Após AVC e dois cânceres, jovem desafia prognósticos e tem recuperação milagrosa para celebrar 15 anos em festa dos sonhos

A vida de Raílla de Sousa Coelho, uma jovem de Paulistana, Piauí, foi marcada por desafios inimagináveis desde os oito anos. Após enfrentar dois tipos de câncer e ser submetida a dois transplantes de medula, a adolescente teve seu quadro agravado por um Acidente Vascular Cerebral (AVC) hemorrágico, que a deixou em coma e com um prognóstico desolador.

Os médicos chegaram a informar à família que não havia mais nada a fazer, preparando-os para o pior cenário. A mãe, Marluce Isabel Coelho, agarrou-se à fé e fez uma promessa à filha: se ela se recuperasse, teria a festa de 15 anos que tanto sonhava.

Contrariando todas as expectativas médicas, Raílla apresentou uma recuperação milagrosa, sem sequelas, e celebrou seu aniversário de 15 anos em grande estilo, conforme informação divulgada pelo g1.

A Luta Incansável Contra o Câncer

A jornada de Raílla começou em 2019, aos oito anos, com o diagnóstico de sarcoma de Ewing. A partir daí, os hospitais em Teresina (PI), Petrolina (PE) e Barretos (SP) se tornaram o segundo lar da jovem e de sua mãe, Marluce, que a acompanhou em cada etapa do tratamento.

Em meio a cirurgias, quimioterapias e radioterapias, a família enfrentou o medo e a incerteza. “Se eu falar que a gente não teve medo, estou omitindo. Porque, por mais que a gente tenha fé, a gente acredite, o medo bate”, desabafou Marluce, lembrando-se dos questionamentos sobre a doença da filha.

Em 2023, um novo e ainda mais grave diagnóstico surgiu: leucemia mieloide secundária ao tratamento do Ewing. A condição exigia um transplante de medula óssea, levando mãe e filha para Barretos, no Hospital de Amor Infantojuvenil.

Os Transplantes e o AVC Ameaçador

O primeiro transplante de Raílla, em 2024, teve sua irmã Alessandra como doadora. No entanto, um ano depois, a doença retornou, exigindo um segundo transplante. Desta vez, um primo de 18 anos foi o doador compatível.

Menos de um mês após a segunda cirurgia, a adolescente começou a apresentar complicações gravíssimas. A oncopediatra Neysi Costa Villela, do Hospital de Amor Infantojuvenil de Barretos, explicou ao g1 que Raílla teve encefalopatia posterior reversível (PRES) e um sangramento cerebral.

“Ela teve todas as complicações que alguém pode ter, já ficou muito doente desde o início do segundo transplante. Só que a grande complicação que ela teve, que a gente achou que a perderíamos, foi um AVC hemorrágico 18 dias depois do segundo transplante”, relatou a médica.

Sem plaquetas para uma cirurgia e com o quadro piorando no coma, a medicina não podia mais intervir. “Os médicos falavam isso pra gente. Tudo que a medicina podia fazer, já tinha feito. Não tinha mais nada que estivesse ao alcance deles”, relembrou Marluce.

A Força da Família e o Milagre da Recuperação

Diante da gravidade, os médicos pediram que a irmã mais velha, Alessandra, fosse até Barretos para se despedir. No entanto, a chegada de Alessandra marcou o início de uma recuperação milagrosa e inexplicável.

“A hora que ela chegou, o batimento da Raílla começou a melhorar, depois ela foi recuperando pouco a pouco nos dias seguintes”, contou Marluce, emocionada. A ligação entre as irmãs e a fé inabalável da família foram cruciais para a virada no quadro da jovem.

A oncopediatra Neysi Costa Villela confessou ao g1 que a equipe médica ficou perplexa com a evolução de Raílla. “A gente, realmente, não fez nada. Quem fez foi só Deus. Só ficamos olhando e foi por isso que chamou a nossa atenção”, afirmou a especialista, destacando a ausência de sequelas.

Um Novo Começo e o Sonho de Ser Médica

Hoje, Raílla está bem, feliz e cheia de gratidão. “Eu estou bem, estou feliz. Tenho muita gratidão a todos que cuidaram de mim e estiveram do meu lado. Sou muito grata a Deus também”, disse a jovem, que até já parou de tomar alguns medicamentos.

Em novembro, Raílla celebrou seus 15 anos com a festa dos sonhos, um momento de alegria e superação que parecia impossível meses antes. Inspirada por sua própria jornada e pelos profissionais que a acompanharam, Raílla já escolheu sua futura profissão: ela quer ser médica.

Para Marluce, a história da filha é um testemunho de fé e esperança. “Minha filha se recuperou, mas não é porque somos melhor do que ninguém. Tratamento oncológico não é fácil e o que Deus fez, tenho certeza que é pra impactar outras vidas, que é pra Deus dar forças a outras pessoas através do que Ele fez na vida de Raílla”, concluiu a mãe.

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