A vítima registrou em vídeo e áudio as propostas indecentes, ofertas de dinheiro e a insistência do agressor, fortalecendo a investigação policial.
Uma mulher em Araçatuba, São Paulo, vivenciou momentos de terror e assédio durante uma corrida de aplicativo e conseguiu registrar a ação do motorista, transformando o registro em uma denúncia formal. O incidente, ocorrido na última segunda-feira, chocou a comunidade local.
Durante o trajeto, o condutor fez comentários de cunho sexual sobre o corpo da passageira, ofereceu dinheiro e insistiu repetidamente para que ela fosse com ele a um motel. A situação de vulnerabilidade da mulher foi intensificada pela persistência das propostas.
A vítima, que estava a caminho de buscar o filho na escola, manteve a calma para gravar parte da conversa, fornecendo provas cruciais para a investigação policial, conforme informação divulgada pelo g1.
A insistência do motorista e o registro da vítima
O relato da vítima à polícia detalha que o motorista de aplicativo a abordou com comentários ofensivos e de cunho sexual, dizendo que ela era "um desperdício". Em seguida, ele perguntou se ela "fazia programa", chegando a oferecer dinheiro para que aceitasse suas propostas. A mulher expressou desconforto e negou as investidas.
Mesmo diante da clara recusa, o motorista insistiu em convidá-la para um motel, proferindo diversas insinuações sexuais. Em um dos momentos gravados, ele disse, "Última oferta, vou parar, vamos para lá. Você está quase indo, vai. Você está na paz, mas os R$ 200 está faltando. Que desperdício, olha o tamanho dessas pernas suas".
A passageira, sentindo-se apreensiva durante todo o percurso, tentou interagir o mínimo possível para garantir sua segurança até conseguir desembarcar do veículo. Antes do fim da corrida, o motorista ainda pediu para que ela "esquecesse o ocorrido", uma tentativa de apagar o rastro do assédio.
A determinação da mulher foi fundamental, pois ela conseguiu gravar parte da conversa e apresentou imagens e informações obtidas pelo próprio aplicativo, que serão essenciais para a identificação e responsabilização do suspeito neste grave caso de assédio.
A denúncia e a investigação policial
O caso foi prontamente registrado na Delegacia de Defesa da Mulher, DDM, de Araçatuba, São Paulo, garantindo que a denúncia de assédio recebesse a atenção necessária das autoridades. A polícia agora dará início a uma rigorosa investigação para apurar todos os fatos e identificar o motorista.
As provas fornecidas pela vítima, incluindo o vídeo e os dados do aplicativo, são consideradas elementos-chave para o avanço das investigações. A expectativa é que, com esses materiais, a identificação do agressor seja facilitada, e as medidas legais cabíveis sejam tomadas para coibir esse tipo de conduta.
Repercussão e o posicionamento da comunidade Uber
A Comunidade Uber Rio Preto Oficial, que representa os motoristas de aplicativo na região, manifestou publicamente seu repúdio ao ocorrido. Em nota, a entidade classificou a situação, se confirmada, como inadmissível e destacou que tal conduta não representa a maioria dos profissionais que atuam no setor de transporte por aplicativo.
A comunidade prestou solidariedade à vítima, reforçando a importância da apuração rigorosa da denúncia pelas autoridades competentes. Além disso, a entidade enfatizou que a segurança de passageiros e motoristas deve ser uma prioridade absoluta, informando que apoia ativamente ações voltadas à prevenção do assédio, da violência e de outras formas de abuso.