Caso Orelha: Ministério Público de Santa Catarina Recebe Inquérito e Pede Internação Provisória de Adolescente Suspeito de Maus-Tratos em Florianópolis

Polícia Civil de Santa Catarina entrega inquérito do Caso Orelha ao MP, pedindo internação de adolescente

O Ministério Público de Santa Catarina (MP-SC) recebeu nesta quarta-feira, 4 de janeiro, o inquérito policial que solicita a internação provisória de um adolescente. Ele é o principal suspeito dos maus-tratos que levaram à morte do cachorro Orelha, um caso que chocou a comunidade de Florianópolis e ganhou repercussão nacional.

A investigação, conduzida pela Polícia Civil, foi intensa e detalhada, resultando na identificação de um único jovem. A 10ª Promotoria da Infância e Juventude de Florianópolis será a responsável por analisar as provas e decidir sobre o futuro do adolescente, conforme informações divulgadas pelo G1.

O caso, que tramita sob segredo de Justiça devido ao envolvimento de menores, mantém a atenção pública, ansiosa por respostas e justiça para o animal. A entrega do inquérito marca um passo significativo na apuração dos fatos.

Investigação minuciosa descarta outros suspeitos e foca em um adolescente

Inicialmente, a investigação do Caso Orelha apontou quatro adolescentes como possíveis envolvidos na agressão. Contudo, após uma análise exaustiva de mais de mil horas de imagens de câmeras de segurança, depoimentos de testemunhas e a coleta de diversas provas, a Polícia Civil descartou a participação de três deles.

A agressão ao cão Orelha ocorreu na manhã de 4 de janeiro, e o animal veio a óbito no dia seguinte, conforme o relatório veterinário que indicou pancada na cabeça, possivelmente por chute ou outro objeto contundente. A complexidade do caso exigiu um trabalho investigativo aprofundado.

Os detalhes cruciais que levaram à conclusão sobre a participação do adolescente incluem contradições em seu depoimento. Ele havia afirmado que permaneceu na área da piscina do condomínio, mas as câmeras de segurança mostraram-no indo para a praia com uma amiga pouco antes do horário das agressões.

Peças de vestuário e comportamento suspeito foram decisivos no Caso Orelha

Apesar da ausência de um vídeo direto do momento dos maus-tratos contra o cachorro Orelha, a polícia conseguiu reunir evidências circunstanciais fortes. A identificação de um boné rosa e de um moletom, usados pelo adolescente no dia da agressão, foi fundamental para o avanço das investigações.

Essas peças foram apreendidas quando o jovem retornou de uma viagem internacional. A delegada Mardjoli Valcareggi, da Delegacia de Proteção Animal de Florianópolis, destacou o comportamento suspeito de um familiar que tentou esconder o boné rosa e agiu de forma estranha ao falar sobre o moletom, inicialmente alegando que havia sido adquirido na viagem, o que foi desmentido pelo próprio adolescente posteriormente.

Em contrapartida, a defesa do adolescente, representada pelo advogado Alexandre Kale, argumenta que os indícios são fracos e inconsistentes. Kale afirmou que seu cliente “se confundiu, mas em nenhum momento ele mentiu”, buscando esclarecer os pontos divergentes e trazer a verdade à tona de forma célere.

MP-SC também recebe inquérito do Caso Caramelo; prazo de decisão é incerto

Além do inquérito do Caso Orelha, a Polícia Civil de Santa Catarina também encaminhou ao Ministério Público a investigação sobre as agressões sofridas pelo cão Caramelo. Este caso, que ocorreu em um dia diferente, aponta para o envolvimento de quatro adolescentes, cujas defesas não tiveram os nomes divulgados.

A Promotoria da Infância e Juventude de Florianópolis agora tem a tarefa de analisar ambos os inquéritos. O Ministério Público não possui um prazo definido para decidir se irá ou não representar os cinco jovens envolvidos nos dois casos de maus-tratos a animais que abalaram a região.

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