi enfático em sua mensagem aos Estados Unidos. Ele declarou, “Preparem-se para o petróleo chegar a US$ 200 por barril, porque o preço depende da segurança regional que vocês desestabilizaram”. Este aviso direto ressalta a ligação entre a segurança e o custo energético.
Após ataques a escritórios de um banco em Teerã, Zolfaqari também alertou que o Irã retaliaria com ataques a instituições financeiras que mantêm negócios com os Estados Unidos ou Israel. Ele recomendou que a população do Oriente Médio se afastasse desses bancos, elevando a preocupação com a estabilidade financeira.
Os preços do petróleo, que haviam disparado para perto de US$ 120 por barril no início da semana, recuaram para cerca de US$ 90. Essa oscilação reflete a aposta dos investidores na capacidade de Trump de encerrar rapidamente o conflito e restabelecer a segurança nas rotas de navegação.
Escalada do Conflito e Impacto Regional
Apesar das expectativas de uma trégua, até agora não houve sinais de que os navios possam voltar a navegar com segurança pelo Estreito de Ormuz. A interrupção no fornecimento de energia é a mais grave desde as crises do petróleo da década de 1970, afetando diretamente a economia global e a segurança energética.
O Irã informou na terça-feira o lançamento de mísseis contra uma base dos EUA no norte do Iraque, o quartel-general naval norte-americano no Bahrein e alvos no centro de Israel. Essas ações demonstram a capacidade iraniana de atingir diversos pontos estratégicos, mantendo a região em alerta máximo.
Explosões foram ouvidas no Bahrein, e em Dubai, quatro pessoas ficaram feridas após a queda de dois drones perto do aeroporto. O Departamento de Aviação Civil do Bahrein chegou a deslocar aeronaves para outros aeroportos, buscando garantir a continuidade e a eficiência das operações aéreas em meio à crise.
Moradores de Teerã relataram estar se acostumando aos ataques aéreos noturnos, que levaram centenas de milhares de pessoas a deixar a cidade. Um residente, Farshid, de 52 anos, disse à Reuters por telefone: “Houve bombardeios ontem à noite, mas não fiquei tão assustado como antes. A vida continua”.
Reações Internacionais e o Futuro da Guerra
Uma autoridade israelense de alto escalão admitiu à Reuters que os líderes do país reconhecem, em privado, a possibilidade de o governo iraniano sobreviver à guerra. Outras duas autoridades indicaram que Washington não está perto de encerrar a ofensiva, sugerindo um conflito prolongado.
O ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, declarou nesta quarta-feira que a operação “continuará sem limite de tempo, pelo tempo que for necessário, até atingirmos todos os objetivos e vencermos a campanha”. Essa postura indica a determinação de Israel em prosseguir com seus objetivos.
A Agência Internacional de Energia (IEA) propôs uma grande liberação de reservas de petróleo para tentar estabilizar os mercados. Essa medida emergencial visa mitigar os efeitos da interrupção do fornecimento e da alta dos preços, caso a situação no Oriente Médio continue a se deteriorar.
Consequências Humanitárias e Econômicas
A guerra tem um custo humano elevado. Mais de 1.300 civis iranianos morreram desde o início dos ataques aéreos dos EUA e de Israel, em 28 de fevereiro, segundo o embaixador do Irã na ONU, Amir Saeid Iravani. Também há registros de mortes em ataques israelenses no Líbano.
Os ataques iranianos contra Israel resultaram na morte de pelo menos 11 pessoas, e dois soldados israelenses morreram no Líbano. Washington afirma que sete militares norte-americanos morreram e cerca de 140 ficaram feridos, evidenciando o alto preço pago por todas as partes envolvidas.
Quanto mais a guerra durar, maior tende a ser o impacto sobre a economia global. Se o conflito terminar com a permanência do governo clerical no poder, Teerã deverá declarar vitória, o que pode ter implicações significativas para a geopolítica e a estabilidade regional a longo prazo.