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"title": "Emergência despreparada? Entenda por que idosos não exibem sinais clássicos e o risco de diagnósticos tardios",
"subtitle": "Especialistas alertam que o modelo tradicional de pronto atendimento pode minimizar condições graves em pacientes acima de 75 anos, exigindo uma abordagem mais especializada.",
"content_html": "<h2>Emergência despreparada? Entenda por que idosos não exibem sinais clássicos e o risco de diagnósticos tardios</h2><p>Quando um idoso chega ao pronto-socorro, especialmente aqueles com 75 anos ou mais, o ambiente muitas vezes não está otimizado para suas necessidades específicas. Essa realidade pode levar a diagnósticos equivocados ou tardios, comprometendo a saúde dos pacientes.</p><p>A forma como doenças agudas se manifestam em adultos mais velhos difere significativamente dos jovens, resultando em quadros clínicos que fogem do padrão tradicionalmente esperado nos serviços de emergência.</p><p>Essa complexidade foi tema de discussão com o médico Pedro Kallas Curiati, doutor pela Faculdade de Medicina da USP e coordenador das especializações em geriatria e gerontologia da Faculdade Sírio-Libanês, conforme informação divulgada pelo G1.</p><h3>A Complexidade dos Sintomas Atípicos em Idosos</h3><p>O médico Pedro Kallas Curiati ressalta que "o modelo tradicional de emergência tem limitações para o paciente geriátrico complexo". Ele explica que as manifestações de doenças agudas se evidenciam de maneira diversa no idoso em relação ao jovem. Em cerca de <b>40% dos casos de urgência em adultos mais velhos</b>, eles não exibem os sinais clássicos.</p><p>É comum, por exemplo, que um idoso sofra um infarto sem se queixar da típica dor no peito. Curiati destaca que, embora pareça paradoxal, a <b>apresentação atípica</b> acaba sendo a apresentação típica e esperada nesta faixa etária, um desafio constante para as equipes de pronto atendimento.</p><h3>O Impacto da Diminuição da Reserva Fisiológica</h3><p>A diminuição da reserva fisiológica dos indivíduos é um fator crucial para entender essas condições "atípicas". No sistema nervoso central, ocorrem alterações no controle térmico, o que pode resultar em uma <b>resposta febril atenuada ou ausente</b> e uma menor percepção de dor em patologias agudas, dificultando a identificação de problemas graves.</p><p>A função renal também diminui com a idade, aumentando a suscetibilidade a diversos problemas de saúde. Além disso, há uma resposta mais limitada da frequência cardíaca a estressores, sejam eles físicos, como calor ou frio intensos, ou psicológicos, como ansiedade e medo, impactando a capacidade do organismo de reagir a emergências.</p><p>Alterações na composição corporal, como um maior percentual de gordura, e a modificação do metabolismo hepático e renal afetam diretamente a distribuição e eliminação de medicamentos. Isso exige uma atenção redobrada na prescrição e monitoramento de tratamentos, um ponto crítico no <b>atendimento geriátrico</b>.</p><p>Outro desafio são as alterações cognitivas prévias, que podem mascarar o relato de sintomas, tornando a anamnese, a entrevista inicial com o paciente, mais complexa. Essa dificuldade no relato impede um diagnóstico preciso e rápido, essencial em situações de emergência.</p><h3>Polifarmácia e o Desafio da Medicação</h3><p>A polifarmácia, ou seja, a utilização de um grande número de fármacos simultaneamente, é uma realidade comum entre os idosos. Essa prática faz crescer exponencialmente o risco de interações medicamentosas e reações adversas que podem mimetizar ou até agravar doenças já existentes, complicando ainda mais o quadro clínico em um pronto atendimento.</p><p>O manejo adequado da medicação em idosos exige conhecimento especializado e uma revisão constante, para evitar que os próprios tratamentos se tornem fontes de novos problemas de saúde ou confundam o diagnóstico da emergência.</p><h3>Soluções Inovadoras: O Modelo ProAGE do Hospital Sírio-Libanês</h3><p>Reconhecendo a particularidade da <b>saúde do idoso</b>, o Hospital Sírio-Libanês, onde pacientes acima dos 75 anos respondem por quase metade de todas as internações, desenvolveu o modelo ProAGE, Pronto Atendimento Geriátrico Especializado. Este programa leva em conta as peculiaridades do paciente idoso, focando em uma abordagem mais humanizada e eficaz.</p><p>Uma "pergunta de ouro" norteia a equipe: <b>"O que o paciente fazia até ontem/semana passada que deixou de fazer?"</b>. O médico Pedro Kallas Curiati explica que a alteração da funcionalidade é o principal sinal de alerta de doença aguda no idoso. Mudanças no desempenho de atividades cotidianas precedem e superam em valor diagnóstico muitos sinais clássicos.</p><p>O ProAGE é realizado por uma equipe multidisciplinar que avalia critérios como a idade do paciente, sinais de comprometimento físico, emagrecimento, exaustão e alteração aguda do estado mental, além de hospitalizações recentes. O ambiente também é adaptado com dimerizadores para iluminação confortável, redução de ruídos, relógios de numeração grande e amplificadores pessoais de som, como pocket talkers, para um <b>atendimento mais acolhedor e eficiente</b>.</p>"
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