Investigação revela esquema de fraude no Aprova Paraná com uso de celulares e fiscal suspeita
Um escândalo de fraude abala o programa Aprova Paraná Universidades, após uma investigação da Polícia Civil do Paraná revelar que cinco estudantes aprovados no concorrido curso de Medicina estavam na mesma sala de aula, em um colégio localizado em uma cidade com apenas 15 mil habitantes. Os alunos conseguiram vagas em instituições de prestígio como a Universidade Estadual de Maringá (UEM), a Universidade Estadual de Londrina (UEL) e a Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG).
A apuração teve início a partir de uma denúncia da Secretaria de Educação, responsável pelo programa, que levantou suspeitas sobre os resultados. A descoberta choca a comunidade acadêmica e levanta preocupações sobre a integridade dos processos seletivos públicos no estado.
A investigação detalha como a fraude no Aprova Paraná teria ocorrido, envolvendo o uso indevido de tecnologia e a possível cumplicidade de um membro da equipe de aplicação da prova, conforme informações divulgadas pelo g1.
A Descoberta da Fraude e o Papel dos Celulares
A delegada Taís de Melo, em entrevista à RPC, afiliada da TV Globo no Paraná, confirmou que os próprios alunos confessaram ter utilizado celulares durante a realização da Prova Paraná Mais. Este acesso indevido a dispositivos móveis teria sido crucial para que eles obtivessem as respostas corretas e, consequentemente, as aprovações.
“Estes alunos já foram ouvidos e eles relataram que utilizaram o celular na hora da prova. A princípio, partiu deles, essa conduta. Mas tudo isso ainda está sendo apurado”, afirmou a delegada Taís de Melo, destacando a gravidade da situação e a necessidade de aprofundar as investigações.
Além dos estudantes, a fiscal responsável pela aplicação do exame na sala onde a fraude no Aprova Paraná ocorreu também está sob investigação. Ela, que não possui vínculo direto com a Secretaria de Educação, é suspeita de ter “facilitação ou omissão” durante a prova, de acordo com a polícia, o que teria permitido o esquema fraudulento.
Mandados de Busca e Ações Legais
Em uma ação coordenada na quarta-feira, dia 25, sete mandados de busca e apreensão foram cumpridos em diversas cidades do Paraná. As diligências ocorreram em Londrina e Maringá, no norte do estado, e também em Tapejara e Ponta Grossa, na região dos Campos Gerais, buscando coletar mais evidências sobre a fraude no Aprova Paraná.
Dos sete estudantes envolvidos, apenas um deles é maior de 18 anos. Se o esquema for plenamente confirmado, este aluno e a fiscal poderão responder por crimes como fraude a certames de interesse público e corrupção de menores. Os adolescentes, por sua vez, podem ser responsabilizados por ato infracional análogo à fraude em exames públicos, com as devidas sanções previstas em lei.
Universidades Reagem à Fraude
As universidades estaduais mencionadas na investigação prontamente se manifestaram, garantindo total colaboração com as autoridades. A UEPG informou ao g1 que está auxiliando nas investigações e que “medidas cabíveis serão tomadas caso se comprove qualquer irregularidade”, reafirmando o compromisso com a segurança do processo seletivo.
A UEL, por meio de comunicado à RPC, declarou que aguarda o desfecho da investigação policial para tomar as medidas judiciais necessárias. A instituição reforçou que, se confirmadas as irregularidades envolvendo estudantes matriculados, ocorrerá a anulação das matrículas, conforme a legislação vigente, para manter a lisura do ingresso.
A UEM também se pronunciou ao g1, acompanhando o cumprimento dos mandados e colaborando integralmente com a Secretaria de Educação e a Polícia Civil. A universidade se comprometeu a adotar “medidas administrativas e legais pertinentes ao caso” à medida que o processo avançar, visando garantir a transparência e a justiça.
Entenda o Programa Aprova Paraná Universidades
O Aprova Paraná Universidades foi instituído em 2024 pelo Governo do Paraná, com a primeira edição da prova aplicada em 2025. O programa tem como objetivo principal reservar 20% das vagas em sete universidades estaduais do estado para alunos egressos da rede pública de ensino, promovendo a inclusão e o acesso ao ensino superior de qualidade.
A seleção dos estudantes para este programa é feita através da nota obtida na Prova Paraná Mais, um exame que foi aplicado em novembro de 2025, de forma impressa, nas escolas da rede estadual. A avaliação abrange uma ampla gama de componentes curriculares, incluindo Língua Portuguesa, Matemática, Literatura, Artes, Educação Física, Língua Inglesa, Redação, Geografia, História, Sociologia, Filosofia, Biologia, Física e Química.
Após a divulgação das notas da Prova Paraná Mais, os alunos com médias dentro das notas de corte têm a oportunidade de selecionar os cursos e universidades de seu interesse. As instituições participantes são a Universidade Estadual do Paraná (Unespar), a UEM, a UEL, a Universidade Estadual do Norte do Paraná (UENP), a Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste), a Universidade Estadual do Centro-Oeste do Paraná (Unicentro) e a UEPG.
A classificação final dos alunos aprovados nesta primeira edição do programa foi divulgada em janeiro deste ano. É importante ressaltar que a participação no Aprova Paraná não impede que os estudantes da rede pública busquem outras formas de ingresso, como os vestibulares tradicionais das instituições ou o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem).