Imagens exclusivas revelam a entrada do ex-companheiro Ari no prédio da política gaúcha, horas antes da tragédia que comoveu o estado.
Um crime chocante abalou a cidade de Nova Prata, no Rio Grande do Sul, com a morte da ex-vereadora Roseli. O caso, investigado como feminicídio, teve um desenvolvimento crucial com a divulgação de imagens de segurança que mostram o ex-companheiro da vítima entrando no prédio onde ela morava.
As cenas, capturadas na madrugada, oferecem um vislumbre dos momentos que antecederam a tragédia, levantando questões sobre a segurança e os sinais de alerta em relacionamentos conturbados. A repercussão do ocorrido mobilizou autoridades e a comunidade local.
A Polícia Civil segue investigando os detalhes que culminaram na morte de Roseli e do suspeito, seu ex-companheiro Ari, conforme informações divulgadas pelo G1.
Imagens Chocantes Revelam Entrada do Suspeito no Prédio da Ex-Vereadora Morta
Uma câmera de segurança registrou o momento exato em que Ari, ex-companheiro de Roseli, estaciona o veículo e entra no prédio da ex-vereadora. O fato ocorreu por volta das 2h20 da madrugada, conforme detalhado pela polícia. Ele possuía a chave do apartamento, o que facilitou seu acesso ao local.
A delegada Liliane Kramm explicou que “é um casal que estava em processo de separação e tinha suas dificuldades. A mulher, então, saiu da casa e foi morar num outro imóvel da família, deles mesmos, com o filho. Porém ele [suspeito] tinha a chave. E nessa madrugada, um pouco antes dos fatos, ele entra, nós imaginamos que sem a permissão e o conhecimento dela”.
Este detalhe é crucial para entender a dinâmica do crime, sugerindo uma invasão de privacidade que antecedeu o trágico desfecho. A Polícia Civil continua analisando todas as evidências para reconstruir os eventos daquela noite.
Histórico do Relacionamento e Alerta Ignorado
Roseli e Ari mantiveram um relacionamento de 28 anos. Em 2017, a ex-vereadora chegou a registrar um episódio de violência, o que resultou na concessão de uma medida protetiva. No entanto, o casal reatou subsequentemente, e não havia registros recentes de Medidas Protetivas de Urgência (MPUs) no momento do crime.
Momentos antes de ser encontrada sem vida, Roseli enviou uma mensagem à sua mãe. A Brigada Militar foi acionada imediatamente. Ao chegarem ao endereço, os policiais encontraram tanto Roseli quanto Ari já sem vida. O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) confirmou os óbitos, e o local foi isolado para perícia.
A amiga da ex-vereadora, deputada estadual Nadine Anflor, revelou que Roseli era “extremamente intelectualizada” e tinha “todas as condições para procurar ajuda, mas não acreditava que isso era possível acontecer”. A deputada alertou: “qualquer uma de nós pode ser vítima de feminicídio”.
Quem Era Roseli: Legado e Repercussão do Feminicídio
Roseli era uma figura pública respeitada em Nova Prata. Além de ex-vereadora, foi candidata a vice-prefeita nas eleições de 2024 e se candidatou a deputada estadual em 2022, ficando como suplente. Ela atuava como diretora na Secretaria do Esporte e Lazer do Rio Grande do Sul.
Diversas personalidades e instituições lamentaram a perda. O secretário do Esporte e Lazer do RS, Juliano Franczack, destacou que “Roseli foi uma mulher de grande destaque na vida pública e uma vereadora atuante na defesa dos direitos das mulheres e das políticas públicas do esporte e da inclusão das pessoas com deficiência. Neste momento, todas as nossas orações estão com sua família e amigos.”
O governador Eduardo Leite também expressou sua solidariedade, afirmando que a história da servidora foi “interrompida de forma brutal”. A Prefeitura de Nova Prata decretou luto oficial de três dias, e o prefeito Beto Carnevalli condenou o ato, enfatizando o “excelente trabalho” de Roseli pela cidade e que “Feminicídio é um ato condenável, um ato que reprovamos totalmente”.
A Urgência de Combater o Feminicídio
O feminicídio é definido como o assassinato de mulheres em razão do seu gênero, envolvendo circunstâncias como violência doméstica e familiar, menosprezo ou discriminação à condição de mulher. A brutalidade do crime contra a ex-vereadora Roseli ressalta a importância de conscientização e combate a essa forma extrema de violência.
A fala da deputada Nadine Anflor, de que “qualquer uma de nós pode ser vítima de feminicídio”, ecoa como um alerta para a sociedade. É fundamental que as vítimas de violência doméstica procurem ajuda e que a rede de apoio e proteção seja cada vez mais fortalecida para evitar tragédias como a de Roseli, garantindo que mais vidas não sejam interrompidas de forma tão brutal.