Apagão Maciço em Cuba Gera Protestos e Crise de Combustível, Com Governo Acusando Bloqueio dos EUA e Avaliando Inusitada Ajuda Americana

A ilha enfrenta sua pior escassez de energia em anos, com panelaços e cortes que duram dias, enquanto a tensão diplomática com os Estados Unidos se intensifica.

Cuba foi palco de um apagão maciço que atingiu a região leste nesta quinta-feira, 14 de maio de 2026, mergulhando sete das quinze províncias do país na escuridão. A situação crítica na ilha caribenha foi acompanhada por intensos panelaços de protesto em Havana na noite anterior, refletindo o crescente descontentamento popular.

O governo cubano anunciou que suas reservas de combustível “se esgotaram”, atribuindo a grave crise energética ao bloqueio imposto pelos Estados Unidos. Essa declaração acende um alerta sobre a deterioração das condições de vida e a persistência de desafios econômicos na nação.

A série de eventos, incluindo o apagão em Cuba e os protestos, destaca a complexidade da situação, conforme informações divulgadas pela France Presse e compiladas pelo G1.

A Crise Energética se Agrava

Os apagões em Cuba, que já eram uma realidade diária há meses, intensificaram-se drasticamente nas últimas horas. Dados oficiais apontam que 65% do território cubano sofreu cortes simultâneos de energia na última terça-feira, evidenciando a escala do problema.

Nesta quinta-feira, a empresa elétrica nacional UNE informou que sete províncias, da província de Ciego de Ávila a Guantánamo, foram afetadas por uma desconexão generalizada. A maior central termelétrica do país, a Antonio Guiteras, também ficou fora de serviço, segundo a Prensa Latina, agravando o cenário.

Na capital, Havana, os cortes de energia são rotineiros e podem ultrapassar 19 horas diárias, impactando severamente a vida dos moradores. Em várias outras províncias, a situação é ainda mais grave, com os apagões se prolongando por dias inteiros, paralisando atividades essenciais e o cotidiano da população.

A Origem da Escassez e a Posição Governamental

A asfixia do bloqueio energético imposto pelos Estados Unidos é a principal razão para a crise de combustível em Cuba, de acordo com o ministro de Energia e Minas, Vicente de la O Levy. Ele declarou à televisão estatal que as reservas do país “já se esgotaram”, colocando a ilha em uma situação precária.

Desde a queda do presidente venezuelano Nicolás Maduro, em janeiro, Washington tem aplicado uma política de pressão máxima sobre a ilha, que já sofria duras sanções desde 1962. Cuba responsabiliza os Estados Unidos pela situação “particularmente tensa” de sua rede elétrica.

A escassez de combustível é tamanha que, desde o fim de janeiro, apenas um navio russo com 100.000 toneladas de petróleo conseguiu atracar em Cuba, aliviando a crise de eletricidade por um breve período, somente durante o mês de abril.

Protestos e o Clamor Popular em Meio à Escuridão

O cansaço da população cubana com os constantes apagões e a falta de recursos se manifestou em atos de protesto. Na quarta-feira, dezenas de pessoas, algumas batendo em panelas e frigideiras, protestaram contra os cortes de luz em San Miguel del Padrón, bairro periférico de Havana.

À noite, moradores de diversos bairros da capital também realizaram panelaços para expressar sua exaustão, segundo testemunhos compilados pela AFP. Gritos de “Liguem as luzes!” ecoavam pelas ruas de Playa, um bairro a oeste da capital, demonstrando a frustração geral com a situação energética.

Esses protestos em Cuba são um claro sinal do desespero dos cidadãos, que enfrentam não apenas a falta de energia, mas também as dificuldades diárias impostas pela escassez e pela deterioração das condições de vida na ilha.

Oferta de Ajuda dos EUA e o Cenário Diplomático

Em um desenvolvimento inesperado, Cuba anunciou nesta quinta-feira que considera aceitar a ajuda de 100 milhões de dólares, o equivalente a R$ 491 milhões na cotação atual, oferecida pelos Estados Unidos. A condição para essa ajuda é que seja distribuída através da Igreja Católica.

O ministro das Relações Exteriores cubano, Bruno Rodríguez, respondeu no X que “Estamos dispostos a escutar as características da oferta e a forma como se materializaria”. Essa abertura representa um ponto de inflexão na tensa relação entre os dois países, marcando um possível caminho para a cooperação humanitária.

Os Estados Unidos, por sua vez, atribuem a situação em Cuba à má gestão econômica interna. O chefe da diplomacia americana, Marco Rubio, declarou à Fox News que “É uma economia quebrada e disfuncional, e é impossível mudá-la. Gostaria que fosse diferente”, enquanto viajava com o presidente Trump.

Em janeiro, Trump assinou um decreto classificando a ilha como uma “ameaça excepcional” para os Estados Unidos, ameaçando com represálias qualquer país que forneça petróleo a Havana. Apesar dos atritos intensificados, os dois países mantêm conversações, com uma reunião diplomática de alto nível realizada em 10 de abril.

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