Juarez Assis Santos, ex-gestor de RH, compartilha a realidade de um Natal na rodovia e a saudade de casa, uma experiência comum a muitos caminhoneiros.
Aos 63 anos, o caminhoneiro Juarez Assis Santos trocou a rotina de escritório em Recursos Humanos, o RH, pela imprevisibilidade das estradas. Uma mudança de vida que, neste ano, traz um novo desafio emocional: seu primeiro Natal longe da família, um momento de profunda reflexão.
Acostumado a celebrar a data com entes queridos, Juarez agora se vê sozinho na boleia, enfrentando a distância em uma das épocas mais simbólicas do ano. A saudade é um sentimento constante para ele e para muitos outros profissionais do volante.
Essa realidade, que une a paixão pela estrada e o peso da ausência familiar, é detalhada em uma reportagem da TV Integração, veiculada pelo G1, que explora o cotidiano desses trabalhadores durante as festas de fim de ano.
A vida na estrada e o peso do primeiro Natal distante
Para Juarez, a decisão de abandonar o RH por uma vida na estrada trouxe liberdade, mas também novas reflexões. A pergunta sobre onde passaria o Natal e o Ano Novo, antes simples, tornou-se um dilema. “Essa pergunta eu já ouvi umas cinco vezes. E a resposta é ‘não sei’”, desabafa o caminhoneiro.
Ele confessa que a experiência de estar longe da família pela primeira vez no Natal é difícil. “Não é fácil você passar essas datas junto durante anos por décadas e, de repente, ficar só pela primeira vez”, explica Juarez, em entrevista à TV Integração, ressaltando a grande saudade.
Enquanto seus familiares se preparam para as festividades, Juarez permanece na estrada, cumprindo entregas e mantendo o país em movimento. Sua história reflete a de muitos caminhoneiros que dedicam suas vidas ao transporte de mercadorias por todo o Brasil.
Natal na boleia: uma realidade compartilhada entre caminhoneiros
A situação de Juarez não é isolada. Para uma grande parcela dos caminhoneiros, as datas comemorativas são frequentemente celebradas dentro do caminhão, longe do aconchego do lar e da família. Nesses momentos, a companhia de colegas de profissão torna-se um apoio fundamental.
André Luiz Freitas Amaral, outro caminhoneiro, também conhece bem a dificuldade de planejar o Natal em casa. “A gente planeja o que não tem como ser feito, né. O Ano Novo eu pretendo passar em casa, mas o Natal, sem chance”, afirma André, que planeja passar a data com companheiros em Uberlândia.
Essa rotina destaca o sacrifício pessoal envolvido na profissão, onde a necessidade de cumprir prazos e rotas muitas vezes se sobrepõe ao desejo de estar perto dos entes queridos. O Natal na estrada é uma realidade marcante para esses trabalhadores.
Paixão pela estrada e o desejo de segurança
Para alguns, como Eliandro Rosa, a estrada é mais do que um trabalho, é uma herança e uma verdadeira paixão. “Meu pai era caminhoneiro, já falecido. Viveu a vida inteira na estrada. Eu aprendi a ter paixão por isso. Se não fosse caminhão, seria de outro jeito, porque eu gosto da estrada”, conta Eliandro.
Neste período de fim de ano, as rodovias se tornam ainda mais movimentadas, com carros, ônibus e motos dividindo espaço com os imponentes caminhões. São esses gigantes do asfalto que transportam desde alimentos e presentes até os sonhos de milhões de brasileiros.
Diante dos desafios e da distância, o maior desejo de caminhoneiros como Juarez, André e Eliandro é simples e fundamental: trafegar com segurança hoje para poder retornar para casa amanhã. A busca por segurança é uma constante na vida desses profissionais que são essenciais para a economia do país.