Delegado revela que homem que matou amiga da filha a facadas a via como ‘propriedade dele’ em feminicídio chocante em Pontal, SP

Cleomar Borges Gomes foi preso e confessou o crime, mas justificativas não convencem a polícia, que aponta ciúmes e controle como motivação principal.

O caso que chocou a cidade de Pontal, no interior de São Paulo, ganha novos contornos com a revelação de que o homem que matou a amiga da filha, Cleomar Borges Gomes, via a vítima Geniane Pereira, de 20 anos, como sua “propriedade”. A declaração, feita pelo delegado responsável pelo caso, Messias Santos, aponta para um cenário de possessividade e controle que culminou no brutal feminicídio.

Cleomar, de 57 anos, confessou ter esfaqueado Geniane pelo menos nove vezes, mas suas tentativas de justificar o crime, alegando que a jovem o ofendia ou levava rapazes para casa, foram rebatidas pela investigação. A polícia considera essas alegações infundadas e uma tentativa de desviar o foco da verdadeira motivação, que seria o ciúme e a não correspondência de seus sentimentos.

A prisão de Cleomar aconteceu em Ribeirão Preto, cinco dias após o crime, e ele agora está sob prisão temporária. As informações detalhadas, incluindo depoimentos e áudios do suspeito, foram divulgadas pelo g1, trazendo à tona a complexidade e a premeditação do assassinato.

A visão distorcida do agressor e o controle familiar

O delegado Messias Santos enfatizou que relatos de testemunhas, colhidos logo após a morte de Geniane, já indicavam as investidas de Cleomar. “A primeira testemunha ouvida, momentos após o crime, também relatou essas investidas dele”, afirmou o delegado, reforçando a tese de que o agressor nutria uma obsessão pela jovem.

A própria filha de Cleomar, que era amiga de Geniane e morava com a vítima na casa do pai, descreveu-o em depoimento à Polícia Civil como “muito controlador”. Ela revelou que o pai tentava controlar tanto sua vida quanto a de Geniane, demonstrando um comportamento autoritário e possessivo que culminou na tragédia.

A filha também relatou um episódio em que Geniane comentou que Cleomar havia “apalpado os seios dela”, disfarçando o ato como uma brincadeira. Essa situação, somada às segundas intenções que Cleomar passou a demonstrar, mostrava o ambiente de assédio e desconforto que a vítima enfrentava.

A escalada do ciúme e a premeditação do feminicídio

Geniane Pereira havia se mudado para Pontal apenas duas semanas antes do crime, em 10 de abril, vinda de Turmalina, Minas Gerais, para uma oportunidade de trabalho. Ela foi morar com a amiga, filha de Cleomar, na casa dele, sem imaginar o perigo que a esperava.

A situação se agravou quando as jovens revelaram a Cleomar que estavam conhecendo outros rapazes na cidade e planejavam se mudar para um imóvel próprio. Essa notícia, conforme as investigações, teria provocado a fúria do agressor, que passou a xingá-las e ameaçá-las com frequência.

Áudios enviados por Cleomar a familiares após o crime revelam a premeditação e o monitoramento das jovens. “Eu estava seguindo essas meninas fazia dias. Ela estava pensando que eu não estava sabendo onde que descia, aonde que pegava [o ônibus]. A pessoa está enganadinha”, disse o suspeito em uma das mensagens, evidenciando seu plano macabro.

O dia do crime e a prisão do assassino

O brutal assassinato ocorreu na manhã de 24 de abril, quando Geniane e a amiga seguiam para o trabalho. Câmeras de segurança registraram o momento em que Cleomar, encapuzado e já com a faca em mãos, abordou as jovens na Rua Albano Meneghelli. Testemunhas relataram que ele as chamou pelo apelido “Geninha” antes de desferir os golpes fatais.

Geniane foi atingida por pelo menos nove facadas no tórax, abdômen e pescoço. Apesar de ter sido socorrida e levada à Santa Casa de Pontal, ela não resistiu aos ferimentos e faleceu. A amiga, filha de Cleomar, presenciou a cena traumática e conseguiu escapar ilesa.

Cleomar Borges Gomes foi capturado em uma praça em Ribeirão Preto, a 38 quilômetros de Pontal, cinco dias após o crime. Ele era considerado foragido da Justiça e, após sua prisão, confessou o assassinato, embora suas justificativas não tenham sido aceitas pela polícia.

A busca por justiça e o legado de Geniane

Geniane Pereira era descrita como uma jovem “carismática, extrovertida e leal”, cheia de planos e sonhos que foram brutalmente interrompidos. Sua morte trágica destaca a urgência em combater a violência contra a mulher e a importância de reconhecer os sinais de comportamentos possessivos e controladores.

O delegado Messias Santos garantiu que a investigação é robusta e que não há possibilidade de Cleomar “voltar para a rua pelo menos nos próximos 20 anos”, indicando a gravidade da pena que o aguarda. O caso de Geniane serve como um doloroso lembrete dos perigos do feminicídio e da necessidade de proteger as vítimas de relações abusivas e possessivas.

Tags

Compartilhe esse post