Adolescente Condenado por Terrorismo na Venezuela: Gabriel Rodríguez, 17, pega 6 anos de prisão por ‘roupa de oposição’ e gera indignação, expondo repressão política

Jovem Gabriel Rodríguez foi detido ao sair do trabalho e acusado de terrorismo por usar vestimentas ‘semelhantes’ às de manifestantes, em uma decisão judicial amplamente criticada.

Um tribunal na Venezuela proferiu uma sentença chocante, condenando um adolescente de apenas 17 anos a seis anos de prisão sob a acusação de “terrorismo”. O caso, que ganhou repercussão internacional, levanta sérias preocupações sobre os direitos humanos e a justiça no país.

A condenação de Gabriel Rodríguez se baseou na suposta semelhança de suas roupas com as utilizadas por manifestantes da oposição. Ele foi detido no dia 9 de janeiro, data em que protestos contra a posse do presidente Nicolás Maduro para um terceiro mandato agitavam as ruas venezuelanas.

Familiares e organizações de defesa dos direitos humanos denunciam a arbitrariedade da prisão e da condenação. Conforme informações divulgadas pelo G1, a decisão é vista como desproporcional e ilegal, sem qualquer ordem judicial para a detenção inicial.

Detalhes da Prisão e Acusação Controversa

Gabriel Rodríguez foi formalmente acusado de “terrorismo, incitação ao ódio e fechamento de vias públicas”. No entanto, sua família afirma veementemente que o jovem não participava de qualquer manifestação.

Ele foi preso ao sair do trabalho, na cidade de Cabudare, localizada no estado de Lara, no noroeste da Venezuela. A única justificativa para sua detenção, segundo relatos, foi a cor de suas roupas.

O avô do adolescente, Luis Méndez, expressou sua indignação durante um protesto em Caracas, afirmando: “Não encontraram nada contra ele. Simplesmente o prenderam por causa da roupa”.

A ONG Provea detalhou que Gabriel vestia um casaco e uma bermuda pretos. As autoridades teriam o acusado de se parecer com um “guarimbero”, termo pejorativo usado pelo chavismo para se referir a manifestantes da oposição.

Andreína Baduel, integrante do Comitê pela Liberdade dos Presos Políticos, reforçou à AFP que Gabriel “nem mesmo estava participando de nenhum protesto. Simplesmente estava passando e sua roupa chamou a atenção dos funcionários do Estado. Eles o levaram e envolveram em um caso no qual ele não tem nada a ver”.

Falta de Ordem Judicial e Pena Desproporcional

A organização de defesa dos presos políticos ressalta que a prisão de Gabriel Rodríguez não contou com uma ordem judicial prévia. Essa falha processual torna a detenção ainda mais questionável.

O grupo considerou a pena de seis anos de prisão por terrorismo como “desproporcional e ilegal”, segundo publicação na rede X. Além da reclusão, o adolescente foi condenado a mais quatro anos de trabalho comunitário.

A situação de Gabriel é um reflexo do aumento da repressão política na Venezuela. A reeleição de Nicolás Maduro é contestada pela oposição, que a considera fraudulenta e apoia o candidato Edmundo González.

Contexto Político e Onda de Prisões na Venezuela

Os protestos de 9 de janeiro, dia da prisão de Gabriel, resultaram em cerca de 20 detenções em todo o país. Entre os presos, estava a líder opositora María Corina Machado, vencedora do prêmio Nobel da Paz, detida após participar de uma marcha em Caracas.

Nos últimos meses, a Venezuela tem testemunhado uma nova e preocupante onda de prisões de figuras da oposição e civis. Esse cenário intensifica as críticas internacionais ao governo de Nicolás Maduro.

A ONG Fórum Penal reporta que, atualmente, existem pelo menos 902 pessoas presas por motivos políticos na Venezuela.

Outras organizações estimam que esse número possa, inclusive, ultrapassar a marca de mil, evidenciando a gravidade da situação e a escalada da repressão.

O caso de Gabriel Rodríguez serve como um alerta contundente para a comunidade internacional sobre a fragilidade dos direitos individuais e a perseguição política no país sul-americano.

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