A luta por justiça no Caso Benício se intensifica à medida que a família relembra o aniversário da criança, enquanto a investigação policial avança em Manaus.
A dor e a saudade marcam a memória do pequeno Benício Xavier de Freitas, que completaria sete anos nesta quinta-feira (25). A data, que deveria ser de celebração, ressalta a profunda comoção em torno de sua morte, ocorrida em circunstâncias trágicas em um hospital particular de Manaus.
Benício faleceu em novembro após receber uma dose equivocada de adrenalina por via intravenosa, um erro que, segundo a família, foi fatal. O caso chocou o país e segue sob intensa investigação da Polícia Civil do Amazonas e apuração do Conselho Regional de Medicina do Amazonas (Cremam).
Apesar dos esforços da família e da polícia, a Justiça do Amazonas negou, pela segunda vez, o pedido de prisão preventiva da médica e da técnica de enfermagem envolvidas, conforme informações divulgadas pelo g1.
Detalhes da Morte e a Investigação do Caso Benício
Benício deu entrada no Hospital Santa Júlia, na capital amazonense, com sintomas de tosse seca e suspeita de laringite. Segundo o relato da família, foi durante o atendimento que ocorreu o erro na medicação administrada.
De acordo com o inquérito da Polícia Civil, a médica Juliana Brasil Santos prescreveu a aplicação de adrenalina por via intravenosa, e a técnica de enfermagem Raíza Bentes foi responsável por administrar o medicamento.
O pai de Benício, Bruno Freitas, chegou a questionar a prescrição e a forma de aplicação. No entanto, logo após a primeira dose, Benício apresentou uma piora súbita em seu quadro clínico, o que gerou grande preocupação.
Após a reação adversa, a criança foi rapidamente encaminhada para a sala vermelha. Lá, teve uma queda acentuada na oxigenação e precisou ser transferida para a Unidade de Terapia Intensiva (UTI).
Durante o processo de intubação, Benício sofreu diversas paradas cardíacas e, infelizmente, não resistiu, vindo a óbito às 2h55 da madrugada de um domingo. Para a Polícia Civil, o menino foi vítima de homicídio.
Justiça Nega Prisão, Mas Impõe Medidas Cautelares às Investigadas
Na mesma semana em que Benício faria aniversário, a Justiça do Amazonas negou, pela segunda vez, o pedido de prisão preventiva da médica e da técnica de enfermagem investigadas pela morte da criança. A decisão foi tomada na terça-feira (23).
O novo pedido havia sido apresentado pelo delegado Marcelo Martins durante o plantão judiciário. Mesmo em período de recesso, o juiz de plantão, Luiz Carlos Valois, analisou o requerimento e decidiu pela negativa.
O magistrado entendeu que as medidas cautelares já impostas às investigadas são suficientes para garantir tanto a ordem pública quanto o andamento das investigações do Caso Benício.
Anteriormente, no dia 16, a Justiça já havia negado o primeiro pedido de prisão preventiva. Na ocasião, o juiz Fábio Olintho de Souza determinou uma série de restrições às investigadas, salientando que a prisão preventiva deve ser aplicada apenas em situações excepcionais.
Entre as medidas cautelares determinadas estão a suspensão do exercício profissional por 12 meses, com possibilidade de prorrogação, e o comparecimento mensal em juízo para informar e justificar suas atividades.
As investigadas também estão proibidas de se ausentar da Região Metropolitana de Manaus sem autorização judicial e têm a obrigação de manter uma distância mínima de 200 metros da família da vítima e das testemunhas.
Dias após a primeira decisão, a Polícia Civil apreendeu o celular da médica, além de documentos e um carimbo que indicava especialidade em pediatria, embora ela não possua o título oficialmente reconhecido.
A Esperança da Família por Justiça Abrangente no Caso Benício
A família de Benício expressa confiança de que as investigações terão desdobramentos significativos em todas as esferas: penal, cível e ético-profissional. O pai, Bruno Freitas, reforçou o sentimento de todos.
“Queremos justiça pelo Benício e que nenhuma outra família passe pelo que estamos vivendo. Não desejamos essa dor para ninguém”, declarou o pai, sublinhando o desejo de que o Caso Benício sirva de alerta para que tragédias como essa não se repitam.