Câmara do DF Freia Ibaneis e Apenas Discute Empréstimo Bilionário do BRB com 12 Imóveis Públicos, Gerando Tensão Política

A Câmara do DF adia votação do empréstimo do BRB, garantido por 12 imóveis públicos do GDF, em um revés que expõe uma inédita cautela entre os aliados do governador Ibaneis Rocha.

O governador Ibaneis Rocha (MDB) enfrenta um cenário de resistência incomum na Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF). A expectativa do governo era aprovar rapidamente um projeto de lei crucial para o Banco de Brasília (BRB).

No entanto, a proposta de um **empréstimo do BRB**, garantido por 12 **imóveis públicos** do GDF, encontrou um freio inesperado na Casa. A matéria, que prevê a entrega de valiosos bens do patrimônio público como garantia, seria votada nesta terça-feira.

Contudo, a CLDF optou por realizar apenas uma reunião de discussão, postergando a deliberação. Essa postura cautelosa, inclusive de parlamentares aliados, levanta questionamentos sobre a habitual facilidade do governador em aprovar seus projetos, conforme informação divulgada pelo g1.

Aliados Adotam Cautela e Freiam Votação Rápida

A decisão de apenas discutir o projeto, em vez de votá-lo, partiu do próprio presidente da Câmara Legislativa, Wellington Luiz (MDB), um aliado de Ibaneis Rocha. A manobra demonstra uma **cautela** que não era vista em votações anteriores, como a aprovação para a tentativa de compra do Banco Master pelo BRB em 2025, que gerou reclamações da oposição por sua celeridade.

A tendência, agora, é que a Casa adote uma postura mais aprofundada antes de deliberar sobre o projeto de **empréstimo do BRB**. Este cenário contrasta com o histórico de Ibaneis Rocha, que desde 2019 não enfrentava dificuldades para aprovar suas propostas no Palácio do Buriti.

O texto é visto como um “termômetro” da situação política do governador na CLDF, especialmente após o arquivamento de pedidos de impeachment sem debate em plenário. A oposição, por sua vez, tem cobrado insistentemente explicações sobre a tentativa de compra do Banco Master pelo BRB.

Entenda o Empréstimo do BRB e a Proposta do GDF

O projeto de lei enviado pelo Governo do Distrito Federal (GDF) no sábado, 21 de fevereiro, propõe 12 **imóveis públicos** como garantia para um **empréstimo bilionário do BRB**. Este empréstimo, que pode ser tomado junto ao Fundo Garantidor de Crédito (FGC), visa melhorar o perfil dos ativos do banco e reduzir riscos, garantindo sua solidez e credibilidade no mercado.

Com essa garantia do GDF, o BRB teria condições de captar recursos em condições mais favoráveis, com juros menores, para dar consistência ao seu balanço patrimonial. O balanço foi abalado após transações mal-sucedidas para a compra do Banco Master nos últimos anos.

Contudo, caso não consigam honrar o compromisso financeiro no futuro, o BRB e o GDF podem se ver obrigados a vender esses **imóveis públicos** para quitar a dívida. O líder do governo na Câmara, deputado Hermeto, enfatizou a urgência de “salvar o BRB”, argumentando que as garantias não retiram os imóveis do patrimônio do GDF, mas exigem análise profunda para evitar que o banco “seja entregue de graça ao governo federal”.

Os 12 Imóveis Públicos Oferecidos Como Garantia

Entre os 12 **imóveis públicos** listados pelo GDF para o **empréstimo do BRB**, estão áreas de grande valor e importância estratégica para o Distrito Federal. A lista inclui desde áreas verdes de parques até a sede da Companhia Urbanizadora da Nova Capital do Brasil (Novacap) e o Centro Administrativo do DF (Centrad), atualmente abandonado.

Dentre os endereços, destacam-se áreas nobres como o Setor de Áreas Isoladas Norte (SAI/norte), próximo ao Noroeste e ao Santuário Sangrado dos Pajés, e uma área verde no Lago Sul, na margem próxima à Ponte JK. O Centro Administrativo (Centrad), em Taguatinga, está desocupado há 12 anos, e o governador Ibaneis Rocha já havia manifestado a intenção de vendê-lo.

Outros locais importantes são o Setor de Indústria e Abastecimento (SIA), com áreas de serviço público que abrigam o Parque de Apoio da Secretaria de Saúde do DF e a sede da Novacap. A lista também inclui áreas no Parque do Guará, indicadas como Proteção Integral/Conector Ambiental no Plano Diretor de Ordenamento Territorial (PDOT), gerando questionamentos ao Instituto Brasília Ambiental (Ibram).

O Que Diz o BRB Sobre a Capitalização

Em nota, o BRB esclareceu que os **imóveis públicos** incluídos no Projeto de Lei encaminhado pelo Governo do Distrito Federal ainda serão submetidos a avaliação técnica independente. O banco afirma que, nesse estágio, não é possível estimar o valor total dos ativos, uma vez que a precificação depende das condições de mercado.

A instituição financeira pública ressaltou que sua capitalização não ocorre por meio da transferência direta desses imóveis, mas por estruturas financeiras capazes de monetizá-los. Este modelo segue em análise junto ao Banco Central, junto com outras estratégias para reforçar o patrimônio e preservar a capacidade de crédito da instituição.

Essas opções integram um plano de capital encaminhado ao Banco Central em 6 de fevereiro e consideram também como alternativas a venda de ativos, empréstimos feitos por meio de consórcios de bancos e empréstimos diretos junto ao FGC. O BRB reafirmou seu compromisso com práticas de governança robustas, transparência e a busca por soluções sustentáveis que assegurem sua solidez e seu papel estratégico no desenvolvimento econômico e social do DF.

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