Em Juiz de Fora, Tainara e sua filha navegam o desafio do recomeço em lar temporário, cuidando de Rael e Maria Hellena após a tragédia das chuvas.
Mais de cem dias se passaram desde a tragédia das chuvas que devastou Juiz de Fora, deixando um rastro de destruição e famílias desabrigadas. Entre as milhares de histórias de perda e resiliência, a de Tainara e sua filha se destaca, marcada pela luta e pela esperança de um novo começo.
Ambas grávidas na época do desastre, elas tiveram que fugir às pressas de sua casa no bairro Três Moinhos, buscando segurança em meio ao caos. Hoje, a família de sete membros, que inclui três crianças e os recém-nascidos Rael e Maria Hellena, tenta se adaptar a uma nova realidade.
A jornada de recomeço em Juiz de Fora é diária, repleta de desafios e a busca por estabilidade, enquanto a memória do que foi perdido ainda ecoa. As informações são do g1.
A Fuga Dramática e a Perda do Lar em Juiz de Fora
A lembrança daquela madrugada permanece vívida na memória de Tainara. Ela e os filhos testemunharam o momento em que o barranco cedeu, uma imagem aterrorizante que os forçou a deixar tudo para trás. "Mesmo no escuro, conseguimos ver toda aquela terra descendo em direção às casas", relembra a mãe sobre a noite da tragédia em Juiz de Fora.
Inicialmente, buscaram refúgio na casa de um familiar, mas ficaram ilhados por horas devido à intensidade da chuva. Quando o temporal diminuiu, voltaram rapidamente à residência apenas para pegar algumas roupas e, então, seguiram a pé até um abrigo, exaustos e tomados pelo medo.
Tainara conta que a família saiu "só com a roupa do corpo e uma troca de roupa", um testemunho da urgência da situação. A casa no bairro Três Moinhos, onde viviam, permanece interditada e sem condições de habitação, "tudo cercado de lama", impedindo qualquer retorno ao que um dia foi seu lar.
Dentro da residência, ficaram móveis, eletrodomésticos e, principalmente, os enxovais cuidadosamente preparados para a chegada dos bebês. "Eu tinha feito o enxoval com tanto esforço. Era o básico: um berço, um guarda-roupa, as roupinhas que já estavam lavadas e guardadas nas gavetas. Ficou tudo para trás", lamenta Tainara, destacando a dor da perda material.
Novos Membros e a Adaptação ao Lar Temporário
Em meio à incerteza e à reconstrução da vida em Juiz de Fora, a família ganhou dois novos e preciosos integrantes. Rael, filho de Tainara, completou um mês, e Maria Hellena, neta, já tem dois meses de vida. A chegada dos bebês trouxe uma nova rotina, dividida entre os cuidados e a adaptação a um apartamento temporário.
Após passarem por um abrigo na Escola Municipal Vereador Raymundo Hargreaves e, em seguida, duas semanas em um hotel, a família de sete pessoas agora vive em um apartamento de três quartos no bairro Alto dos Passos, cedido pela Prefeitura de Juiz de Fora. Essa moradia provisória é um passo crucial no recomeço.
Apesar da segurança, a adaptação tem seus desafios. As crianças, com 12, 10 e 8 anos, sentem a falta da liberdade que tinham no antigo endereço. "Sentem muita falta da nossa casa antiga. Lá a gente morava no fim da rua, eles brincavam na rua, tinham espaço. Aqui é apartamento, ficam mais presos dentro de casa", desabafa Tainara.
A mãe também enfrenta a ausência de sua rede de apoio, antes composta pelas irmãs que moravam perto. "Agora estou em um lugar onde não tenho o apoio de ninguém. Sou eu e meus filhos", revela, evidenciando a solidão e a sobrecarga que muitas famílias desabrigadas experienciam em seu recomeço em Juiz de Fora.
Auxílios e a Esperança por um Futuro Estável
Para auxiliar na reconstrução da vida, a família recebeu o Auxílio Reconstrução do Governo Federal, além de benefícios da Prefeitura de Juiz de Fora e de entidades de apoio. Tainara explica que esses recursos têm sido essenciais para garantir a alimentação e cobrir as despesas básicas do dia a dia.
As doações também foram fundamentais, especialmente para montar novamente os enxovais dos bebês, que foram perdidos na tragédia. Essa solidariedade tem sido um pilar importante para que a família consiga seguir em frente e focar no recomeço em Juiz de Fora.
Apesar das dificuldades e da incerteza sobre o futuro, um sentimento de alívio prevalece em Tainara. "Só de saber que meus filhos e minha neta estão em um lugar seguro, fico com o coração mais tranquilo", afirma, valorizando a segurança de sua família acima de tudo.
Mais de três meses após a tragédia das chuvas, a incerteza sobre o futuro persiste, mas a chegada de Rael e Maria Hellena trouxe uma nova energia. Para Tainara, o maior desejo é que "as crianças cresçam saudáveis, que Deus abençoe minha vida para poder cuidar deles com muito amor e carinho", um desejo de amor e esperança em meio ao recomeço em Juiz de Fora.