Lhamas apreendidas no Acre: Empresário Wellington Araújo, de Rondônia, revolta-se após nova apreensão e revela que parte dos animais são filhotes de carga barrada na fronteira

Proprietário de lhamas apreendidas no Acre contesta legalidade da ação e afirma que animais, inclusive filhotes, possuem documentação e nasceram em seu rancho em Rondônia

Um caso inusitado envolvendo a apreensão de mais de 40 **lhamas** na BR-364, no Acre, ganhou novos contornos. O proprietário dos animais, o empresário Wellington Vieira de Araújo, de Rondônia, veio a público contestar veementemente a legalidade da ação.

Segundo Araújo, esta não é a primeira vez que ele enfrenta problemas com o transporte de seus animais. Parte da carga atual, inclusive, seria composta por filhotes das **lhamas** que foram barradas na fronteira do Acre no ano passado, nascidos em sua propriedade.

Ele alega possuir toda a documentação necessária para a criação e trânsito dos animais, acusando as autoridades de ignorarem os comprovantes apresentados. As informações foram divulgadas pelo g1.

A Trajetória das Lhamas e a Defesa do Proprietário

Wellington Vieira de Araújo possui um rancho em Alvorada do Oeste, Rondônia, onde se dedica à criação de alpacas, **lhamas**, caprinos e ovinos. O empresário afirma que os animais apreendidos possuem documentação completa e busca sua restituição imediata.

À Rede Amazônica Acre, nesta segunda-feira, 25 de março, ele explicou que alguns dos animais são filhotes das **lhamas** que ficaram retidas em Assis Brasil no ano passado, ou seja, nasceram em seu rancho. Outra parte da carga, ele ressalta, entrou legalizada no Brasil em setembro.

“Tem uma lei que fala que esses animais são isentos de controle. Nasceram aqui em Alvorada do Oeste, são meus, já encaminhei a documentação para o juiz. Está tudo correto e guardamos seguir os trâmites da Justiça para a gente fazer a restituição”, declarou Araújo, defendendo a posse e a legalidade dos animais.

O empresário detalhou que as **lhamas apreendidas** no posto de fiscalização acreano saíram, na verdade, de Rondônia com destino a Brasiléia, no interior do Acre, onde um cliente havia manifestado interesse na compra dos animais. Contudo, ele recebeu um convite para expor seus animais na 13ª Rondônia Rural Show Internacional, solicitando o retorno da carga.

“O pessoal falou que não iria conseguir um lugar pra mim [na feira agropecuária]. Mandei os animais para o Acre, porque tinha procura, tinham clientes esperando para ver. Abriram espaço para mim na Rondônia Rural Show e pedi para retornar com elas para a feira”, explicou.

Foi nesse retorno para Rondônia que o caminhão boiadeiro foi parado e apreendido no Posto de Fiscalização da Tucandeira, na BR-364, em Rio Branco. O motorista e o passageiro do caminhão foram inicialmente presos pela Polícia Militar, levados à Polícia Federal na noite de quarta-feira, 20 de março, e soltos pela Justiça Federal na quinta-feira, 21 de março, durante audiência de custódia.

O Bem-Estar dos Animais e a Burocracia Envolvida

Atualmente, as **lhamas** seguem abrigadas em uma propriedade rural na Estrada de Porto Acre, sob os cuidados da ONG Patinha Carente. A 1ª Vara da Justiça Federal no Acre informou que a destinação final dos animais será determinada esta semana, priorizando o bem-estar dos animais.

O Instituto de Defesa Agropecuária e Florestal do Acre (Idaf) esclareceu que o caso agora é tratado na esfera federal, cabendo ao Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) definir as medidas administrativas e sanitárias aplicáveis. O Ministério Público Estadual (MP-AC) também acompanha a situação.

Wellington Araújo expressou grande preocupação com a alimentação e o manejo das **lhamas**, afirmando que elas não estão recebendo os cuidados adequados. “Não está cuidando do jeito que deve ser. Aqui em casa esses animais comem alfafa, ração de qualidade, cuido de várias animais na minha estrutura”, lamentou o empresário.

Em contrapartida, Vanessa Facundes, presidente da ONG Patinha Carente, assegurou que os animais estão bem e foram avaliados por um veterinário do Mapa. “Recebemos a visita de um veterinário, estão bem e estamos tentando uma parceria com a Ufac”, informou, garantindo os cuidados adequados.

Documentação e o Impasse com as Autoridades

O empresário insiste que, para os animais transitarem em território nacional após a importação, é necessário somente um atestado veterinário que comprove que estão sadios, o qual ele afirma possuir. Ele diz que possui autorização para importar os animais.

“Alguns são da importação passada. A origem dele é importada, tenho autorização para fazer a importação, já fiz uma ano passado. Esses animais que estão presos lá [Acre] são nacionalizados, alguns no Brasil, oriundos da primeira importação, e outros nasceram em casa [em Rondônia]. Tem dois que estão na mamadeira, estava guardando para levar para a Rondônia Rural Show”, detalhou Araújo.

Ele relatou ter tentado apresentar a documentação exigida à Polícia Federal no momento da apreensão. “Liguei para o delegado na hora da apreensão falando que os animais têm documentos. Ele ignorou, queria a nota fiscal de origem”, afirmou, expressando sua frustração com a abordagem.

Araújo contou que enviou a nota fiscal de importação com a data do ano passado, mas as autoridades teriam insistido que os animais eram ilegais. “Não quiseram, disseram que os animais eram ilegais, tentei argumentar, falei que se quisessem outra nota fiscal eu emitiria. Fiz isso cedo na quinta-feira, 21 de março. O delegado atropelou tudo e mandou para o juiz. Estamos fazendo a defesa”, concluiu o proprietário das **lhamas apreendidas**.

Lhamas no Brasil: Uma Espécie Rara e Exigente

Originárias da Cordilheira dos Andes, as **lhamas** são mamíferos comuns em países como Peru, Bolívia, Chile e Argentina. Domesticadas há milhares de anos pelos povos andinos, elas são valorizadas pelo transporte de carga, produção de lã e até como companhia em áreas rurais.

A espécie se adapta melhor a regiões frias e de altitude elevada, sendo herbívoras e se alimentando principalmente de capim, folhas, feno e outros vegetais. Podem atingir cerca de 1,70 metro de altura e pesar até 150 quilos, conhecidas por sua pelagem espessa e comportamento dócil, além das orelhas alongadas.

No Brasil, a criação de **lhamas** não é comum e exige um rigoroso controle sanitário, além de autorização específica dos órgãos responsáveis. Este requisito adiciona uma camada de complexidade e burocracia ao caso das **lhamas apreendidas** no Acre, levantando questões sobre a fiscalização e o entendimento das leis por parte das autoridades e dos criadores.

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