Acre e o Câncer de Pênis: Um Alerta Nacional sobre Prevenção e Higiene Íntima
O estado do Acre registrou um número alarmante de seis amputações de pênis devido ao câncer nos últimos cinco anos, de 2021 a 2025. Essa estatística, que inclui quatro mortes no mesmo período, acende um sinal de alerta para a saúde masculina na região e em todo o Brasil.
O câncer de pênis, embora considerado um tumor raro, tem consequências devastadoras que, em muitos casos, poderiam ser evitadas. A doença está frequentemente associada a fatores como a má higiene íntima e infecções.
A gravidade da situação ressalta a importância da informação e do acesso a serviços de saúde. Conforme informações divulgadas pelo G1, a prevenção eficaz é simples e pode salvar vidas e órgãos.
A Realidade no Acre e o Cenário Nacional do Câncer de Pênis
Os seis casos de amputação de pênis no Acre são um microcosmo de um problema de saúde pública mais amplo no Brasil. Em nível nacional, uma pesquisa revelou que entre 2021 e novembro de 2025, foram contabilizadas mais de 2,9 mil amputações do órgão relacionadas à doença, além de 2.359 mortes.
A concentração de casos é particularmente preocupante nas regiões Norte e Nordeste, onde fatores como a baixa condição socioeconômica, o acesso limitado a informações e a dificuldade de acesso aos serviços de saúde contribuem para o diagnóstico tardio. O presidente da Sociedade Brasileira de Urologia (SBU), Roni de Carvalho Fernandes, enfatiza que “as mortes que ocorrem todos os anos são evitáveis, principalmente pelo desconhecimento, estigma e diagnóstico tardio”.
Fatores de Risco e Sinais de Alerta que Você Não Pode Ignorar
O câncer de pênis é mais comum em homens acima dos 50 anos, mas pode afetar jovens e crianças. Ele está fortemente ligado à má higiene íntima, especialmente em homens que possuem fimose, um estreitamento ou excesso de pele no prepúcio que dificulta a limpeza adequada da glande.
Outros fatores de risco incluem a infecção pelo HPV, o papilomavírus humano, e, em casos mais raros, a prática de zoofilia, que é o sexo com animais. Fernando de Assis Ferreira Melo, médico e coordenador do serviço de Urologia da Fundação Hospitalar Governador Flaviano Melo (Fundhacre), em Rio Branco, reforça que “a maioria dos casos está ligada à falta de higiene adequada”.
É crucial estar atento aos sintomas iniciais. Procure ajuda médica se notar uma ferida que não cicatriza na glande ou no corpo do pênis, sangramento sob o prepúcio, secreção com forte odor, espessamento ou alteração na cor da pele da glande, ou o aparecimento de nódulos na região da virilha.
A Prevenção é a Chave: Passos Simples para Evitar a Doença
A boa notícia é que o câncer de pênis é amplamente prevenível. A medida mais simples e eficaz é a higiene adequada. Conforme explicou Fernando de Assis Ferreira Melo, “se o homem lavar o membro todo dia, expondo a pele do prepúcio para mostrar a glande, nunca terá problema quanto a essa doença”.
Além da limpeza diária com água e sabão, especialmente após as relações sexuais, outras ações preventivas são fundamentais. A vacinação contra o HPV é essencial e está disponível para públicos específicos no SUS, e na rede privada para qualquer pessoa. A realização da postectomia, ou cirurgia de remoção do prepúcio, é indicada quando essa pele impede a higienização correta. Por fim, o uso de preservativo é vital para evitar a contaminação por ISTs, como o HPV.
Diagnóstico Precoce Salva Vidas e Órgãos
A identificação do câncer de pênis em seus estágios iniciais é determinante para o sucesso do tratamento e a preservação do órgão. Quando diagnosticado cedo, as taxas de cura são significativamente altas. No entanto, o diagnóstico tardio pode levar a consequências drásticas, como a amputação parcial ou total do órgão, dependendo da extensão da lesão.
Em fases avançadas, a doença pode se espalhar para os gânglios da virilha e do abdômen, exigindo tratamentos mais complexos, como cirurgias extensas, quimioterapia, radioterapia ou imunoterapia. A diretora de comunicação da SBU, Dra. Karin Anzolch, alerta: “Nenhuma ferida no pênis deve ser ignorada ou tratada com remédios caseiros. Quanto mais cedo o homem procurar atendimento, maiores as chances de cura e de preservação do órgão”. Felizmente, cientistas brasileiros estão desenvolvendo um novo tratamento promissor para a doença, oferecendo esperança para o futuro.