Descoberta Urgente: Como 56% dos Casos de Alzheimer na América Latina Podem Ser Evitados com Estratégias Simples de Prevenção e Estilo de Vida

Políticas públicas eficazes e mudanças no dia a dia são a chave para retardar o declínio cognitivo, reduzindo drasticamente o avanço do Alzheimer na América Latina.

A luta contra o Alzheimer ganha um novo e promissor capítulo, com dados alarmantes, mas também esperançosos, vindos da América Latina. Uma recente análise revela que mais da metade dos casos da doença neurodegenerativa na região poderiam ser prevenidos ou ter seu início postergado.

Este cenário aponta para uma grande oportunidade de intervenção, focando em políticas públicas robustas e em transformações significativas nos hábitos cotidianos da população. A chave está em ações que visam a saúde cerebral desde cedo, impactando diretamente a qualidade de vida na velhice.

Essas informações foram debatidas em um painel da Associação Internacional de Alzheimer, no Uruguai, e divulgadas pelo G1, destacando a urgência e a viabilidade de abordagens preventivas para o declínio cognitivo.

A Realidade da Prevenção na América Latina

Enquanto a média global aponta que 45% dos casos de Alzheimer poderiam ser evitados, na América Latina esse percentual sobe para impressionantes 56%. Este dado, apresentado pela pesquisadora argentina Lucía Crivelli, da Fundação para a Luta contra as Enfermidades Neurológicas da Infância (FLENI), ressalta uma particularidade regional.

A principal razão para essa diferença reside no foco ainda insuficiente em prevenção, segundo Crivelli. Nosso estilo de vida desempenha um papel crucial, com hábitos que podem tanto proteger quanto acelerar o declínio cognitivo.

A pesquisadora enfatiza que iniciativas como praticar atividade física regularmente, não fumar, controlar o peso, o colesterol, o nível de açúcar no sangue e o consumo de álcool deveriam ser pilares de todos os programas de saúde pública.

Fatores de Risco e Proteção: O Que Diz a Ciência

Além dos hábitos já mencionados, Lucía Crivelli enumerou outros fatores de proteção importantes para combater o Alzheimer na América Latina. Entre eles estão a escolaridade, a redução da poluição, a prevenção da depressão, de traumatismos cranianos e da perda de audição e visão.

O estímulo a conexões sociais que sirvam de apoio às pessoas também é um fator protetor fundamental. Embora a América Latina não seja um bloco homogêneo, a consolidação dos dados mostra o impacto significativo dessas ações preventivas.

Investir em escolaridade na infância, juventude e início da vida adulta pode diminuir o risco de Alzheimer em 11%. A partir da meia-idade, o controle da hipertensão reduz esse risco em 9%, enquanto o controle da obesidade responde por 8%.

Evitar a perda de audição pode diminuir o risco em 8%, tratar a depressão em 7%, deixar de fumar em 6%, combater o sedentarismo em 5% e controlar o diabetes em 3%.

As variações entre países são notáveis. No México, por exemplo, o foco principal deveria ser na hipertensão, obesidade, depressão e isolamento. No Brasil, os esforços devem se concentrar na escolaridade, hipertensão, perda auditiva e obesidade.

Atualmente, estima-se que existam cerca de 2 milhões de pessoas com algum tipo de demência no Brasil, e o total na América Latina atinge 10 milhões. Projeções indicam que esses números podem triplicar até 2050, tornando a prevenção ainda mais urgente.

O Modelo FINGER: Uma Esperança Comprovada

Há uma saída para esse cenário, e a prova vem do estudo FINGER (Finnish Geriatric Intervention Study to Prevent Cognitive Impairment and Disability). Publicado em 2015 pela médica Miia Kivipelto, professora de geriatria clínica do Instituto Karolinska, na Suécia, foi o primeiro grande estudo clínico a demonstrar a eficácia de uma intervenção multidomínio.

Isso significa que atuar em várias frentes ao mesmo tempo pode, de fato, prevenir ou retardar o declínio cognitivo em idosos com risco de demência. O sucesso do FINGER oferece um modelo robusto para a prevenção do Alzheimer na América Latina e no mundo.

Para monitorar e melhorar a saúde dos participantes, o estudo FINGER foca em cinco pilares simultâneos para a saúde cognitiva.

O primeiro é a Nutrição, com uma dieta baseada no padrão mediterrâneo ou nórdico, rica em vegetais, frutas, grãos integrais, peixes e o uso de óleo de canola ou oliva. Adaptações são feitas para cada país, como a substituição do azeite por abacate no México ou a ausência de peixe na dieta da Bolívia.

Em seguida, o Exercício Físico, com um programa que combina treinamento de força, exercícios aeróbicos e treinos de equilíbrio, essenciais para a manutenção da capacidade motora e cerebral. O Treinamento Cognitivo é outro pilar, com exercícios específicos para estimular a memória, a velocidade de processamento de informações e as funções executivas.

O quarto pilar é o Monitoramento Metabólico e Vascular, que inclui um controle rigoroso da pressão arterial, dos níveis de glicose (diabetes), colesterol e do índice de massa corporal (IMC), fatores cruciais para a saúde cerebral. Por fim, a Atividade Social, um componente vital que combate o isolamento e estimula as conexões interpessoais.

A Adaptação do FINGER para a Região

Na Finlândia, os participantes do grupo de intervenção do estudo FINGER tiveram uma melhora de 25% na pontuação cognitiva global. Devido ao seu sucesso inegável, o modelo foi expandido globalmente, criando a rede World-Wide FINGERS.

Essa rede adapta a metodologia para diferentes culturas e países, garantindo que as intervenções sejam eficazes e acessíveis localmente. No contexto latino-americano, diversos países já integram o projeto LatAm-FINGERS.

Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Colômbia, Costa Rica, República Dominicana, Equador, México, Peru e Uruguai são parte dessa iniciativa, demonstrando um compromisso crescente com a prevenção do declínio cognitivo e do Alzheimer na América Latina.

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