Caso Moisés Alencastro: Suspeitos de Matar Ativista Cultural são Indiciados por Homicídio e Furto no AC, Polícia Aponta Crime Passional

Antônio de Sousa Morais e Nataniel Oliveira de Lima tiveram prisões mantidas, e a investigação busca a fundo a motivação do brutal assassinato.

O inquérito sobre a morte de Moisés Alencastro, conhecido ativista cultural do Acre, teve um avanço significativo. Dois suspeitos, Antônio de Sousa Morais, de 22 anos, e Nataniel Oliveira de Lima, de 23, foram formalmente indiciados pela Polícia Civil.

As acusações são de homicídio qualificado e furto qualificado, ambos em concurso material, o que significa que os crimes foram cometidos em conjunto. A decisão representa um passo crucial nas investigações que chocaram a comunidade local.

A principal hipótese levantada pela polícia é de que Moisés tenha sido vítima de um crime passional, embora o caso corra em segredo de Justiça para preservar as investigações, conforme informações divulgadas pelo g1.

Detalhes da Investigação e Hipótese Principal

O coordenador da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), delegado Alcino Souza, confirmou que o inquérito foi encaminhado ao Poder Judiciário na última terça-feira, dia 30. O laudo cadavérico, peça fundamental no processo, revelou que a vítima foi morta com aproximadamente quatro facadas.

Segundo o delegado, o prazo de 10 dias para a conclusão do inquérito, quando o acusado está preso, foi cumprido. Alcino Souza explicou que, apesar do indiciamento, algumas perícias ainda não foram finalizadas, e outras medidas foram solicitadas para trazer mais detalhes sobre a motivação do crime, não sobre a autoria, que já está confirmada.

A linha de investigação aponta para um crime passional, uma vez que um dos suspeitos já tinha intimidade com Moisés Alencastro e sabia de sua homossexualidade. “A princípio não quero crer que isso tenha a ver com crime de ódio porque tenho alguém [suspeito] que já era da intimidade dele, sabia que era homossexual”, frisou o delegado, destacando a importância de aprofundar a análise das mensagens nos celulares da vítima e dos acusados.

A Prisão e Confissão dos Suspeitos

As prisões dos suspeitos ocorreram rapidamente após a descoberta do corpo do ativista cultural. Antônio de Sousa Morais foi detido na manhã do dia 25 de dezembro em Rio Branco, após estar foragido desde o dia em que o corpo foi encontrado no apartamento da vítima, no bairro Morada do Sol.

No fim da tarde do mesmo dia, Nataniel Oliveira de Lima, apontado como o segundo envolvido no caso, foi localizado e preso no bairro Eldorado. Ambos foram conduzidos para depoimento e, conforme o delegado, confessaram o crime.

Após as prisões, os dois suspeitos passaram por audiência de custódia no dia 26 de dezembro. A Justiça decidiu manter as prisões, e Antônio e Nataniel foram encaminhados para o Complexo Prisional de Rio Branco, onde permanecem à disposição da Justiça.

Mudança na Linha de Investigação e Provas Encontradas

Inicialmente, o caso da morte de Moisés Alencastro chegou a ser tratado como um possível latrocínio, roubo seguido de morte. Contudo, essa perspectiva mudou após a constatação de que não havia sinais de arrombamento no imóvel da vítima, indicando que a entrada dos agressores foi consentida ou facilitada.

Durante as investigações, foram encontradas diversas provas que ligam os suspeitos ao crime. Objetos pessoais de Moisés, como documentos, controles do veículo e do apartamento, além de roupas com vestígios de sangue, foram localizados em endereços relacionados aos acusados. A polícia também investiga tentativas de uso dos cartões bancários da vítima após o homicídio.

Próximos Passos e O Que Ainda Falta Esclarecer

Apesar do avanço com o indiciamento e as confissões, a investigação do assassinato do ativista cultural Moisés Alencastro ainda tem pontos a serem elucidados. Um dos itens cruciais que ainda não foi localizado é o telefone celular da vítima, que poderia fornecer informações importantes sobre os últimos contatos e a motivação do crime.

O delegado Alcino Souza destacou que buscas foram realizadas em todos os locais possíveis indicados, mas o aparelho permanece desaparecido. Embora não possa fornecer detalhes sobre a participação individual de cada um dos suspeitos devido ao sigilo judicial, o delegado confirmou que ambos contribuíram para o resultado fatal.

A polícia continua trabalhando para recuperar todas as mensagens e dados dos celulares envolvidos, buscando trazer mais clareza sobre o que levou ao brutal homicídio qualificado e ao furto. O objetivo é compreender totalmente a dinâmica e as motivações por trás do crime, garantindo que todos os detalhes sejam esclarecidos para a Justiça.

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