Argentina aprova polêmica Lei de Geleiras de Milei, abrindo caminho para mineração e gerando intensos protestos em Buenos Aires
O Congresso argentino deu um passo significativo na madrugada de quinta-feira, 9 de abril, ao aprovar uma reforma na Lei de Geleiras. Esta medida, fortemente impulsionada pelo presidente Javier Milei, promete redefinir o panorama da mineração no país.
A nova legislação confere às províncias a autonomia para redefinir as áreas atualmente protegidas ao redor das geleiras, com o objetivo claro de expandir a atividade mineradora. A decisão tem gerado um debate acalorado entre defensores do desenvolvimento econômico e ativistas ambientais.
A aprovação não ocorreu sem resistência. Manifestações e confrontos marcaram a terça-feira, 8 de abril, em Buenos Aires, refletindo a polarização em torno do futuro das geleiras argentinas, conforme informação divulgada pela France Presse e repercutida pelo G1.
A controvérsia da Lei de Geleiras e a votação no Congresso
A reforma da Lei de Geleiras obteve sua aprovação final na Câmara dos Deputados após quase 12 horas de debate. O placar registrou 137 votos a favor, 111 contra e 3 abstenções, demonstrando a divisão entre os parlamentares.
No entanto, a proposta já havia recebido o aval do Senado em fevereiro, pavimentando o caminho para a decisão final dos deputados. A medida é vista como uma vitória para o governo de Javier Milei, que busca estimular a economia através de setores como a mineração.
A principal mudança reside na possibilidade de as províncias reavaliarem e alterarem os limites das áreas de proteção. Isso pode significar uma flexibilização que permite a exploração de recursos minerais em regiões próximas a geleiras, antes consideradas intocáveis.
Impacto ambiental e os alertas sobre as geleiras argentinas
A decisão do Congresso argentino levanta sérias preocupações ambientais, especialmente em um contexto global de derretimento acelerado das geleiras. Estudos, como o belga mencionado na reportagem, alertam para o desaparecimento desses importantes reservatórios de água doce.
Cientistas do clima têm reiterado os impactos negativos da perda de geleiras, que vão desde a alteração dos regimes hídricos até a contribuição para o aumento do nível do mar. A ampliação da mineração nessas áreas pode agravar esses problemas, colocando em risco ecossistemas frágeis.
A Lei de Geleiras anterior visava justamente proteger essas formações glaciais e seu ambiente periglacial. A reforma, ao permitir a redefinição, abre um precedente para a potencial degradação de fontes vitais de água e biodiversidade na Argentina.
Protestos e confrontos em Buenos Aires contra a nova legislação
A insatisfação com a reforma da Lei de Geleiras culminou em intensos protestos na capital argentina. Na terça-feira, 8 de abril, ativistas do Greenpeace lideraram uma manifestação em frente ao prédio do Congresso, em Buenos Aires, expressando sua veemente oposição à medida.
Durante os protestos, houve relatos de ativistas presos após escalarem um monumento localizado em frente ao edifício do Congresso. As manifestações escalaram, resultando em confrontos entre manifestantes e a polícia, conforme imagens registradas por Tomas Cuesta da AFP.
Esses eventos sublinham a forte resistência da sociedade civil e de grupos ambientalistas à política de flexibilização ambiental do governo Milei. A aprovação da lei, portanto, não encerra o debate, mas o intensifica, prometendo novas discussões sobre o equilíbrio entre desenvolvimento e preservação ambiental na Argentina.