Transplantes no DF: Mais de 1,7 Mil Pacientes na Fila de Espera, Histórias de Superação e o Impacto Vital da Doação de Órgãos no Distrito Federal

Com mais de 1,7 mil pacientes na fila de transplantes no DF, a esperança por um órgão se renova a cada história de superação, destacando a importância vital da doação.

O Distrito Federal enfrenta um grande desafio na área da saúde: a crescente fila de transplantes. Atualmente, mais de 1,7 mil pessoas aguardam ansiosamente por um órgão, um número que ressalta a urgência e a importância da doação para salvar vidas na região.

Apesar dos avanços significativos, com mais de 700 transplantes realizados em 2025, a demanda ainda é alta. Pacientes e familiares vivem uma rotina de esperança e luta, aguardando a chance de um recomeço e uma nova oportunidade de vida.

Neste cenário, histórias de resiliência e amor se destacam, mostrando o poder da medicina e da solidariedade humana. Conheça as jornadas inspiradoras de quem venceu a espera e de quem se doou por amor, conforme informação divulgada pelo g1.

Renascimento após o diagnóstico: A jornada de Greicy

Greicy Basilio de Araújo, de 39 anos, recebeu um diagnóstico devastador em novembro de 2023: mieloma múltiplo, um tipo raro de câncer que afeta a medula óssea. A doença trouxe complicações renais severas, exigindo sessões de hemodiálise e quimioterapia intensiva, marcando sua rotina com exames e procedimentos.

Em julho de 2024, Greicy enfrentou um dos momentos mais críticos de sua vida: o transplante de medula óssea. O procedimento, realizado no Hospital Universitário de Brasília (HUB), um centro de referência do SUS, representou um divisor de águas em sua batalha contra o câncer.

Hoje, um ano e seis meses após o transplante, ela segue em tratamento de manutenção, com quimioterapia quinzenal e acompanhamento médico rigoroso. Apesar das dificuldades e da possibilidade de um segundo transplante, Greicy mantém a fé e a gratidão pela vida.

Ela compartilha sua perspectiva emocionada: “E assim, a gente acha que não vai dar conta, né? Mas hoje, tá aqui celebrando, tendo essa oportunidade, só reforça, né, que a gente é forte, que a gente consegue passar e que a gente tem que celebrar, né? Os momentos bons que a gente tem também, a gente geralmente quando tem esse de diagnóstico, a gente olha só o lado ruim, mas tem um lado bom, né? Tem A partir do momento que você faz um transplante, você renasce e é esse renascimento que me faz está aqui comemorando e celebrando”, explica.

União que salva vidas: O amor na doação

A história de Francineide Veríssima de Sousa Dantas, de 58 anos, e seu esposo, Luiz Lopes Martins Dantas, de 57, é um testemunho do amor incondicional. Francineide se tornou doadora de rim para Luiz, que sofria de uma doença rara chamada Deficiência de Lecitina-Colesterol Aciltransferase (LCAT).

Diagnosticado em 2000 e iniciando a diálise em 2018, Luiz esperou quase seis anos na fila de transplantes. Francineide sempre quis doar um rim, mas o medo do marido de prejudicar a saúde dela o impedia. “Foi muito difícil para ele, e para toda a família, aceitar essa nova etapa”, relatou Francineide.

A pandemia de Covid-19 intensificou a apreensão, com o receio de Luiz contrair o vírus. “Ele pedia que eu aguardasse mais um tempo, pois ainda tinha esperança de receber um rim de um doador falecido. Em 2020, com a pandemia de Covid-19, vivemos um período muito intenso, com hospitais superlotados e redução significativa dos transplantes. Nossos filhos e eu ficamos apreensivos, temendo que Luiz contraísse o vírus”, contou Francineide.

Após um teste inicial de compatibilidade considerado não compatível em 2023, a persistência levou a um novo exame. “Mesmo assim mantive a esperança e incentivei meu esposo a prosseguir com novos exames. Na consulta seguinte, atendidos por outra médica, relatamos o ocorrido e ela nos informou que faltava um exame de compatibilidade cruzada, crossmatch, que confirma se o organismo do receptor não rejeitará imediatamente as células do doador. Para nossa alegria, o resultado foi 100% compatível”, afirmou Francineide.

Em outubro de 2024, a cirurgia foi um sucesso, e o organismo de Luiz aceitou bem o novo rim. “O Luiz estava muito ansioso e com medo de não dar certo o tratamento, mas com o passar do tempo o mesmo se sentiu seguro e capaz de conduzir com autonomia todos os procedimentos, contando sempre com a presença de um familiar em casa para lhe fazer companhia e ajudá-lo no que precisasse”, compartilhou Francineide.

O panorama da doação e a fila de espera no DF

Entre janeiro e setembro de 2025, o Distrito Federal registrou 226 notificações de potenciais doadores de órgãos, segundo dados do Registro Brasileiro de Transplantes (RBT), da Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO). Deste total, 46 se tornaram doadores efetivos, representando 20,6 doadores por milhão de pessoas.

Apesar dos esforços, o levantamento da ABTO revela que 80% das notificações de doação potencial não resultaram em doação efetiva. As principais causas incluem 87 casos de contraindicação médica, 38%, e 44 mortes encefálicas não confirmadas, 19%. A recusa familiar também é um fator significativo, com 42 recusas em 96 entrevistas, o que corresponde a 44% dos casos.

O perfil dos doadores efetivos no DF, entre janeiro e setembro de 2025, mostra que 26 eram homens e 40 mulheres. As principais causas de morte foram Acidente Vascular Cerebral (AVC), com 25 casos, e Traumatismo Cranioencefálico (TCE), com 8 registros. A faixa etária predominante foi entre 50 e 64 anos.

A fila de transplantes no DF continua a ser um desafio. Entre janeiro e setembro de 2025, 820 pacientes ingressaram na lista de espera. Em setembro do mesmo ano, 1.443 pacientes estavam ativos, aguardando por um transplante.

Os procedimentos mais aguardados incluem 936 transplantes de rim, 743 de córnea, 32 de coração e 21 de fígado. Não há pacientes cadastrados para transplante de pulmão, pâncreas ou pâncreas/rim, e nenhum paciente pediátrico estava na lista de espera no período analisado.

Como ser um doador de órgãos e salvar vidas

Para ser um doador de órgãos no Distrito Federal, não é necessário deixar nada escrito em documentos. O mais importante é comunicar à sua família o desejo de doar, pois a doação só ocorre após a autorização dos familiares.

Após a autorização, a equipe médica realiza uma entrevista detalhada para investigar se os hábitos ou condições de saúde do doador podem comprometer a qualidade dos órgãos. Doenças crônicas como diabetes, infecções ou uso de drogas injetáveis podem inviabilizar o transplante, garantindo a segurança dos receptores e dos profissionais de saúde.

O Brasil possui o maior programa público de transplante de órgãos, tecidos e células do mundo, com o SUS financiando cerca de 86% dos procedimentos. Existem dois tipos de doador: o doador vivo, que pode ser qualquer pessoa que não prejudique sua própria saúde, doando um rim, parte do fígado, medula óssea ou parte do pulmão. Parentes até o quarto grau e cônjuges podem doar, e não parentes precisam de autorização judicial.

Já o doador falecido são vítimas de lesões cerebrais irreversíveis, com morte encefálica comprovada pela realização de exames clínicos e de imagem. O Núcleo de Organização e Procura de Órgãos (NOPO) do DF funciona 24 horas por dia, oferecendo acolhimento às famílias e organizando todo o processo de doação e captação de órgãos e tecidos, em parceria com a Central de Transplantes do DF (CET-DF) e a Comissão Intra-Hospitalar de Doação de Órgãos e Tecidos para Transplante.

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