A cidade de Santarém, no Pará, se prepara para receber o Festival Mvúka Tapajós, um evento que promete movimentar o cenário cultural da região neste fim de semana. Com uma programação diversa e rica, o festival destaca a importância da cultura afroamazônida, promovendo encontros e valorizando saberes ancestrais.
O objetivo principal é fortalecer identidades, celebrar a arte e reafirmar a presença política da comunidade negra por meio de diversas manifestações culturais. Este festival é um espaço vital para o pertencimento coletivo e a visibilidade de expressões artísticas.
Desde oficinas formativas até apresentações musicais e uma feira criativa e gastronômica, o público terá acesso a uma experiência imersiva na cultura negra da Amazônia. As informações foram divulgadas pelo g1.
Ressignificando a ‘Muvuca’ e Celebrando a Ancestralidade
O nome “Mvúka” tem origem bantu, da língua kikongo, e remete à ideia de aglomeração em contextos de festa, celebração e encontro coletivo. No Brasil, o termo foi assimilado como “muvuca”, frequentemente associado de forma pejorativa, mas o festival propõe uma importante ressignificação.
A iniciativa busca reafirmar os ajuntamentos negros como legítimos espaços de produção cultural, sociabilidade e resistência. É um movimento de retomada simbólica e política, mostrando que aquilo que já foi marginalizado é, na verdade, uma potente expressão de identidade e cultura.
Andressa Sousa, coordenadora do festival, enfatiza a conexão com o território. “No contexto da amazônia, a mvúka se torna também um gesto de reconexão com o território, reunindo corpos, ritmos, saberes e experiências afroamazônidas, além de ser um convite para reocupar os espaços com arte, memória e negritude, entendendo que celebrar também é resistir e resistir também é festeja”, destacou.
Programação Diversificada: Oficinas e Rodas de Batuque
As atividades do festival começam no sábado, dia 28, com uma série de oficinas gratuitas. Os interessados podem se inscrever para aprender a dança de carimbó com Alice Matos, do Batuque Santareno, ou participar da oficina de samba de roda com Amanda Silvino, ambas realizadas na Ufopa, Campus Rondon.
Para os amantes da percussão, Amaury Gonçalves e Maurício Sousa, também do Batuque Santareno, conduzirão uma oficina de percussão para o carimbó no Porão Centro Cultural. As vagas são limitadas, e é possível participar de mais de uma atividade.
O ponto alto do sábado será a Roda de Batuque, a partir das 19h30, no Porão Centro Cultural. Este evento de culminância das oficinas contará com a apresentação do coletivo Batuque Santareno, celebrando a riqueza dos ritmos afro-brasileiros.
Feira Criativa e Gastronomia Afroamazônida no Domingo
No domingo, dia 29, a celebração continua no Quintal Sapucaia, das 11h30 às 18h. O público poderá desfrutar de uma vibrante Feira Criativa e Gastronômica, resultado de uma parceria com a Kitanda Preta.
A feira reunirá cerca de 10 empreendedoras locais, oferecendo uma variedade de comidas, produtos autorais e itens de economia criativa com a essência afroamazônida. É uma oportunidade única para apoiar o empreendedorismo e a cultura local.
Além das delícias e produtos, o domingo será animado por diversas apresentações culturais. A programação musical inclui Sambatque às 13h e Caldo de Piranha às 16h, com o encerramento previsto para as 18h, preenchendo o dia com samba, brega e outros ritmos marcantes da Amazônia.
Um Evento de Mulheres e Afirmação Política
A equipe organizadora do Festival Mvúka Tapajós é majoritariamente composta por pessoas negras e racializadas, com forte protagonismo feminino. Esta característica é fundamental, pois o festival também confronta processos históricos de criminalização de formas de encontro e celebração da comunidade negra.
Práticas como o batuque, a festa e o ajuntamento, que foram por muito tempo marginalizadas, são agora ressignificadas e afirmadas como expressões legítimas de cultura, identidade e potência coletiva. O festival, aprovado pela Lei Aldir Blanc, na categoria de festivais, reforça o compromisso com a valorização da cultura negra em todas as suas manifestações.