O levantamento do Infosiga-SP aponta um crescimento alarmante de vítimas, intensificando o debate sobre infraestrutura e conscientização no trânsito da metrópole.
A região de Campinas, no interior de São Paulo, registrou um aumento preocupante no número de ciclistas mortos em acidentes de trânsito. Os dados mais recentes acendem um alerta para a segurança viária e a necessidade de medidas mais eficazes.
Este crescimento de 34% em um único ano destaca a vulnerabilidade dos ciclistas e a pressão crescente sobre o poder público para garantir condições seguras para quem escolhe a bicicleta como meio de transporte ou lazer.
A elevação no número de fatalidades é a maior entre todas as categorias de vítimas do trânsito, conforme informações divulgadas pelo Sistema de Informações de Acidentes de Trânsito em São Paulo (Infosiga-SP).
Os números alarmantes do Infosiga-SP
O Infosiga-SP revelou que, em 2025, foram contabilizadas 75 ocorrências de ciclistas mortos na região de Campinas. Este número representa um salto significativo em comparação com o ano anterior, 2024, quando foram registrados 56 acidentes fatais envolvendo ciclistas.
A estatística coloca a categoria dos ciclistas como a que experimentou o maior aumento percentual de vítimas fatais no período. A comparação inclui motoristas, passageiros, pedestres e motociclistas, sublinhando a gravidade da situação específica dos ciclistas.
Infraestrutura deficiente: o alerta da Unicamp
Para Luciano Aparecido Barbosa, professor de mobilidade no trânsito pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), o principal fator por trás desse aumento é a falta de infraestrutura adequada nas vias. Ele observa que o incentivo ao uso da bicicleta cresce, mas a segurança não acompanha.
“A gente tem cada vez mais políticas de incentivo e sustentabilidade, incentivando a pessoa a cuidar da saúde, andar mais de bicicleta, só que as ciclofaixas não tem esse poder de segregação entre o veículo e a bicicleta”, comenta o especialista, evidenciando uma lacuna crítica.
Barbosa ressalta a responsabilidade do poder público em garantir a segurança dos ciclistas. Ele cita como exemplo a Avenida Paulista, em São Paulo, que possui uma ciclofaixa com gradil de proteção, uma barreira que impede que veículos desgovernados atinjam os ciclistas.
O drama de Fábio Fantozzi: um relato de superação
A realidade dos números se traduz em histórias como a de Fábio Fantozzi. Ele pedalava com amigos na estrada entre Indaiatuba e o distrito de Cardeal quando foi atingido por um carro em outubro do ano passado. O acidente resultou em uma cirurgia na clavícula e fraturas nas costelas.
“Eu estava aquecendo e, de repente, um carro veio por trás. A pista é simples, não tem acostamento, então nós estávamos posicionados na parte direita da pista. Eu estava com sinalização traseira. Mesmo assim, o carro acabou me surpreendendo”, relata Fábio, sobre o ocorrido.
Desde o acidente, Fábio tem passado por um longo processo de recuperação. “Já deu praticamente 90 dias, quase 100 dias do acidente. Eu, aos poucos, vou retomando minhas, as atividades profissionais não pararam, mas atividades físicas eu estou retomando aos poucos. Hoje eu já consigo fazer todas as minhas atividades graças a Deus”, conta ele, com alívio.
A falta de respeito nas estradas
Hely Peres, que estava junto com Fábio no momento do acidente, presenciou o motorista parar para prestar socorro. No entanto, o condutor questionou a presença dos ciclistas na rodovia, demonstrando uma lamentável falta de compreensão sobre o direito de uso das vias.
“Após o acidente, eles falando que lá não era lugar de ciclista, mostrando, de fato, a ignorância que a pessoa tem em relação ao ciclismo”, afirma Hely. Este tipo de atitude reforça a necessidade urgente de campanhas de conscientização e educação no trânsito, para evitar mais mortes de ciclistas e promover uma convivência mais harmoniosa nas estradas.