Oito dias após o incêndio de grandes proporções que devastou a Escola Municipal Prada, em Limeira, os cerca de 300 alunos da Escola Prada afetados pelo incidente estão prontos para retomar suas atividades escolares.
A partir desta sexta-feira, 8 de março, os estudantes serão realocados em dois endereços provisórios na cidade. A medida busca garantir a continuidade do ano letivo após a tragédia.
No entanto, a notícia do retorno vem acompanhada de uma preocupação significativa: um dos locais que abrigará parte dos alunos não possui o Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros (AVCB), conforme informações divulgadas pelo g1.
Novos Endereços para a Retomada das Aulas
A administração municipal, após reunião na última quarta-feira (6), definiu os novos locais para a distribuição dos alunos. Os estudantes da Educação Infantil, de uma turma específica, terão suas aulas na Emeief Major José Levy Sobrinho, localizada no Jardim Esteves, a aproximadamente 500 metros da antiga Escola Prada.
Já os alunos do Ensino Fundamental, que compreendem 12 turmas, serão atendidos provisoriamente no Centro de Formação do Professor. Este espaço está situado na sede da Secretaria de Educação, no Parque Cidade.
O Centro de Formação do Professor foi adaptado para receber os estudantes, contando com seis salas de aula que funcionarão em dois períodos, com seis turmas pela manhã e seis à tarde.
O Secretário da Educação, Antônio Montesano Neto, detalhou a logística: “Nós temos uma turma de educação infantil que será transferida para a escola Major Levy, que fica a cerca de 500 a 600 metros da escola Prada. Os demais alunos do ensino fundamental, as 12 turmas, serão transferidas provisoriamente para o Centro de Formação do Professor”, afirmou.
A Polêmica da Falta do AVCB em Local Provisório
A decisão de usar o Centro de Formação do Professor como sede provisória para os alunos da Escola Prada gerou questionamentos devido à ausência do Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros (AVCB) no local.
O secretário de Educação, Antônio Montesano Neto, confirmou à EPTV que o Centro de Formação do Professor não possui o laudo. “Nesse local, onde funciona a Secretaria [de Educação], nós ainda não temos a aprovação”, declarou.
O AVCB é um documento crucial emitido pelo Corpo de Bombeiros, que atesta as condições adequadas de segurança contra incêndios em edificações. Ele certifica a presença de itens como extintores, sinalização de emergência, equipamentos de combate a incêndio e portas corta-fogo.
A Escola Prada, que foi destruída pelo fogo na última sexta-feira (1º), também não possuía o AVCB, assim como outras 39 unidades da cidade na ocasião. A suspeita é que o incêndio tenha começado na fiação elétrica, apontou o Corpo de Bombeiros.
Atualmente, segundo o secretário, 37 escolas municipais ainda estão irregulares quanto ao AVCB. A administração municipal informou que, ao assumir a gestão em janeiro de 2025, foram identificadas “muitas escolas da rede municipal sem o AVCB e com problemas estruturais graves”, totalizando 56 escolas irregulares naquele momento.
Desafios na Regularização e Futuro da Escola Prada
A Secretaria de Educação será uma sede provisória para os alunos da Escola Prada até que um novo prédio definitivo seja definido. Essa mudança depende da conclusão de processos burocráticos e jurídicos, além das adaptações necessárias para atender adequadamente ao público infantil.
A distância de aproximadamente 1 km em relação à escola original foi um fator determinante na escolha do espaço provisório. A prefeitura está providenciando a estrutura para a distribuição de merenda, materiais didáticos e mobiliário.
O secretário Montesano Neto ressaltou os desafios: “Nós temos uma estrutura para abrigar essas crianças até que um local apropriado e mais adequado, uma escola, seja preparado. Nós temos vários entraves jurídicos e administrativos para providenciar isso”, explicou.
Sobre a regularização das escolas do município, não há uma previsão de quando ocorrerá a total adequação. “Cada unidade exige trabalhos maiores. Coisa mais difícil de se realizar. Nós temos escolas que têm mais de 80 anos, e isso dificulta bastante, pois foram construídas em uma época diferente”, justificou o secretário.
A Escola Prada, um patrimônio histórico tombado do município, completaria 80 anos em junho de 2027. O prédio já fez parte do conjunto Prada, que abrigava uma das maiores fábricas de chapéus da América Latina.
A estimativa é que cerca de 30 mil alunos já tenham passado pela unidade desde o início de suas atividades. Há esperança de recuperação da estrutura, com conversas em andamento com arquitetos e engenheiros.
“A gente começou a conversar com arquitetos, engenheiros, e vários deles dizem que é possível recuperar essas paredes e que é possível restaurar. Mas a gente só vai poder definir isso depois que a gente tiver um parecer da polícia científica e também nós vamos contratar um pessoal especializado para poder definir o que é possível reaproveitar ou não”, concluiu o secretário, enfatizando a complexidade da situação após o incêndio.