Santa Bárbara d’Oeste é a segunda cidade da região com mais veículos acima de 20 anos, e especialistas alertam para os riscos de uma frota envelhecida.
A circulação de veículos com mais de duas décadas nas ruas de Santa Bárbara d’Oeste tem chamado a atenção. Esse cenário revela um panorama que acende o sinal de alerta para a segurança viária e a manutenção dos automóveis na cidade.
O município figura entre os que possuem uma das maiores proporções de carros “aposentados” em sua frota. Esse dado reflete não apenas o perfil econômico da população, mas também os desafios diários para o trânsito local.
Essa realidade é compartilhada por municípios vizinhos como Americana, Limeira e Piracicaba. Ela levanta discussões sobre as consequências de uma frota envelhecida, desde a segurança dos ocupantes e pedestres até a necessidade de manutenção constante. Os números, conforme levantamento do Detran, trazem à tona a urgência de debater essa questão na região, conforme informação divulgada pelo g1.
Santa Bárbara d’Oeste entre as líderes regionais em frota antiga
O levantamento do Departamento Estadual de Trânsito (Detran) aponta que 31,7% da frota de Santa Bárbara d’Oeste é considerada antiga. Isso significa que, pelo menos, três em cada dez veículos em circulação na cidade têm 20 anos ou mais de fabricação.
Este índice coloca o município como a segunda cidade entre as dez maiores da área de cobertura da EPTV com o maior percentual de veículos envelhecidos. A presença de tantos carros antigos nas vias urbanas é um fator relevante para a análise do tráfego local.
A líder dessa lista é Americana, onde impressionantes 40,5% da frota ultrapassa as duas décadas. Outras cidades da região também apresentam números elevados, como Limeira, com 28,6%, e Piracicaba, que registra 28,1% de veículos antigos em sua frota.
Urbanista alerta para os riscos e motivos do envelhecimento da frota
João Verde, urbanista, explica que o envelhecimento da frota pode estar diretamente ligado a fatores sociais e econômicos. Ele cita o perfil da população e a renda média dos moradores como influências importantes nesse cenário.
O especialista enfatiza que pessoas com menor poder aquisitivo ou mais idosas podem ter veículos mais antigos. Consequentemente, elas podem acabar pecando em termos de manutenção desses automóveis.
“As pessoas mais idosas, com renda menor, com carros mais antigos, também às vezes começam a pecar em termos de manutenção. E claro, isso acaba trazendo um perigo para a cidade, tantos veículos mais antigos circulando no sistema viário das cidades”, afirmou Verde. A falta de manutenção adequada em veículos antigos pode comprometer a segurança de todos no trânsito.
Valor sentimental e boas oportunidades de negócio em carros antigos
Para muitos proprietários, um carro antigo vai além de um simples meio de transporte, representando um forte valor sentimental. É o caso de Antônio Geraldo, morador de Americana, que herdou um VW Apolo 1992 do pai.
Ele destaca a economia e a funcionalidade do veículo, além do vínculo afetivo. “É um carro econômico, ele é um carro que me leva onde eu quero […]. É uma herança do meu pai, meu pai deixou esse carro para mim aqui, eu não quero desfazer dele tão fácil”, contou Antônio.
Por outro lado, alguns enxergam nos veículos mais velhos uma oportunidade de bom negócio. Valdir Bartarin, por exemplo, buscou um carro usado em uma feira para presentear o neto, que está prestes a tirar a carteira de motorista.
“Eu vim atrás de um carrinho velhinho para dar de presente para o meu neto. Porque às vezes aparecem bons negócios também”, disse Bartarin. Isso demonstra que o mercado de carros antigos ainda movimenta a economia local, oferecendo opções para diferentes necessidades.
Ranking das maiores cidades da região com frotas antigas
Confira o ranking completo das dez maiores cidades da área de cobertura da EPTV. Este levantamento detalha os percentuais de frotas com mais de 20 anos, evidenciando a concentração de veículos antigos em diversas localidades da região.
Este estudo do Detran reforça a necessidade de atenção à manutenção e segurança veicular, especialmente em cidades com altos índices de frota envelhecida.
- Americana: 40,5%
- Santa Bárbara d’Oeste: 31,7%
- Mogi Guaçu: 30,4%
- Limeira: 28,6%
- Hortolândia: 28,5%
- Piracicaba: 28,1%
- Sumaré: 27,7%
- Campinas: 24,9%
- Valinhos: 22,4%
- Indaiatuba: 22,2%