Retidas em Doha desde 28 de fevereiro devido à guerra no Oriente Médio, Danielle Sarabia e sua avó enfrentam a incerteza dos voos cancelados, a saúde da idosa e a falta de apoio governamental.
A situação de duas brasileiras retidas no Catar, Danielle Sarabia e sua avó, moradoras de Campinas (SP), se tornou um drama de incerteza e preocupação. Elas estão presas em Doha, capital catari, desde 28 de fevereiro, após o cancelamento de seu voo de conexão para o Brasil.
O motivo da interrupção da viagem é a escalada do conflito no Oriente Médio, que levou ao fechamento de espaços aéreos e ao cancelamento de diversas rotas internacionais. A avó de Danielle tem enfrentado picos de glicemia, agravados pelo estresse da situação e pela falta de uma previsão de retorno.
A família busca desesperadamente por soluções e apoio das autoridades brasileiras, mas relata dificuldades e um sentimento de desamparo diante da complexidade do cenário, conforme informações divulgadas pelo g1.
A Angústia em Doha e a Escalada do Conflito
O conflito que deixou Danielle e sua avó em uma situação delicada teve início em 28 de fevereiro, quando Estados Unidos e Israel lançaram bombardeios contra o território iraniano, resultando na morte do então líder supremo do Irã, Ali Khamenei, e outras autoridades militares. Em retaliação, o Irã atacou Israel e países do Oriente Médio que abrigam bases militares norte-americanas, como o Catar, os Emirados Árabes e o Kuwait.
Em Doha, a tensão é palpável. Danielle relatou ter ouvido alarmes de alerta e, de longe, o barulho de explosões, com fumaça subindo próximo à Base Aérea de Al Udeid, que abriga forças estrangeiras, incluindo os EUA. Apesar da companhia aérea ter providenciado hospedagem e alimentação, a incerteza sobre o retorno é constante.
“Sem perspectiva nenhuma de quando retornar ao Brasil”, afirmou Danielle, destacando que alguns voos para cidades da Europa foram liberados em “corredores seguros” organizados por outros governos. “O Brasil ainda não fez movimentação nesse sentido, segundo nos informaram”, lamentou a campineira.
A Luta por Apoio e a Saúde da Avó
A saúde da avó é uma das maiores preocupações de Danielle. Com a glicemia alta e o estresse constante, a necessidade de medicação é diária. Danielle buscou a embaixada brasileira em Doha para obter apoio com os remédios, mas foi orientada a comprá-los por aplicativo, arcando com os custos.
A brasileira também expressou dificuldades em obter atualizações e assistência da embaixada e do Itamaraty. Segundo ela, a representação brasileira informou que “só pode oferecer orientações” e que assistência médica não poderia ser custeada. “Causa esse sentimento de desamparo, ansiedade, e não saber quando a gente vai conseguir voltar para casa”, desabafou Danielle.
A única ação comunicada pela embaixada, de acordo com Danielle, é a negociação com o governo da Arábia Saudita para facilitar a emissão de vistos para brasileiros, uma alternativa que exige transporte terrestre e apresenta seus próprios riscos em meio ao conflito.
O Apelo por Repatriação e a Resposta do Itamaraty
Diante da ausência de voos diretos e da falta de previsão de retorno, Danielle soube de outros brasileiros que tentaram embarcar em voos de repatriação organizados por países europeus, pagando trechos adicionais até o Brasil, mas esses voos já estariam lotados. Há também relatos de tentativas de trajeto por terra até a Arábia Saudita, onde o aeroporto segue em funcionamento, mas essa alternativa não é recomendada pelas autoridades devido à escalada do conflito.
“Gostaria de um retorno das autoridades brasileiras, Itamaraty e Embaixada, para que o assunto fosse discutido e nos fosse informado”, apelou Danielle, reforçando a importância de uma ação governamental para retirar os brasileiras retidas no Catar.
O Ministério das Relações Exteriores informou que acompanha a situação de brasileiros no Oriente Médio desde o início da crise, prestando assistência consular por meio das embaixadas na região. O Itamaraty está em contato com as autoridades do Catar para retomar a rota Doha-São Paulo e negocia um transporte terrestre seguro de Doha até o aeroporto na Arábia Saudita, oferecendo uma luz de esperança para as famílias afetadas.