Presidente dos EUA reitera ofensiva contra Teerã, ameaça novos ataques ‘por diversão’ e propõe escolta naval no estratégico Estreito de Ormuz para aliviar a crise do petróleo.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou que as condições para um acordo com o Irã ainda não são suficientemente boas, mesmo com Teerã, segundo ele, buscando sentar-se para negociar. A afirmação vem em um momento de escalada do conflito, que já dura mais de duas semanas e tem gerado graves consequências humanitárias e econômicas.
Washington, por sua vez, mantém sua postura ofensiva, com Trump sugerindo a possibilidade de intensificar os ataques e até mesmo bombardear alvos iranianos “apenas por diversão”. A tensão se eleva, enquanto a comunidade internacional observa com preocupação os desdobramentos desta guerra, que afeta diretamente o fluxo global de petróleo.
As informações foram divulgadas pela agência France Presse, conforme reportagem do G1, destacando a complexidade e a imprevisibilidade do cenário atual.
A Retórica de Guerra e as Ameaças de Trump
Em entrevista à NBC News, Donald Trump foi categórico ao afirmar que o Irã quer chegar a um acordo, mas ele não tem interesse em fazê-lo agora. “O Irã quer chegar a um acordo, e eu não quero fazê-lo porque as condições ainda não são suficientemente boas”, disse o presidente americano, reforçando a postura rígida de sua administração.
Trump também elevou o tom das ameaças, afirmando que poderia bombardear novamente alvos no principal centro de exportação de petróleo bruto do Irã, localizado na ilha de Kharg, “apenas por diversão”. O Pentágono, por sua vez, afirma que mais de 15 mil alvos já foram atingidos no país, evidenciando a intensidade da ofensiva militar.
Apesar de mais de duas semanas de guerra envolvendo Estados Unidos e Israel contra a república islâmica, nenhuma das partes moderou sua retórica. Isso ocorre mesmo diante das crescentes baixas, principalmente no Irã, e das significativas consequências econômicas que o conflito bélico tem gerado para a região e para o mundo.
O Bloqueio de Ormuz e as Consequências Econômicas
O presidente americano indicou que as forças americanas intensificarão os ataques na costa iraniana, ao norte do Estreito de Ormuz. O objetivo é abrir caminho e permitir a retomada do transporte de petróleo, que foi severamente afetado pelo bloqueio iraniano.
O Estreito de Ormuz, por onde costumava passar um quinto da produção mundial de hidrocarbonetos, é um ponto estratégico vital. Seu bloqueio disparou o preço do petróleo globalmente, gerando instabilidade nos mercados e preocupação entre as nações dependentes do recurso.
O novo líder supremo do Irã, o aiatolá Mojtaba Khamenei, prometeu em uma declaração por escrito manter Ormuz fechado, apesar de ainda não ter sido visto em público. Trump, no entanto, colocou em dúvida a liderança de Khamenei, declarando: “Não sei se ele está vivo”, uma fala que adiciona mais incerteza ao cenário político iraniano.
Escalada Militar e o Cenário Humanitário
O Exército israelense anunciou uma nova onda de ataques contra alvos no oeste do Irã, após a Guarda Revolucionária iraniana ter qualificado o primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu, de criminoso e jurado persegui-lo e matá-lo. Em resposta, o Exército iraniano afirmou ter lançado ataques com drones contra uma importante unidade policial e um centro de comunicações por satélite em Israel.
A guerra começou em 28 de fevereiro, após ataques dos Estados Unidos e de Israel terem tirado a vida do antigo líder supremo, Ali Khamenei, pai de Mojtaba. Pela primeira vez desde o início do conflito, Teerã viveu um dia útil relativamente normal, com trânsito mais intenso e alguns estabelecimentos abertos, indicando uma tentativa de retorno à normalidade.
Contudo, a situação humanitária é alarmante. Mais de 1.200 pessoas morreram em consequência dos ataques dos Estados Unidos e de Israel, segundo números do Ministério da Saúde iraniano, que não puderam ser verificados de forma independente. A agência da ONU para os refugiados afirma que até 3,2 milhões de pessoas foram deslocadas no Irã, um número que ressalta a gravidade da crise.
A Reação Internacional e o Futuro Incerto
Diante da crise no transporte de petróleo, Trump propôs uma operação naval internacional para escoltar petroleiros através do Estreito de Ormuz. “Com sorte, China, França, Japão, Coreia do Sul, Reino Unido e outros que são afetados por essa restrição artificial enviarão navios para a região”, afirmou Trump nas redes sociais, buscando apoio para a iniciativa.
No entanto, muitos países parecem hesitantes. O Ministério da Defesa do Reino Unido disse que está “analisando” a questão, assim como a Coreia do Sul e o Japão, que não se manifestaram de forma clara. O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, pediu aos demais países que evitem qualquer ação que possa ampliar a guerra, em uma conversa com seu homólogo francês, Jean-Noël Barrot.
Ainda na noite de sábado, autoridades de Dubai informaram novas interceptações pela defesa aérea. Bahrein e Arábia Saudita também afirmaram ter interceptado novos projéteis, evidenciando a instabilidade aérea na região. A incerteza sobre um possível acordo com o Irã e a escalada militar mantêm o mundo em alerta máximo.