Bernunça Invade a São Silvestre: 26 Corredores de Florianópolis Surpreendem com Fantasia Gigante e Levam Folclore de SC à Corrida Mais Tradicional do Brasil

Grupo de atletas de Santa Catarina abre mão do ritmo individual para manter a união e destacar a rica cultura do Boi de Mamão em um ato inédito na 100ª edição da prova.

A São Silvestre, corrida de rua mais emblemática do Brasil, se prepara para sua 100ª edição com uma surpresa folclórica vinda diretamente de Florianópolis, Santa Catarina. Um grupo de 26 corredores decidiu transformar a tradicional prova em um palco para a cultura local, desfilando com uma única e imponente fantasia da Bernunça, uma criatura lendária da ilha.

A iniciativa promete chamar a atenção de milhares de espectadores e participantes, não apenas pela grandiosidade do traje, mas também pelo significado cultural que ele carrega. Os atletas planejam sincronizar seus passos, priorizando a união do grupo em detrimento do ritmo individual para garantir que a Bernunça complete o percurso sem incidentes.

Este projeto inovador visa levar a riqueza do folclore catarinense para um dos eventos esportivos mais assistidos do país, celebrando a identidade de Florianópolis de uma maneira única e memorável, conforme informações divulgadas pelo g1.

A Bernunça: Criatura Folclórica no Asfalto Paulistano

A Bernunça é uma das figuras mais marcantes do folclore de Florianópolis, especialmente conhecida por sua participação nas apresentações do Boi de Mamão. Descrita como uma espécie de dragão ou jacaré, ela é famosa por “engolir” as crianças da plateia, em uma brincadeira que remete ao bicho-papão, e depois as integra ao seu corpo.

A história dessa criatura fascinante está registrada no livro “Dicionário do folclore brasileiro”, de Câmara Cascudo. Segundo Reonaldo, a lenda da Bernunça tem uma origem peculiar: “O menino faz um boneco horrendo, monstruoso, e a sua avó, deitada, naquela vigília entre dormindo e acordando, quase dormindo, ele toca nela e mostra esse boneco horroroso. Ao acordar, ela olha aquele monstro e fala Abrenuntio Satanae”.

União e Estratégia: O Desafio de Correr em Grupo

Para levar a cultura local à São Silvestre, os 26 corredores terão que superar um grande desafio: manter o grupo unido. Isso significa abrir mão do pace, o ritmo médio por quilômetro, e sincronizar cada passo para evitar tropeços e quedas durante o percurso da corrida. A prioridade é a integridade da fantasia e a coesão do time.

O grupo de corrida, idealizado por Ramon Dambroz, que lidera o projeto, pensou em cada detalhe. Para se destacar entre os 55 mil inscritos, a fantasia da Bernunça foi confeccionada em material verde-fluorescente, a cor que identifica o time. “A largada é muito específica: são 55 mil pessoas correndo juntas. Então, não dá para correr os primeiros quilômetros naturalmente”, explica Dambroz.

Ele detalha a estratégia para os primeiros momentos da corrida: “Baseado nisso, a gente vai botar o pessoal alinhado em fila indiana, devagarzinho. Nos primeiros quilômetros vai ser mais devagar, mas depois a gente consegue correr de maneira natural”. Essa organização é crucial para que a Bernunça folclórica de Florianópolis possa brilhar na São Silvestre.

Um Gesto de Identidade Cultural na 100ª São Silvestre

A participação da Bernunça na São Silvestre vai muito além de uma simples corrida. É um ato de valorização da identidade cultural de Santa Catarina, um estado rico em tradições e lendas. Ao levar o Boi de Mamão para um evento de projeção nacional, os corredores se tornam embaixadores do folclore, mostrando a beleza e a singularidade de sua terra.

A 100ª edição da São Silvestre, em 31 de dezembro, será um marco histórico, e a presença da Bernunça de Florianópolis certamente adicionará um toque especial de magia e tradição. A homenagem à criatura folclórica promete ser um dos momentos mais comentados da prova, unindo esporte, cultura e a alegria contagiante do povo catarinense.

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