Prepare-se para uma jornada inesquecível pela rica biodiversidade e história cultural do Ceará, com percursos inclusivos e paisagens deslumbrantes que celebram a primeira floresta nacional do Brasil.
O Cariri cearense está em festa! A Floresta Nacional (Flona) do Araripe-Apodi, a primeira floresta nacional instituída no Brasil, completa 80 anos em 2 de maio, marcando oito décadas de um legado de proteção ambiental e cultural.
Com aproximadamente 38 mil hectares, a Flona abrange os municípios cearenses de Barbalha, Crato, Jardim, Missão Velha e Santana do Cariri, servindo como um santuário de vida e história.
Este paraíso natural não só protege as fontes de água do semiárido e combate a desertificação, mas também é o único lar do raríssimo Soldadinho-do-Araripe, uma ave em perigo crítico de extinção, conforme informações divulgadas pelo G1.
A Floresta Nacional do Araripe-Apodi: 80 Anos de Preservação e Inclusão
Instituída em 1946, a Floresta Nacional do Araripe-Apodi é administrada pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e se destaca pela sua missão de preservar a biodiversidade e promover a sustentabilidade na região.
Além de sua importância ecológica, a Flona atrai olhares do mundo inteiro pela sua beleza e pela diversidade de suas trilhas, que se tornaram um convite à exploração e à conexão com a natureza.
Com incontáveis percursos e cerca de 15 mirantes, a área oferece experiências para todos os públicos, valorizando a inclusão e a acessibilidade como pilares fundamentais.
Trilhas para Todos: Acessibilidade na Natureza
Entre as diversas opções, algumas trilhas da primeira floresta nacional do Brasil se destacam pela sua infraestrutura inclusiva, garantindo que pessoas com diferentes necessidades possam desfrutar plenamente da natureza.
A Trilha do Belmonte e Mestre Galdino, no Crato, com 8.700 metros, oferece diversos mirantes, como Belmonte, Saco, Serrano da Pedra Branca e Corujas. Dentro dela, a Trilha Inclusiva Mestre Galdino, de 150 metros, é adaptada com linha-guia, objetos sonoros, braille e piso especial, homenageando Luiz Galdino de Oliveira, um guardião da floresta e mestre da cultura popular.
Outra novidade é o Novo Mirante do Ninho, também no Crato, com um percurso de 550 metros totalmente adaptado para pessoas com deficiência. Seu tablado octogonal proporciona uma vista panorâmica dos paredões da Chapada, do bairro Lameiro e de Juazeiro do Norte ao longe.
Em Barbalha, a Trilha do Mirante do Caldas, de 450 metros, fica no topo do teleférico e ao lado do borboletário. Equipada com guizos, QR Codes e placas em Libras/braille, garante autonomia para todos os visitantes.
Jornadas Históricas e Míticas no Coração do Cariri
Para os amantes de longas caminhadas e histórias, a Flona Araripe-Apodi reserva percursos que atravessam paisagens únicas e carregam lendas ancestrais.
A Trilha do Picoto, uma jornada de 11 km que liga Crato a Barbalha, atravessa o cerrado caririense com áreas de mata fechada e umidade de até 60%. Ao final, em Barbalha, encontra-se o Cruzeiro do Picoto, também conhecido como Picoto do Arajara.
A lenda conta que o cruzeiro foi erguido no século XIX por um fazendeiro, em agradecimento por sua família ter sido poupada de um surto de cólera. O local continua sendo palco de celebrações religiosas e culturais todos os anos em agosto.
A Grande Travessia: Uma Aventura para Celebrar
Para celebrar as oito décadas da Flona, os guias Zé da Hora e Neyson Nascimento realizaram a 1ª Travessia da Flona, percorrendo cerca de 80 quilômetros em cinco dias, uma verdadeira imersão na natureza e cultura local.
Zé da Hora descreveu a experiência: “O mais desafiador é caminhar com peso, mochila cargueira de mais de 20kg e acampamento. Mas este ano é simbólico demais para não tentarmos. É também uma troca enriquecedora com as comunidades locais, uma troca de experiências”.
O trajeto da travessia começou no Sítio Gameleira, em Missão Velha, e terminou em Belmonte, no Crato, passando por residências de apoio históricas como as casas da Flores, Santa Rita e Malhada Bonita.
Para quem planeja visitar as trilhas da primeira floresta nacional do Brasil, algumas dicas são essenciais: respeite o silêncio, fundamental para observar o Soldadinho-do-Araripe, não deixe rastros, levando seu lixo de volta e preservando as fontes de água, e valorize o guia, pois a companhia de profissionais enriquece a experiência com segurança e conhecimento histórico.