PF Uberlândia: Operação Mens Occulta desmantela tráfico de cocaína de R$ 70 milhões e revela lavagem de dinheiro com bens de luxo

Polícia Federal mira esquema milionário de tráfico e lavagem de dinheiro com base em Uberlândia

A Polícia Federal (PF) deflagrou uma megaoperação em Uberlândia e outras dez cidades de três estados, visando desarticular uma sofisticada organização criminosa envolvida no tráfico de cerca de três toneladas de cocaína. A investigação revelou uma movimentação financeira sem lastro compatível estimada em R$ 70 milhões, fruto das atividades ilícitas do grupo.

A ação, batizada de Operação Mens Occulta, que significa “mente oculta” em latim, mobilizou 230 policiais federais para cumprir 74 mandados judiciais. O objetivo principal é prender os envolvidos e descapitalizar o esquema, que utilizava empresas de fachada e bens de luxo para lavar o dinheiro do crime.

As apurações apontam que a organização possuía uma logística consolidada para transporte e distribuição dos entorpecentes, com sua base principal instalada em Uberlândia, conforme informações divulgadas pelo G1.

Origem e Logística da Cocaína Milionária

A droga que alimentava a estrutura criminosa investigada tinha como origem a região de Corumbá, no Mato Grosso do Sul, município que faz fronteira direta com a Bolívia. De lá, a cocaína era transportada e distribuída por uma rede bem organizada, com a base logística do grupo criminoso estabelecida em Uberlândia, Minas Gerais.

As investigações detalharam a complexidade da operação, que se estendia por diversos pontos do território nacional. Os mandados, autorizados pela Justiça Federal de Uberlândia, foram cumpridos simultaneamente em cidades de Minas Gerais, Espírito Santo e Mato Grosso do Sul, evidenciando a amplitude da rede.

A “Mente Oculta” por Trás do Tráfico

O nome da operação, Mens Occulta, foi escolhido pela Polícia Federal em referência à forma de atuação atribuída ao líder da organização criminosa. Segundo as investigações, ele adotava uma estratégia de baixa exposição, procurando manter a si e seus familiares afastados de qualquer associação direta com as atividades ilícitas.

Essa “mente oculta” buscava criar uma fachada de normalidade, enquanto orquestrava o esquema de tráfico e lavagem de dinheiro. No entanto, o trabalho de inteligência da PF conseguiu desvendar a estrutura e identificar o papel central desempenhado por essa figura, que já possuía antecedentes relacionados ao tráfico de drogas.

Lavagem de Dinheiro com Ranchos e Cavalos de Raça

Para ocultar a origem dos vastos recursos obtidos com o tráfico de drogas, o grupo utilizava um elaborado esquema de lavagem de dinheiro. As investigações identificaram o uso de empresas de fachada, criadas especificamente para dar uma aparência de legalidade aos valores ilícitos.

O dinheiro era reinvestido na aquisição de uma série de bens de alto valor, visando disfarçar sua procedência. Entre os itens identificados pela PF estavam ranchos, apartamentos de luxo, cavalos de raça, embarcações e diversos veículos de alto padrão, que compunham um patrimônio incompatível com as atividades financeiras declaradas pelos envolvidos.

Crimes e Abrangência da Operação

Os relatórios de inteligência financeira foram cruciais para apontar movimentações de cerca de R$ 70 milhões sem lastro financeiro compatível, confirmando a escala do esquema de lavagem. A operação abrangeu as cidades de Uberlândia, Uberaba, Ituiutaba, Araguari, Centralina, Araporã e Belo Horizonte em Minas Gerais, Cariacica no Espírito Santo, e Campo Grande e Corumbá no Mato Grosso do Sul.

Os investigados na Operação Mens Occulta poderão responder por uma série de crimes graves, incluindo tráfico internacional de drogas, organização criminosa e lavagem de dinheiro. A ação da PF representa um importante golpe contra o crime organizado, visando não apenas a prisão dos envolvidos, mas também a descapitalização da estrutura financeira que sustenta essas atividades ilícitas.

Tags

Compartilhe esse post