Cenário geopolítico no Oriente Médio e declarações de Donald Trump movimentam mercados, impactando o preço do dólar e os valores do petróleo no cenário internacional.
O mercado financeiro global iniciou a quinta-feira (2) com os investidores atentos aos desdobramentos da guerra no Irã e às recentes declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre a possibilidade de um fim iminente para o conflito. Essa atenção se reflete diretamente na cotação do dólar e no desempenho das bolsas de valores.
Na véspera, o dólar já havia registrado um recuo de 0,43%, sendo cotado a R$ 5,1566, enquanto o Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, avançou 0,26%, atingindo 187.953 pontos. As expectativas sobre o Oriente Médio continuam sendo o principal vetor de movimento para esses ativos.
As falas de lideranças políticas e a dinâmica do conflito no Irã são cruciais para entender as flutuações. Acompanhe a seguir os detalhes do dia no mercado, conforme informações divulgadas pelo g1.
Trump sinaliza desfecho para a guerra no Irã e acalma mercados de petróleo
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, indicou que a participação americana na guerra no Irã pode estar se aproximando do fim. Ele afirmou que o conflito poderia terminar em duas a três semanas, mesmo sem um acordo formal com Teerã, e que os EUA deixariam o território persa “muito em breve”.
Essas declarações, feitas na terça-feira (31), sugerem que Teerã não precisaria necessariamente assinar um acordo formal para que os ataques fossem interrompidos. Segundo uma reportagem do “The Wall Street Journal” de segunda-feira (30), citando fontes do governo americano, Trump estaria disposto a encerrar a guerra mesmo que o Estreito de Ormuz continuasse fechado.
A estratégia em discussão pelo governo americano seria focar ataques em alvos militares considerados centrais, como a marinha iraniana e sua capacidade de lançamento de mísseis. Após essa fase, os ataques seriam reduzidos, visando pressionar o Irã a reabrir o Estreito de Ormuz. Com a possibilidade de redução dos conflitos, os preços do petróleo recuaram no mercado internacional, com os contratos do barril do Brent para junho caindo 2,90%, a US$ 100,95, por volta das 17h (horário de Brasília).
Trump também criticou aliados dos EUA, afirmando que outros países deveriam “buscar seu próprio petróleo” e reclamou da falta de maior envolvimento desses governos no esforço militar. Ele ameaçou reduzir o apoio militar a aliados europeus, como o Reino Unido, sugerindo que poderiam ter de lidar sozinhos com confrontos no Estreito de Ormuz.
Os efeitos do conflito já são sentidos, por exemplo, nos EUA, onde o preço médio da gasolina ultrapassou US$ 4 por galão na terça-feira, o nível mais alto desde 2022. O aumento dos combustíveis pode adicionar pressão à economia americana em um ano eleitoral para o Congresso.
Impacto da guerra no Irã na economia brasileira e medidas governamentais
No Brasil, o cenário da guerra no Irã também está no radar das autoridades. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que o governo fará esforços para evitar uma alta no preço do diesel, combustível que tem impacto direto no custo dos alimentos. Ele ressaltou que o conflito no Irã não pode prejudicar os brasileiros.
Entre as medidas anunciadas, o governo federal e os estados planejam uma subvenção a importadores de diesel. O incentivo será de R$ 1,20 por litro, sendo metade bancada pela União e metade pelos estados, buscando mitigar o impacto dos preços internacionais sobre o consumidor final.
O dólar, por sua vez, mostra um acumulado semanal de queda de 1,62%, e no mês recuou 0,43%. No ano, a moeda americana registra uma desvalorização de 6,05%. Já o Ibovespa, apesar das incertezas, acumulou alta de 3,52% na semana, 0,26% no mês e impressionantes 16,65% no ano, demonstrando resiliência diante do cenário.
Bolsas globais e a cotação do dólar reagem ao cenário geopolítico
Em Wall Street, os principais índices fecharam em alta, com o Dow Jones subindo 0,48%, o S&P 500 avançando 0,69% e o Nasdaq registrando ganhos de 1,16%. Na Europa, as bolsas também fecharam com ganhos generalizados. O índice pan-europeu Stoxx 600 subiu 2,41%, enquanto o FTSE 100 de Londres avançou 1,85%, o DAX de Frankfurt teve alta de 2,73% e o CAC 40 de Paris ganhou 2,10%.
Os mercados asiáticos também seguiram a tendência de alta. Em Hong Kong, o Hang Seng avançou 2,2%, e o índice composto de Xangai terminou o dia com alta de 1,5%. Já o Nikkei de Tóquio subiu expressivos 5,2%, conforme informações da agência de notícias Reuters. A expectativa dos investidores permanece focada nas próximas declarações e nos desdobramentos da guerra no Irã, que continuam a pautar as movimentações dos mercados globais e a cotação do dólar.